terça-feira, 27 de junho de 2017

Dirígivel manobrável pode ser usado para vigiar zonas marítimas de difícil acesso

            Uma equipe do Clube de Estudantes da AFCEA (Associação para as Comunicações, Electrónica, Informações e Sistemas de Informação para Profissionais da Universidade da Beira Interior (UBI), de Portugal, apresentou publicamente um projeto, ainda em investigação, que pode vir a constituir um meio de vigilância para zonas remotas de difícil acesso, incluindo marítimas.
        Designado «Sustentabilidade de Transporte Aéreo Multifuncional», o projeto é constituído por “um dirigível modular híbrido manobrável, uma torre de acoplagem e respetivos mecanismos de carga e amarração”, segundo Tiago Rosa, vice-presidente da AFCEA. Ele explicou que o dirigível “destaca-se pelo seu conceito único, que permite o transporte de pessoas, carga ou equipamentos de detecção e análise, podendo variar em tamanho, 9 ou 75 metros, não tripulado ou tripulado, respectivamente”. 
           Composto por módulos variados, o dirigível permite ter um veículo adaptado a situações de monitorização de zonas remotas de difícil acesso “a um custo reduzido”, esclarece Tiago Rosa. “Sendo um dirigível um aeróstato – um veículo mais leve do que o ar, através de um gás contido dentro da sua estrutura (neste caso, hélio) – tem-se uma capacidade de sustentação acrescida que pode ser essencial a alguns teatros de operação”, explica o mesmo responsável.
               Tiago Rosa destaca também que “juntamente com um sistema de 4 rotores e 1 motor tradicional a hélice que permitem descolagem e aterragem vertical e em pouca distância, voo vertical e horizontal”, a manobrabilidade do dirigível “é aumentada”, permitindo-lhe “operar por longos períodos tempo – um aspecto fulcral ao olhar para a extensão, quer da fronteira terrestre, quer (sobretudo) de costa portuguesa e a actual vigilância da mesma”.
             Neste momento, o projeto, que resulta de um consórcio firmado em 2014 entre o Núcleo de Investigação em Transportes (NIT) da UBI e o departamento de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS) do Instituto Superior Técnico (IST), e com algumas empresas do setor como parceiras, tem um pedido de patente internacional (WO 2016195520 A1) em consulta pública. Por este motivo, Tiago Rosa optou por manter confidencialidade sobre aspectos relacionados com orçamento e financiamento do projeto, bem como sobre potenciais clientes.

Rota comercial Vitória-China começa a funcionar esta semana, com um carregamento de granito

         Exportadores e importadores capixabas podem comemorar. A rota comercial Vitória-China é realidade. Nesta semana, um carregamento de granito capixaba será embarcado no Terminal de Vila Velha (TVV) com destino ao Porto de Zhuhai. O navio atracará nesta terça-feira (27), às 16h, e imediatamente começará a operar. Será o início de uma parceria que vinha sendo debatida desde 2010, mas só agora, após a visita da missão da Codesa e do governo estadual à China, em fevereiro deste ano, será concretizada.
        O anúncio foi feito pelo presidente da Codesa, Luis Claudio Montenegro, um dos coordenadores da missão à China. "É preciso planejar e acreditar", destaca, afirmando que vem atuando para tornar o Porto de Vitória competitivo nos cenários nacional e mundial: "Oferecemos o melhor frete e mais agilidade".
         A cerimônia da viagem inaugural deverá ocorrer na quinta-feira (29) para imprensa, empresários e autoridades públicas, e será a bordo do Tian Qi, navio que marcará a inauguração da linha direta entre Vitória e Zhuhai, na China. A empresa armadora é a Cosco, que já antecipou: em breve a embarcação será adaptada para o transporte de contêineres, ampliando as possibilidades de comércio.
         Conforme explicou o superintendente de Projetos da Codesa, Walter Arruda, a diferença dessa linha é que antes o desembarque da carga na China era realizado ao largo, na barra, de onde o produto era colocado em balsas e estas levavam para os portos destinados. Esse tipo de operação limita bastante o tipo de carga, não permitindo, por exemplo, a movimentação de contêineres.
        Mas, a partir da linha direta o navio ficará abrigado, atracado no Porto de Zhuhai Gaolan, na província de Guangdong. Além dessa mudança de logística para atrair mercado, o Porto de Zhuhai flexibilizou custos e já vem sendo procurado por outros armadores interessados na rota direta com o Brasil por meio do Porto de Vitória.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Diretoria da Petrobras autoriza retomada de negociações com a Sete Brasil

