O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, advertiu, nesta
sexta-feira (12), ao ministro da Aviação Civil, Guilherme Ramalho, em
audiência em Brasília, que a concessão do Aeroporto Internacional
Salgado Filho só interessa se incluir a ampliação da pista. A obra, elevando a extensão dos atuais 2,180 metros para 3,190
metros, depende da retirada de famílias das vilas do entorno.
No
encontro, Fortunati discutiu as condições para repassar o Salgado Filho à
iniciativa privada e esclareceu "alguns pontos que ainda estavam
nebulosos sobre a concessão", segundo ele. A liberação de verbas é
fundamental. O prefeito disse que tem
duas preocupações em relação ao tema: a questão social - priorizando a
remoção das famílias que ainda estão localizadas em áreas das vilas
Dique, Nazaré e Floresta, e a importância da ampliação para a concessão
do aeroporto.
"Sem a ampliação da pista, o aeroporto pode seguir muito
bem no controle da Infraero", condicionou o prefeito. Conforme ele, o edital da futura concessão já prevê a
obrigatoriedade da empresa vencedora em fazer a ampliação da pista. É
prevista multa no valor da implantação da nova extensão, caso o
concessionário não cumpra a exigência.
A remoção depende de repasses de verbas federais para a construção
das moradias. O valor seria de R$ 90 milhões. Ainda falta retirar 554
famílias da Dique, 364 da Nazaré e 22 da Floresta. O Loteamento Marista,
para onde serão transferidas as famílias da Vila Nazaré, está com toda a
infraestrutura concluída e com o contrato da empresa vencedora da
licitação assinado com a Caixa Econômica Federal, aguardando somente a
ordem de início.
Segundo Fortunati, Ramalho teria se comprometido a marcar, "para o
mais breve possível", uma reunião com o ministro da Fazenda, Nelson
Barbosa, para debater a liberação de recursos para início das obras. O
governo federal tem contingenciado recursos devido ao ajuste fiscal.
A ampliação da pista de pousos e decolagens do Salgado Filho consta
no Plano Diretor Aeroportuário da Capital há mais de 30 anos. Em abril
do ano passado, a presidente Dilma Rousseff garantiu que a União iria
bancar a ampliação da pista, com ou sem a concessão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário