O diretor de Comércio da Maersk Line Brasil, João Momesso, disse que o setor portuário precisa se preparar para a chegada de navios
maiores, de modo a otimizar o uso dos recursos aprimorados e garantir
mais eficiência. Na sua avaliação, ao conseguir movimentar mais carga em tempo
menor, toda a cadeia se beneficia, desde o embarcador até o produtor, a
indústria e próprio consumidor.
Neste sentido, ele explicou que a Maersk Line sempre busca renovar a
sua frota e a melhor distribuição e eficiência dos seus navios e rotas
no mundo. "Embora a tendência seja de que os navios maiores comecem a
ser enviados para o Brasil, isso está condicionado à demanda pela carga e
à qualidade e competitividade da infraestrutura", argumentou.
“Assim, o que
precisamos hoje no Brasil é reduzir a burocracia, realizar obras de
dragagem e os investimentos certos tanto nos novos terminais quanto nos
existentes”, destacou o executivo.
Na América
Latina, a Maersk opera navios que vão de 2.500 teus até 13.000 Teus.
Ainda considerando as vantagens que os navios maiores trarão ao comércio
mundial, Momesso garante que as embarcações de grande porte trazem um
impacto positivo para o meio ambiente.
“O Triple-E, da Maersk, por
exemplo, reduz as emissões de CO2 em 35% por container transportado na
rota da Ásia-Europa, sendo muito mais eficiente do que um trem, caminhão
ou avião”, observou o executivo. Com um sistema de recuperação de perda de calor, o navio
economiza até 10% da potência do motor principal, o que equivale ao
consumo anual médio de 5.000 casas europeias.
Momesso lamentou também a escassez de mão de obra qualificada no setor
de navegação, que sofre com uma falta de talentos, embora as grandes
companhias ainda continuem a oferecer planos de carreiras atrativos com
salários competitivos.
“Muitos brasileiros vislumbram carreiras na área
de serviços no Brasil e buscam oportunidades em medicina, advocacia,
mídia ou pedagogia, mas poucos enxergam ou pensam nas possibilidades de
uma profissão no setor marítimo, gerando uma escassez de talentos para
os amadores”, disse ele, reforçando ainda que a área tem oportunidades
que se expandem para diversas partes do mundo.
Apesar de
manter o foco na navegação, com o cenário adverso representado pelas
baixas tarifas de frete, a Maersk Line vem diversificando seus
investimentos para além dos navios. “Por exemplo, a companhia acabou de
comprar 30 mil novas unidades de containers refrigerados, que vão se
somar ao estoque atual para que a empresa continue a oferecer a maior
cobertura (e liderança mundial) no segmento de carga refrigerada. O
Brasil representa um dos cinco mais importantes mercados de carga
refrigerada no mundo, e acreditamos nas oportunidades que a demanda da
China oferece para o setor frigorifico no Brasil”, salientou.
Embora
as exportações brasileiras venham sendo bastante festejadas, há limites
quanto à quantidade de armadores preparados para operarem no país, uma
vez que as tarifas de frete têm se aproximado dos níveis mais baixos
historicamente no mundo todo. “Continuamos a ver um declínio nas
importações no Brasil enquanto o crescimento das exportações brasileiras
está ameaçado”, alertou.
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