       A diretoria da Petrobras autorizou a retomada de negociações com a empresa de sondas Sete Brasil, hoje em recuperação judicial. A medida responde a solicitação feita pela própria fornecedora em audiência na Justiça realizada em fevereiro. Mas a estatal não tem uma nova proposta sobre número de sondas e preços de aluguel. A ideia é ouvir o que a direção da Sete tem a propor.
       O contrato inicial previa a contratação de 29 sondas, que seriam usadas para explorar reservas no pré-sal. Com a queda do preço do petróleo e sua própria crise financeira, a estatal decidiu que não precisaria mais de todos os equipamentos. A Sete pediu recuperação judicial em abril de 2016, com uma dívida de R$ 19,3 bilhões. Desde então, vem tentando negociar um plano de recuperação com seus credores.
       A situação da empresa se complicou este ano, quando alguns de seus acionistas decidiram recorrer a arbitragem internacional para recuperar os prejuízos. Em seu balanço, a Petrobras identifica perdas possíveis de R$ 4,5 bilhões com os processos de arbitragem, que são movidos, principalmente, por fundos de pensão estatais —incluindo a Petros, dos empregados da estatal.
       A Sete foi criada em 2010 e tem entre seus acionistas, além dos fundos de pensão, os bancos Santander e BTG, a empresa americana EIG e os fundos Strong, Lakeshore, Luce Venture e FI-FGTS. Contratou para construir as sondas estaleiros controlados por empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato.
       A Petrobras já havia proposto no fim de 2016 arbitragem para negociar um novo contrato com a fornecedora, mas teve o pedido negado. Naquele momento, a estatal dizia precisar de, no máximo, 10 sondas. Em nota divulgada nesta sexta (23), a Petrobras diz que "os resultados das tratativas, qualquer que seja, estará sujeito às normas de governança corporativa e conformidade da Petrobras, bem como à aprovação pelos seus órgãos competentes".

Antonina recebe aval do Ibama para implantação de novos empreendimentos portuários

          O Porto de Antonina recebeu o aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para implantação de novos empreendimentos. O órgão emitiu a licença de operação do terminal paranaense, que certifica a segurança estrutural e ambiental do porto.
          A emissão do documento faz parte de um processo de readequação e regularização ambiental pelo qual os Portos do Paraná passaram ao longo dos últimos anos. Em 2013 o Porto de Paranaguá conseguiu a licença do Ibama e agora foi a vez do terminal de Antonina.
          “É um sinal de que estamos fazendo os processos corretamente, tendo em vista o crescimento sustentável do Porto de Antonina, que tem um papel fundamental na movimentação de cargas do Paraná e é um motor de desenvolvimento para a cidade de Antonina”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.
          A licença tem validade de quatro anos e exige como contrapartida uma série de condicionantes para ser mantida. “Hoje, não é mais possível pensar em grandes projetos de infraestrutura sem se atentar para o que a autoridade ambiental recomenda. Cuidar do meio ambiente e se relacionar harmoniosamente com as cidades é uma prioridade para o Porto de Antonina”, explica do diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.
          Ao todo, os Portos do Paraná já têm em andamento mais de 40 programas ambientais que vão ao encontro do que o Ibama exige. Entre eles estão programas de educação ambiental, de gerenciamento de resíduos sólidos, monitoramentos da qualidade da água, da fumaça emitida pelos caminhões e seus ruídos e controle da biota aquática.

