quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mendonça de Barros diz que crise brasileira "é mais de natureza humana"

         O ex-ministro e ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), atualmente empresário do setor automobilístico, Luiz Carlos Mendonça de Barros, comparou, durante a feira supermercadista Apas, em São Paulo (SP), as diferenças entre a crise vivida hoje pelo Brasil e a enfrentada pelos Estados Unidos entre o fim de 2008 e boa parte de 2009.
        Para o economista, “a bolha americana foi muito mais vergonhosa do que a nossa, com quebras de bancos, especulação, com ganância, e a consequente necessidade de intervenção governamental”. A alusão foi em referência à quebra do banco de investimentos de Nova York, Lehman Brothers, que declarou concordata em 2008, após perdas bilionárias, marcando a falência do sistema financeiro global.
        “A nossa é um pouco mais ‘de natureza humana’”, ponderou, confiante em que a sociedade brasileira vive um momento economicamente mais brando do que aquele por que passaram os Estados Unidos na crise que já completa sete anos. “Com a inflação caindo, o Banco Central tem espaço para reduzir juros – que já baixaram 2,5% e ainda vão baixar mais –, portanto é necessário trabalhar a ‘gestão da volta’, e ter instrumentos para tal”, previu Mendonça de Barros, que disse vislumbrar o brasileiro como capaz de se restabelecer, mesmo diante do abismo.
         Se os EUA conseguiram, por meio de uma política planejada, sair do momento de crise, resta ao Brasil resolver seus problemas, entre eles uma questão grave de desequilíbrio fiscal e, para 2018, esperar que apareça um líder que governe para os 70% que hoje pertencem ao mercado formal de trabalho”, prognosticou o ex-ministro.
         Segundo ele, é necessário ter em vista a taxa de crescimento do 4º trimestre de 2016, e não perder as oportunidades de voltar a expandir, mas sem exagerar. “Dependendo da eficiência, diria que, em 2018, ainda voltaremos a crescer aos 3% ao ano”, projetou.
         Sobre o desemprego, Mendonça de Barros explicou que, antes de recuperarmos os postos de trabalho, precisamos antes perder o “medo de perder o emprego”. Na sua avaliação, a população empregada corta o consumo por precaução quando está diante de uma crise e, com isso, refreia a economia. "Passada a tempestade, o trabalhador perde o medo e retoma o consumo, voltando a mover a economia para o próximo ciclo de prosperidade", ensinou o ex-ministro no governo Fernando Henrique Cardoso.

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