Ao longo do tempo temos acompanhado o
noticiário sobre as principais mercadorias de exportação do Brasil. A primeira
da pauta é sempre reverenciada. Soja, café, avião, minério de ferro, petróleo,
veículos, etc, enfim, há vários produtos para isso.
Somos os primeiros colocados no mundo em
alguns mercadorias, e em 2003 tomamos a liderança das exportações de frango,
carne bovina e soja.
Essas mercadorias trazem divisas e geram
empregos, o que é muito bom para o país. Mas a grande questão é que o aumento
nas suas vendas não têm gerado os empregos necessários à diminuição do
desemprego no país. Isso voltou a ocorrer em 2003, com a exportação crescendo
25% e, no entanto, o emprego não acompanhou a explosão da área.
Vamos ter que continuar fazendo um esforço
exportador cada vez maior de modo a que a atividade gere o crescimento
necessário. E Parece que, finalmente, estamos no caminho correto. Esperamos que
não seja apenas mais uma estilingada temporária. Desejamos que esse esforço não
se arrefeça com uma possível retomada do crescimento econômico. Já temos
experiência de desvio de atenção do comércio exterior para o mercado interno, o
que não foi bom.
No entanto, o país tem um produto de
exportação para o qual não se tem dado a devida atenção. Aliás, há muita gente
que nem pensa nessa possibilidade como concreta e de grande utilidade.
Colocamos à discussão uma idéia, nada
nova para muitos, que julgamos possa ser a redenção da economia nacional.
Melhor que qualquer mercadoria que se queira privilegiar. Estamos falando do
turismo, que pode até pagar a divida externa brasileira em poucos anos. Bem
como gerar os empregos necessários ao país.
O Brasil é um país com sol praticamente o
ano todo. Está ligado ao mundo por meio de transportes e comunicações de todos
os tipos. Vir ao país é uma tarefa que não requer prática nem habilidade.
Ficamos pensando, e não entendemos
direito, por que o país não faz um esforço para atrair turistas. O país recebe
atualmente, pelo que se lê na grande imprensa, alguma coisa como 4 milhões de
turistas. A França recebe, de acordo com o noticiário, cerca de 70 milhões de
turistas por ano, enquanto a Espanha recepciona 60 milhões de pessoas. Somente
a cidade Grega de Atenas é agraciada com 10 milhões de estrangeiros. A
Argentina recebe mais turistas do que o nosso país.
Poder-se-ia pensar no que eles tem que
nós não temos, e explicar a diferença. São cidades famosas e históricas, como é
o caso de Atenas, Roma e outras. Isso, evidentemente, não explica, pois as
pessoas não querem ver ou visitar apenas cidades assim.
O Brasil é um país maravilhoso do ponto
de vista físico e tem belezas naturais extraordinárias. Temos algumas das mais
belas praias do mundo, assim como a maior floresta, um belo pantanal, etc. Há
muito que se ver no Brasil.
Pode-se perguntar então qual é o grande
problema. Na realidade temos muitos grandes problemas. O turista não encontra a
segurança ideal para visitar o país. Não há tanta gente que fale alguns idiomas
estrangeiros que possa colocar o turista à vontade e auxiliá-lo. Nem sempre o
turista é reverenciado da maneira que merece, e todos devem sê-lo se trazem ao
país as divisas necessárias à sua sobrevivência.
É preciso investir especificamente para o
turismo, em especial em segurança, de modo que se garanta ao turista um retorno
são e salvo e que não morrerá em suas férias.
Não temos visto ao longo da nossa
história um esforço de vendas do país no exterior. Quando já se fez um grande
exposição de fotos para mostrar, por exemplo, as praias brasileiras de modo a deixar
o turista com água na boca?
O governo já pensou em afretar um avião
para 100 passageiros, colocando dentro e enviando para a Europa uma ala
atraente de alguma escola de samba para mostrar o que temos? Que tal um desfile
em cada capital européia, e dizer ao turista que aquilo representa menos de 5%
de uma escola de samba?
Quais seriam os efeitos de aumento do
turismo? O que ocorreria se criássemos as condições para o recebimento de
diversos milhões de turistas por ano? Ainda que abaixo do que recebem os países
europeus citados? Será que haveria alguma dificuldade para um país bonito e
cheio de atrativos como o nosso, atrair, por exemplo, meros 50 milhões de
turistas?
Suponha-se um turista passando em média
15 dias no Brasil e gastando aqui cerca de US$.1,000.00 nesse período. Isso
representaria uma entrada em divisas de 50 bilhões de dólares norte americanos.
Seria suficiente para uma reversão da
nossa balança de serviços e balanço de pagamentos, e não dependermos mais de
nenhum organismo internacional. Nem sujeição a qualquer política econômica
determinada de fora. Em especial dos países mais desenvolvidos, muito comum em
relação aos países periféricos, o que também somos.
Em poucos anos pagaríamos nossa dívida
externa e teríamos todas as condições de termos um crescimento sustentado. Nada
cria mais empregos do que o setor de serviços, e o turismo é um dos maiores
criadores de emprego, que é o que precisamos.
O que falta para isso? No nosso entender apenas
uma visão prática, de futuro e, em especial vontade política. (Artigo: Samir Keedi)
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