Mercado financeiro reduz projeção de crescimento da economia para 0,39%

         O mercado financeiro reduziu a projeção para o crescimento da economia, este ano, pela terceira vez seguida. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, desta vez, caiu de 0,40% para 0,39%.
         Para 2018, a projeção para o crescimento do PIB foi reduzida pela quinta vez consecutiva, de 2,20% para 2,10%. Essas estimativas são do boletim Focus, uma publicação elaborada todas as semanas pelo Banco Central sobre os principais indicadores econômicos.
        A projeção para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu pela quarta vez seguida, ao passar de 3,64% para 3,48%, este ano. Para 2018, a estimativa caiu de 4,33% para 4,30% no terceiro ajuste consecutivo. As projeções permanecem abaixo do centro da meta de inflação, que é 4,5%.
         Para as instituições financeiras, a taxa Selic encerrará 2017 e 2018 em 8,5% ao ano. Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano. A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando  o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.(imagem: sede do Banco Central, em Brasília)

Imbituba vence concorrência para integrar grupo de terminais da AL que opera navios de contêineres do mercado asiático

         O Porto de Imbituba, no Sul de Santa Catarina, venceu na última sexta-feira, 23, a concorrência e passou a fazer parte do grupo de terminais da América Latina que recebe navios de contêineres do mercado asiático. A previsão é de que os primeiros embarques iniciem em agosto. “Pesou para esta decisão o fato de a cidade abrigar o porto público  com maior profundidade das regiões Sul e Sudeste do Brasil e oferecer condições climáticas favoráveis para a continuidade das operações.”, informou a assessoria de imprensa do complexo local.
         Situado em uma enseada de mar aberto, protegido de ventos e ressacas, o Porto de Imbituba é administrado pela SCPar Porto de Imbituba S.A, após delegação do governo federal para o governo de Santa Catarina. Atualmente movimenta granéis sólidos e líquidos, congelados, contêineres e carga geral, contando com três berços de atracação.
        O Canal de Acesso atinge a profundidade de 17 metros. A Bacia de Evolução tem calado de 15,50m. A área entre-berços alcança calado de 15,50. Os Berços 1 e 2 chegam a calados de 14,50 e os berço 03, a 11,50 metros. O porto está apto a atender, principalmente, o escoamento de cargas dos três estados da região Sul, com influência direta em todo o Mercosul.

Aumento no consumo de alimentos na China provoca expansão da produção de soja e carne nos EUA

