quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

China se blinda ante possível conflito EUA/Venezuela com armazenagem de petróleo em navios-tanque no mar


 

O volume de petróleo bruto venezuelano armazenado em navios-tanque no mar atingiu pouco mais de 20 milhões de barris, o nível mais alto em mais de três anos, segundo dados da empresa de rastreamento Kpler, divulgados pela Bloomberg. Esse acúmulo pode ajudar a mitigar potenciais interrupções no fornecimento para a China, principal destino do petróleo venezuelano, em meio à crescente pressão dos EUA sobre o setor energético do país sul-americano. De acordo com informações disponíveis, uma parcela significativa desses carregamentos está em águas asiáticas, facilitando o acesso para refinarias chinesas. O volume atual representa um aumento em comparação com os aproximadamente 18 milhões de barris registrados no início do mês. A recente apreensão de um navio-tanque na costa da Venezuela por forças americanas está gerando incertezas em relação às exportações, embora as operações de carregamento continuem utilizando embarcações operadas por intermediários. Embora a China não tenha divulgado importações oficiais de petróleo bruto venezuelano desde março, o rastreamento marítimo e dados de terceiros indicam que os fluxos para a Ásia continuaram ao longo do ano. Os principais compradores na China são refinarias independentes, conhecidas como "teapots", que compram petróleo bruto Merey, um óleo pesado usado principalmente para a produção de betume. Esse tipo de petróleo bruto é negociado com descontos significativos em comparação com outros tipos, tornando-o atraente em um contexto de margens apertadas. O ambiente econômico da China também influencia a demanda. A desaceleração no setor imobiliário e o fraco consumo refletem-se nos preços futuros do betume em Xangai, que estão em mínimas de quatro anos, indicando demanda física limitada. Segundo analistas de mercado, a China poderá evitar restrições de oferta até o final do primeiro trimestre do próximo ano, mesmo que as medidas dos EUA contra a rede de exportação venezuelana se intensifiquem. No entanto, substituir completamente os volumes da Venezuela implicaria custos mais elevados. Alternativas como o petróleo bruto Canadian Access Western Blend são mais caras, enquanto alguns tipos de petróleo bruto iraniano oferecem preços intermediários. Após a apreensão do navio, o petróleo bruto Merey teria sido oferecido a compradores chineses com descontos de cerca de US$ 12 por barril em comparação com o Brent da ICE, segundo operadores de mercado, embora nenhuma transação nesses níveis tenha sido confirmada. Antes desse incidente, os descontos chegavam a US$ 15 por barril. O transporte de petróleo bruto venezuelano para a China normalmente leva mais de dois meses e envolve múltiplas transferências entre embarcações, uma prática utilizada para ocultar a origem dos carregamentos. Dados de rastreamento indicam que aproximadamente metade dos petroleiros que armazenam petróleo bruto de Merey estão em águas próximas à China e ao Sudeste Asiático.

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