quarta-feira, 18 de março de 2026

Portos RS participa de reunião sobre projeto da Rota Portuária do Sul


A Portos RS participou, nesta semana, de uma reunião técnica e de audiência pública relacionadas ao projeto da Rota Portuária do Sul, conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A iniciativa integra o processo de construção da nova concessão rodoviária das BR-116 e BR-392.

No período da manhã, foi realizada uma reunião técnica na sede da Portos RS, reunindo o presidente Cristiano Klinger, o diretor de Operações Bruno Almeida e o gerente de Planejamento e Desenvolvimento Fernando Estima, o vereador e presidente da Comissão Portuária Luka Figueiredo, além de representantes da COOTRACAM e técnicos da ANTT e da Infra S.A., entre eles o superintendente de Concessão da Infraestrutura, Marcelo Fonseca, o ouvidor Tales Cavalcante, o gerente de Estudos e Projetos de Rodovias, Stéphane Quebaud, e demais representantes da área técnica.

Durante a reunião, foram apresentados e discutidos pontos técnicos do projeto, que prevê cerca de R$ 6,1 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos de concessão, abrangendo aproximadamente 460 quilômetros de rodovias estratégicas para a região sul do Estado. Entre as propostas estão melhorias na infraestrutura, ampliação de capacidade, qualificação da segurança viária e modernização dos serviços aos usuários, incluindo a implementação de sistemas como o free flow.

As contribuições da Portos RS tiveram como foco a integração entre a malha rodoviária e o sistema portuário, considerando o papel estratégico das rodovias BR-116 e BR-392 no acesso ao complexo portuário do Rio Grande e no escoamento da produção.

Para o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, o alinhamento técnico é fundamental para garantir um projeto mais eficiente. ¿Estamos tratando de um eixo logístico essencial para o Estado. A qualificação dessas rodovias impacta diretamente a competitividade do porto e de toda a cadeia produtiva¿, destacou.

O gerente de Planejamento e Desenvolvimento, Fernando Estima, ressaltou o caráter técnico da agenda. ¿Foi um momento importante para apresentar nossas contribuições de forma estruturada, abordando projetos, demandas e oportunidades de melhoria, qualificando ainda mais o debate¿, afirmou.

No período da tarde, as propostas foram levadas à audiência pública realizada em Pelotas, intitulada 3ª Audiência Pública para Debater a Nova Concessão dos Pedágios da Zona Sul, integrando o processo de participação social e institucional conduzido pela ANTT. A sessão foi conduzida pelo superintendente de Concessão da Infraestrutura da ANTT, Marcelo Fonseca, que presidiu a mesa, e contou com a presença do ouvidor da ANTT, Tales Cavalcante, do gerente de Estudos e Projetos de Rodovias da Agência, Stéphane Quebaud, do coordenador de Estudos e Projetos de Rodovias, Nilson Correa Gonze, e da representante da Infra S.A., Bruna Bizinelli.

A iniciativa busca consolidar um modelo de concessão que promova eficiência logística, desenvolvimento regional e melhores condições de trafegabilidade para usuários e operadores, com escuta ativa de todos que utilizam a malha rodoviária.

 


terça-feira, 10 de março de 2026

China convoca Maersk e MSC para tratar das operações em meio a tensões nos portos do Panamá


 

O Ministério dos Transportes da China convocou a Maersk e a MSC para discutir questões relacionadas às "operações de transporte marítimo internacional", em meio às tensões em torno do controle portuário no Panamá e ao conflito em curso no Oriente Médio, segundo reportagem do South China Morning Post. O anúncio foi feito em um breve comunicado publicado no site do ministério.

O comunicado não forneceu mais detalhes sobre o conteúdo da reunião, embora, no contexto administrativo chinês, tais convocações possam ser interpretadas como um sinal de alerta para as empresas envolvidas. A convocação ocorre em um contexto de diversos fatores geopolíticos que impactaram operadores portuários e empresas de transporte marítimo.

Entre eles, está a situação no Panamá, onde, no final de fevereiro, as autoridades do país transferiram temporariamente o controle de dois terminais portuários para subsidiárias da Maersk e da MSC. Os terminais de Balboa e Cristóbal, localizados em extremidades opostas do Canal do Panamá, eram anteriormente operados pela Panama Ports Company (PPC), uma subsidiária da holding CK Hutchison, com sede em Hong Kong.

A decisão das autoridades panamenhas ocorreu após uma sentença judicial que declarou inconstitucional a concessão portuária outorgada na década de 1990. Na sequência dessa medida, a CK Hutchison iniciou uma ação judicial contra o governo panamenho por assumir o controle dos portos, classificando a decisão como “ilegal”, segundo um comunicado divulgado pela empresa.