         Os campos em torno da cidade de Mohall, na Dakota do Norte, até recentemente eram uma colagem de linho azul, girassóis de um amarelo intenso e trigo da cor do âmbar. Mas hoje, muitos deles mostram um tom verde uniforme, no pico do crescimento da safra de verão deste ano. A nova paisagem se deve a agricultores como Eric Moberg, cuja semeadeira pneumática plantou milhares de hectares de soja no segundo trimestre. "Há quatro anos, não cultivávamos soja. Agora ela ocupa quase um terço de nossas terras".
         O território no qual ele trabalha, uma planície exposta ao vento na divisa entre os Estados Unidos e o Canadá, representa uma fronteira no suprimento mundial de alimentos. A Ásia emergente está comendo mais carne de frango e de porco, e a soja que confere músculos às aves e suínos se espalhou pelas fazendas do planeta em ritmo mais rápido que o de qualquer outra safra, cobrindo área 28% maior do que a ocupada uma década atrás.
         Este ano pode ser o ponto de inflexão. Com o plantio quase completo, é provável que a soja tenha superado o milho como safra mais plantada dos Estados Unidos, acreditam os analistas. A soja avançou profundamente pelo interior do cerrado brasileiro, pelos pampas argentinos e pelo coração rural dos Estados Unidos. As safras vêm sendo grandes o suficiente para causar efeito mensurável nas economias do Brasil e dos Estados Unidos, no ano passado. Nos próximos 10 anos, a soja terá área plantada superior a um bilhão de hectares (10 milhões de quilômetros quadrados) em todo o mundo, com expansão maior que a cevada, milho, arroz, sorgo e trigo, de acordo com projeções do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos.
         O triunfo da soja depende da China. As importações da safra pelo país triplicaram nos 10 últimos anos, para um total estimado em 93 milhões de toneladas no ano que vem, o equivalente a 66 quilos de soja por habitante/ano, ou cinco graneleiros ao dia. Delegados do Ministério do Comércio chinês visitarão o Estado norte-americano de Iowa, rico em soja, no mês que vem, para assinar um acordo que pode incluir uma compra recorde, de acordo com o Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos.
         Os embarques aumentaram mesmo em um período de oscilação na demanda chinesa por commodities industriais como o minério de ferro e o cobre. "O ritmo de crescimento vem sendo fenomenal, e continuado", diz Gert-Jan van den Akker, diretor de cadeia de suprimento agrícola na Cargill, uma companhia de comércio de commodities alimentícias.
         A demanda mundial por produtos básicos como o trigo vem crescendo em paralelo ao crescimento populacional de 1% ao ano. O consumo de soja vem se acelerando ao ritmo de 5% anuais —-superando até mesmo o do milho, o maior beneficiário do agressivo programa norte-americano de desenvolvimento de biocombustíveis.
         Qualquer pessoa que faça compras no supermercado sabe que a soja é um produto versátil, fonte de tofu e de óleo de cozinha. O agribusiness transformou seus grãos em bens como tinta, carpetes e biodiesel. Mas a imensa popularidade da planta da soja se deve ao seu teor de proteína sem paralelos. Quando moída, cerca de 80% da soja se converte em farelo, e as galinhas, porcos e peixes alimentados com ele engordam rápido.
          "É a única proteína real que tem todos os aminoácidos essenciais para uma ração completa. Essa é a magia da soja", dize Soren Schroder, presidente-executivo da Bunge, maior processadora mundial de sementes oleaginosas. O farelo de soja sustenta os setores de carne nos Estados Unidos, Brasil, Europa e no resto do planeta. Mercados emergentes no Sudeste Asiático e no Oriente Médio devem elevar ainda mais o consumo do produto, dizem executivos. Mas a transição na dieta da China vem sendo o principal propulsor de crescimento. O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos projeta que a China venha a importar 121 milhões de toneladas de soja ao ano, dentro de uma década, mais de 30% acima do total atual.
         Em 1989, quando a primeira filial do Kentucky Fried Chicken em Xangai foi aberta no local de um antigo clube para cavalheiros britânicos no Bund, o distrito comercial da cidade, à beira-rio, o consumidor chinês médio comia 20 quilos de carne ao ano. Depois de quase três décadas de avanço na renda pessoal, o consumo per capita de carne ultrapassou os 50 quilos anuais.
          O KFC agora opera mais de cinco mil lojas na China e abrirá centenas de novas unidades no país este ano. O restaurante do Bund se mudou para um endereço menos fino, mas em uma visita vespertina recente à nova casa não havia um assento vazio, e os fregueses estavam todos ocupados devorando sanduíches e porções de carne de frango. "Tudo vende bem aqui", disse o garçom Wang Shuai.
