O Ano Novo Lunar, que este ano cai em 17 de fevereiro, normalmente marca um período de aumento da demanda e pressão ascendente sobre as taxas de frete. No entanto, este ano, as tendências nas principais rotas do Extremo Oriente para a Europa e os Estados Unidos estão complicando a gestão de custos e a resiliência da cadeia de suprimentos para empresas de logística e compras.
Especificamente, de acordo com os dados da Xeneta, as companhias de navegação superestimaram o aumento da demanda pré-feriado, já que a demanda não está acompanhando a capacidade disponível. Estratégia Tradicional das Companhias de Navegação A estratégia típica das companhias de navegação é oferecer ampla capacidade para absorver o aumento do volume de carga nas semanas que antecedem o feriado e, em seguida, cancelar diversas viagens nas semanas seguintes.
Entre o Extremo Oriente e a Europa, os dados da Xeneta mostram um claro aumento na capacidade disponível durante janeiro. Para o Mediterrâneo, a capacidade média ultrapassou 200.000 TEUs no início de fevereiro, o nível mais alto desde junho de 2024. Para o Norte da Europa, a capacidade atingiu 326.400 TEUs. Em comparação com a capacidade máxima anterior ao Ano Novo Lunar de 2025, isso representa um aumento de 7% para o Mediterrâneo e de 5% para o Norte da Europa.
A demanda não está acompanhando a oferta. Os números sugerem que as companhias de navegação superestimaram o aumento da demanda antes do feriado. As taxas spot médias do Extremo Oriente para o Norte da Europa caíram 17% desde o início do ano, estabilizando-se em US$ 2.350 por FEU. Para o Mediterrâneo, a queda chega a 26%, com taxas de US$ 3.580 por FEU. É preocupante para as companhias de navegação não conseguirem manter as taxas durante um mês tradicionalmente forte, o que sugere que a demanda não está acompanhando a capacidade disponível.
A situação é ainda mais complexa para os serviços para os Estados Unidos. Apesar de não terem aumentado a capacidade no mesmo nível que nas rotas para a Europa, as taxas spot caíram 34% para a Costa Oeste dos EUA e 29% para a Costa Leste, estabilizando-se em US$ 1.520 e US$ 2.340 por FEU, respectivamente. Isso demonstra uma contração significativa na demanda na rota transpacífica, mesmo às vésperas do Ano Novo Lunar. Em comparação com o mesmo período do ano passado, as taxas spot do Extremo Oriente para a Costa Oeste dos EUA caíram 63%, o equivalente a uma economia de US$ 2.590 por FEU. As taxas para a Costa Leste também caíram 63%, representando uma economia de US$ 2.980 por FEU em comparação com a média de 12 meses atrás. Vale ressaltar que, mesmo sem aumentos significativos de capacidade, as companhias de navegação não conseguiram equilibrar oferta e demanda para sustentar as taxas, em um contexto que está longe de ser um ano "normal", considerando os efeitos tarifários herdados de 2025 e a potencial reativação dos trânsitos pelo Mar Vermelho.
Próximos passos: cancelamentos de viagens Os dados da Xeneta indicam que os proprietários de carga podem obter vantagem nas negociações de novos contratos. No entanto, as companhias de navegação não permanecerão passivas diante da queda das taxas e responderão com uma gestão de capacidade mais agressiva, o que pode gerar riscos operacionais e de resiliência na cadeia logística. As companhias de navegação já anunciaram inúmeros cancelamentos de itinerários (viagens em branco) nas semanas seguintes ao Ano Novo Lunar para evitar novas quedas nas tarifas em um contexto de demanda enfraquecida.
Do Extremo Oriente à Costa Oeste dos EUA, já foram anunciados cancelamentos de 155.400 TEUs para a semana imediatamente posterior ao feriado e outros 130.300 TEUs para a primeira semana de março. Esses cancelamentos reduzirão a capacidade nessa rota para menos de 200.000 TEUs na semana que começa em 2 de março, o nível mais baixo em quase dois anos, ainda menor do que o observado após o anúncio de tarifas generalizadas em abril do ano passado. Para o Norte da Europa, espera-se que os cancelamentos atinjam o pico na última semana de fevereiro, com 135.800 TEUs já retirados de serviço.
No Mediterrâneo, o pico é esperado na segunda semana de março, com 56.100 TEUs cancelados. Nesse contexto, os proprietários de cargas enfrentam tanto riscos quanto oportunidades. Se as empresas de transporte marítimo se basearem exclusivamente na experiência passada para definir as metas de frete, poderão perder oportunidades de economias significativas. Ao mesmo tempo, a queda nas tarifas poderá ter efeitos operacionais caso as companhias de transporte intensifiquem o controle da capacidade por meio de cancelamentos.