Posteriormente, o governo chinês indicou que “protegerá resolutamente os direitos e interesses legítimos de suas empresas”. Ao serem contatadas pelo SCMP, tanto a Maersk quanto a MSC afirmaram não ter comentários ou informações adicionais a fornecer sobre o assunto.

sábado, 7 de março de 2026

Conflito no Oriente Médio impacta no transporte marítimo de contêineres


 

A guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã começa a afetar o transporte marítimo de contêineres, com impactos visíveis na segurança da navegação, nas decisões operacionais das empresas de transporte e no mercado de seguros marítimos. Embora, por ora, as interrupções estejam concentradas principalmente na região, analistas alertam que elas podem se espalhar caso o conflito continue. Uma das principais áreas de preocupação é o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio marítimo global. Segundo dados compilados pela Bloomberg, o tráfego por essa hidrovia diminuiu drasticamente desde o início das hostilidades.

Na terça-feira, apenas dois navios graneleiros e um pequeno navio porta-contêineres foram observados atravessando o estreito, todos saindo do Golfo Pérsico e nenhum entrando. O monitoramento do tráfego marítimo também se tornou mais complexo devido à interferência eletrônica. De fato, "a área mergulhou em uma espécie de névoa digital", resultado da interferência de sinal e da desativação de transponders de posicionamento, o que dificulta o monitoramento preciso da rota das embarcações. Para agravar a situação operacional, há a deterioração das condições de segurança para as tripulações. Um navio porta-contentores com capacidade aproximada de 1.700 TEUs, o “Safeen Prestige” (na foto), foi atacado enquanto transitava pelo estreito, causando um incêndio na casa de máquinas e forçando a tripulação a evacuar.

 O grupo UK Maritime Trade Operations informou que a embarcação foi atingida por “um projétil desconhecido logo acima da linha de água”, embora não tenham sido relatados feridos ou impactos ambientais. O incidente soma-se a uma série de ataques recentes a navios na região. O analista da indústria marítima Lars Jensen destaca que “um petroleiro foi atingido por um drone kamikaze, elevando o número de embarcações atingidas até o momento para seis petroleiros e um porta-contentores”. Impacto nas Operações Judah Levine, chefe de pesquisa da Freightos, observou que os ataques e represálias na região estão causando “significativas interrupções logísticas” que podem piorar se o conflito continuar. Entre os primeiros sinais está a suspensão temporária das operações no Porto de Jebel Ali, em Dubai, o maior terminal de contêineres do Oriente Médio, após um projétil ter provocado um incêndio no fim de semana. Embora o porto tenha retomado as operações na segunda-feira, a situação gerou incerteza para o comércio regional. Em resposta aos riscos, diversas companhias de navegação começaram a modificar suas operações.

Segundo Levine, “com o estreito fechado e os riscos de segurança na região, as principais transportadoras estão desviando navios, cancelando itinerários e suspendendo novas reservas”. Essas decisões já estão causando atrasos para cargas destinadas ao Golfo ou com origem na região. “Os cancelamentos de voos significam que os contêineres destinados à região do Golfo já estão começando a se acumular e ameaçam causar congestionamento nos terminais de contêineres na Índia”, explicou ele. Além disso, alguns contêineres que já estavam em trânsito estão sendo redirecionados para outros centros de transbordo na Ásia. A maior parte do volume, indicou o analista, provavelmente será descarregada em grandes centros do Extremo Oriente, como Singapura, Malásia ou Sri Lanka.

 No entanto, Levine observou que o Estreito de Ormuz movimenta apenas “cerca de 2% ou 3% do volume global de contêineres”, mas alertou que “quanto mais tempo o conflito continuar, mais disruptivo ele será e mais amplamente será sentido”. Impacto no Mercado de Seguros Inicialmente, foi noticiado que algumas apólices de seguro de guerra estavam sendo canceladas para trânsitos pelo Estreito de Ormuz, o que gerou incerteza entre os armadores. Contudo, associações do setor de seguros indicam que o seguro continua disponível, embora a custos mais elevados. A diretora executiva da Lloyd’s Market Association, Sheila Cameron, afirmou: “Entendemos que ofertas de seguro estão sendo feitas para embarcações que desejam transitar pelo Estreito de Ormuz”.

Ela acrescentou que essa cobertura “continuará disponível por meio do Mercado de Seguros de Guerra Marítimos de Londres quando os armadores considerarem seguro para suas embarcações e tripulações”. Mesmo assim, diversos armadores indicaram que o principal obstáculo não é a disponibilidade de seguro, mas o risco para as tripulações. Três armadores consultados indicaram que não estão dispostos a transitar pelo estreito “no clima atual”, independentemente da cobertura disponível. Fretes marítimos De acordo com o Índice Mundial de Contêineres da Drewry, o WCI subiu 3%, para US$ 1.958 por contêiner de 40 pés, impulsionado principalmente por tarifas mais altas nas rotas transpacíficas. Embora essa variação não seja atribuível exclusivamente ao conflito,