         Um fator que reforça a tendência é o crescimento da população urbana chinesa, da ordem de 20 milhões de pessoas ao ano, um ritmo superior ao do crescimento médio da China, porque os moradores de cidades tendem a comer mais carne. "Comemos carne todos os dias. É quase um exagero", diz Ahmat Barat, 41, taxista em Urumqi, a capital da região de Xinjiang, no noroeste da China. "Quando eu era menino, não tínhamos geladeira em casa e só comíamos carne uma ou duas vezes por semana".
         Para satisfazer esse apetite, o setor de criação de animais da China emergiu de pequenas operações "caseiras", nas quais porcos eram alimentados com sobras de comida, para se tornar uma operação industrial. Dados do Ministério da Agricultura chinês citados por diplomatas norte-americanos demonstram que as granjas que criam galinhas em larga escala cresceram de dois terços para mais de 90% das unidades do setor na China, e que a criação de porcos em larga escala avançou de 16% do setor em 2005 para um total estimado em 50% em 2015. A Cargill, por exemplo, construiu um centro de criação de frangos de US$ 360 milhões na província de Anhui, capaz de processar 65 milhões de galinhas por ano.
       Companhias criadas para fornecer alimentação a esses animais geraram fortunas para magnatas chineses como Bao Hongxing, presidente-executivo do Twins Group, o maior produtor chinês de ração suína, cujo patrimônio é estimado em US$ 1,8 bilhão. Refletindo a alta nas vendas, o contrato futuro de farelo de soja da bolsa de commodities da cidade de Dalian se tornou o instrumento futuro mais negociado nos mercados mundiais de futuros agrícolas.
         A China pode ser a terra natal da soja, mas as safras do país raramente ultrapassam os 15 milhões de toneladas anuais. O custo de produção da safra doméstica é mais alto que o da soja importada, e por isso a demanda é sustentada primordialmente por uma proibição de uso de soja geneticamente modificada em alimentos de consumo diário.
         A restrição não se aplica à soja usada para ração animal e para a produção de óleo de cozinha, e por isso os insumos usados nessas atividades hoje vêm principalmente de safras estrangeiras com traços alterados por bioengenharia para, por exemplo, promover maior resistência a pesticidas. Os líderes da China abriram as portas à importação de soja embora tenham mantido a política de autossuficiência na produção de cereais de consumo básico.
        Em resposta, as empresas estão construindo uma cadeia de produção internacional cada vez mais elaborada para a soja. A Cargill, em parceria com o grupo chinês New Hope, inaugurou em abril uma usina de moagem de soja de US$ 100 milhões, em um porto perto de Pequim. Do lado oposto do Pacífico, a United Grain recentemente investiu US$ 80 milhões para transportar soja e milho por meio de seu terminal de exportação no rio Colúmbia, no Estado norte-americano de Washington."Enviamos cinco navios por mês transportando exclusivamente soja", e eles "tipicamente vão para a China", diz Brent Roberts, da United Grains, subsidiária da Mitsui, do Japão.
         Mais de 1,5 mil quilômetros ao leste, em Lansford, Dakota do Norte, a cooperativa de grãos CHS SunPrairie, presidida por Moberg, está construindo um ramal ferroviário que permitirá que trens transportem a safra local sem paradas, direto para a costa do Pacífico. "Sei que boa parte da carga é embarcada lá e parte direto para a China", disse Moberg, com os jeans enlameados depois de um dia de trabalho na plantação.
         Os agricultores norte-americanos estão muito cientes da importância do comércio com a China. Depois que Donald Trump foi eleito presidente com uma plataforma protecionista, o "Global Times", um jornal estatal chinês em Pequim, alertou que "as importações de soja e milho dos Estados Unidos serão suspensas" caso o novo governo norte-americano cumpra sua ameaça de impor tarifas punitivas às importações chinesas.
         O relacionamento entre Washington e Pequim se provou mais amistoso do que era esperado, até o momento, e os executivos do setor, dos dois lados do Pacífico, não mostram sinais de alarme. O embaixador de Trump à China é Terry Branstad, antigo governador do Iowa, um Estado agrícola.
         "Não vejo como eles poderiam deixar de comprar nossos produtos", disse Dusty Lodoen, agricultor em Westhope, Dakota do Norte, que visitou a China como parte de uma delegação norte-americana. Os agricultores norte-americanos vêm perdendo mercado para rivais da América do Sul, no entanto. No ano passado, o Brasil supriu mais de metade das importações de soja da China, os Estados Unidos 35% e a Argentina 10%, de acordo com o adido agrícola dos Estados Unidos em Pequim. A Conab, agência brasileira de estatísticas agrícolas, diz que a safra do país este ano foi de vigorosos 114 milhões de toneladas.
