Alternativa competitiva no transporte de cargas, com crescimento
contínuo, apesar de um tanto discreto, a cabotagem tem se mostrado há
muito tempo um modal promissor para a extensa costa navegável do Brasil,
que atende os principais municípios, polos industriais e grandes
centros consumidores.
Entre os trunfos amplamente
conhecidos da atividade, estão o custo do frete e dos seguros, a
segurança da carga, a confiabilidade dos prazos, os baixos níveis de
avaria dos produtos, o acompanhamento mais eficiente da rota e a
armazenagem.
Apostando no segmento, a Mercosul Line
investiu R$ 200 milhões na expansão da sua frota para quarto embarcações
e introduziu uma nova rota conhecida como Sling Two – com paradas nos
portos de Buenos Aires (Argentina), Rio Grande (RS), Navegantes (SC),
Santos (SP), Suape (PE), Fortaleza (CE) e Salvador. Além disso, o
serviço que também é internacional liga o mercado Brasil e River Plate
como China e todo o mercado do Sul ao extremo.
“Como
benefícios específicos para a cabotagem, o serviço traz acesso a uma
série de portos com os quais antes nós não tínhamos conexão, como Rio
Grande, Fortaleza e Salvador. No serviço internacional, sem dúvida,
abrem-se as oportunidades de oferecer serviços de River Plate (Buenos
Aires) no futuro, em relação aos feeders que o grupo também tem na
região”, explica Viviane Rodrigues, diretora comercial da Mercosul Line,
salientando que essa é a grande novidade que vai aumentar a capacidade e
a possibilidade de oferecer uma maior gama de serviços para os seus
clientes.
A
executiva destaca que ter um operador atendendo a um número maior de
portos faz com que os custos para os clientes globais e de cabotagem
sejam mais eficientes e competitivos. “Nós temos discutido com alguns
desses clientes que hoje fazem a movimentação de boa parte – se não 100%
– da movimentação em caminhões, e acreditamos sim poder converter isso
para a cabotagem”. Ela define todo trabalho inicial como
“de formiguinha”, e conta que, com a cabotagem, não foi diferente, porém
os esforços já surtem efeitos. “Com o tempo, a gente conseguiu
converter uma série de oportunidades em realidade”, aponta.
Os
serviços da Mercosul já poderão ser usados por clientes que, até então,
não tinham acesso às novas rotas, uma vez que essa cobertura ainda não
era oferecida pela companhia, respeitando a prioridade “aos já de casa”,
segundo a executiva. Viviane Rodrigues salienta, no entanto, que, mesmo
mantendo a prioridade para os clientes ativos, “sem dúvida haverá a
possibilidade de ter novos clientes ou trazer oportunidades de conversão
do modal rodoviário para o marítimo para novos interessados”. E afirma:
“estaremos atentos a essas oportunidades”.
Para o futuro,
Rodrigues comenta que o crescimento do modal continua acontecendo,
mesmo em anos de crise, ou – como brinca –, de dificuldades. “E a gente
continua acreditando nesse mercado, por isso estamos investindo:
acredito que a cabotagem só tem a crescer no país”.
Marco Aurélio Dias, da Frette Logística, levantou uma questão polêmica
acerca da participação do agente de cargas na atividade de cabotagem.
Segundo Dias, os armadores teriam dificuldades em reconhecer o trabalho
Intermediário das agências e têm tratado do avanço da cabotagem de
maneira independente, o que não acontece nas operações de longo curso.
Na
opinião da diretora comercial da Mercosul Line, as divergências
existem, até mesmo entre os próprios operadores. “A Mercosul
especificamente tenta tomar uma posição de isenção em relação aos
extremos. Mas no que tange ao valor que o agente de carga agrega aos
clientes, acreditamos que ele pode realmente ajudar e contribuir para a
cabotagem como um todo”.
Viviane defende não
apenas a demarcação do serviço, a ser prestado por um ou por outro
operador da cadeia, mas sim a qualidade: “a cabotagem tem esse perfil de
porta-a-porta, e nós oferecemos esse serviço também; então sempre que
nós pudermos, com certeza vamos entrar e oferecê-lo com a melhor
qualidade possível”, finaliza. (fonte: Guia Marítimo)
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