         A soja transformou o cerrado em torno de Sorriso, uma cidade no Estado do Mato Grosso cuja população disparou de 17 mil para 83 mil habitantes, em 25 anos. "A soja é o carro-chefe, o motor de Sorriso. Nossos agricultores são verdadeiros heróis nacionais", diz o prefeito Ari Laftin. Sorriso só se estabeleceu como cidade em 1986, cerca de uma década depois que "colonos", em sua maioria descendentes de italianos, transformaram as terras brutas em fazendas como parte de um projeto de colonização da Amazônia. "Não havia ruas asfaltadas, telefones, eletricidade", recorda Rodrigo Pozzobon, o delegado local da Aprosoja, uma cooperativa de plantadores de soja.
         Agora, agricultores fazem jogging no parque, sob um sol escaldante, tocam mensagens de WhatsApp com o ministro da Agricultura brasileiro Blairo Maggi - ele mesmo um bilionário da soja-, dirigem Land Rovers, usam relógios de marca, e desafiam a pior recessão na história do país. De acordo com o IBGE, a renda per capita de Sorriso dobrou, de R$ 27.569 em 2010 para R$ 57.087 no ano passado, e é uma das mais altas do Brasil.
         Na safra de 2017, os 2,23 milhões de toneladas produzidos pelos agricultores de Sorriso fizeram da cidade a maior produtora do Brasil. "Nosso maior mercado é a China", diz Pozzobon. Pedro Dejneka, da consultoria MD Commodities, diz que Sorriso e a cidade vizinha, Sinop, costumavam representar a ponta norte do setor da soja. Agora são a "fronteira sul", ele diz. E a despeito do excedente de grãos em todo o planeta, a área cultivada da soja deve se expandir dramaticamente no Brasil e Argentina, nos próximos 10 anos, o que inclui a ocupação de "terras não cultivadas", de acordo com o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos.
         Isso causa consternação quanto ao cerrado, a área que absorverá a maior parte das novas plantações no Brasil. Embora a Amazônia tenha sido protegida contra mais desmatamento para produção de soja por uma "moratória da soja" assinada pelo setor agrícola e o governo em 2006, o pacto não cobre o cerrado. Ativistas ecológicos vêm pressionando o Brasil para incluir o cerrado na moratória, e também pressionam tradings internacionais como a Bunge e a Cargill para que assumam o compromisso de não comprar soja produzida em terras recentemente convertidas ao uso agrícola.
         Glenn Hurowitz, do grupo ambientalista Mighty, diz que embora gado, papel e óleo de palma sejam forças de desflorestamento, "vemos oportunidade imediata de reduzir dramaticamente o desflorestamento para produção de soja devido à natureza internacional do mercado da soja". A Bunge e a Cargill apoiam a moratória e se comprometeram a eliminar produtos de áreas desflorestadas de suas cadeias de suprimento. As empresas, ONGs e agricultores estão discutindo se a soja deve ou não ser incluída nas restrições. "A definição do que está e não está proibido causa muito debate, como você pode imaginar", disse Schroder, da Bunge.
         Os preços recentes da soja estão bem abaixo dos picos de alguns anos atrás, graças a uma sucessão de boas safras na América do Norte e na América do Sul. Mas isso não reduziu o plantio de novas áreas. "Por anos e anos", disse o agricultor norte-americano Guy Solemsaas, entrevistado durante uma visita a um ocupado comerciante de sementes de Mohall, "a demanda vem sendo simplesmente incrível".
         A Dakota do Norte, um Estado remoto e desprovido de acesso ao mar, é o mais frio da região contígua dos Estados Unidos. Isso historicamente o tornava inapropriado para o plantio da soja, que prospera em condições quentes e de alta umidade. Mas a tecnologia, as forças de mercado e a mudança do clima alteraram esse panorama. Companhias de sementes como a Monsanto criaram variedades que resistem à temporada curta de crescimento da região e aproveitam as longas horas de luz solar durante o verão.
         A ascensão da China como destinatária de soja favorece locais como a Dakota do Norte, relativamente próximo dos portos da costa do Pacífico por meio das ferrovias BNSF e Canadian Pacific. "Estamos a apenas três semanas da China", diz Nancy Johnson, da Associação de Plantadores de Soja da Dakota do Norte. O Estado também se tornou mais chuvoso, apesar da seca deste ano. Isso elevou o rendimento das safras e reabasteceu de água seus atoleiros glaciais, gerando um habitat melhor para os pássaros. Os ataques de pássaros a plantações de girassóis levaram os agricultores a optar pela soja, cujas sementes ficam protegidas por uma casca, como semente oleaginosa de cultivo mais seguro.
         A Dakota do Norte vem passando por aquecimento mais rápido do que o de qualquer outro Estado norte-americano, diz Adnan Akyüz, o climatologista do Estado. "O clima está dando mais oportunidade ao agricultor da Dakota do Norte para sair de sua zona de conforto e começar a plantar safras usualmente plantadas mais ao sul". Executivos locais de agricultura concordam, ainda que divirjam sobre a causa. "A área de geada está recuando mais e mais, agora", diz Jeff Kittell, diretor comercial de um silo da Borger Ag & Energy em Russell. "Não sou grande fã do aquecimento global. Mas é o que temos. E está resultando em maior cultivo de soja". (Fonte: FSP)