A greve dos
estivadores no porto de Lisboa, iniciada dia 20 de abril e que deve se estender até 27 de maio, recebeu críticas e alertas de usuários por estar causando problemas às exportações e importações de Portugal. O movimento paredista repercutiu também nos portos de Setúbal e Figueira da Foz. e colocou o complexo marítimo da capital portuguesa na lista negra dos
principais operadores do mercado internacional.
O conflito entre empresas e estivadores dura mais de três anos, sem perspectiva de se chegar a um acordo. Os prejuízos, que já vinham acontecendo pela relação difícil, agravou-se com a paralisação. Cerca de 100 pré-avisos de greve em dez anos marcaram a atividade no terminal lisboeta. Segundo o presidente da Agepor (Associação dos Agentes de Navegação de Portugal), António Belmar Costa, "o contencioso fez com que os terminais portuários da capital perdessem em torno de um terço da atividade que desenvolviam".
O dirigente relatou que não há perspectiva de crescimento. "Ao contrário, a atividade no porto da capital apenas diminuiu e, mesmo com um acordo, pode demorar anos para voltar ao que era. Lisboa perdeu a confiança dos armadores", lamentou Costa.
O diretor-geral da Fipa (Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares), Pedro Queiroz, reforçou as críticas, afirmando que "estes operadores não estão a fornecer cotações de matérias-primas para o mercado português". Alertou ainda que "as que são disponibilizadas apontam para acréscimo de preços que nada têm a ver com os praticados no mercado mundial".
Pesa na decisão dos armadores a soma dos prejuízos que, em dezembro de 2015, levaram alguns armadores a abandonar as operações no porto de Lisboa, para fugirem de outra greve dos estivadores, que entrara em vigor a 14 de novembro. A dinamarquesa Maersk anunciou na época que pretendia abandonar as atividades no porto da capital e a alemã Hapag-Lloyd trocou o porto de Lisboa pelo de Leixões.
Os elevados prejuízos provocados, principalmente à indústria agroalimentar, levaram o governo a impor serviços mínimos. Mas este não é o único foco da preocupação de quem acompanha de perto a situação vivida no complexo lisboeta.
Executivos do setor garantem que "está tudo parado". "Um conteneiro
que chegou no dia 19 de abril foi descarregado apenas na semana passada. E isto
levanta grandes problemas porque, mesmo que os navios sejam desviados
para o porto de Leixões, é preciso ter em conta que ir buscar a
mercadoria vai custar o triplo do que custaria se fosse descarregado no
porto de Lisboa", explicou um operador, que não quis se identificar. "Essa situação afeta tudo e todos e, no fim,
faz com que os produtos fiquem mais caros", acrescentou.
A soja, fundamental para a alimentação animal, já subiu 15%, por causa da triplicação dos custos para
transportar as cargas de Leixões para Lisboa. A situação, além de colocar em causa a credibilidade
de Portugal, cria outros problemas e riscos. Pedro Queiroz
alertou que "já há recusa de alguns países em mandar material para cá porque
não sabem quanto tempo vão ter os navios parados. Navios parados custam
dinheiro. E é necessário não esquecer que mesmo para as empresas que
exportam há problemas. As nossas empresas têm contratos e, se os navios
não carregam, os contratos não são cumpridos. Abandonam Portugal", argumentou o dirigente.
A insatisfação e as greves têm-se multiplicado nos últimos anos. O
principal motivo é a possibilidade de os operadores dos portos incluírem
nas escalas trabalhadores que não fazem parte da Empresa de Trabalho
Portuário. De acordo com a Associação dos Operadores de Lisboa, desde que esta
nova greve começou, cada dia custou, em média, 300 mil euros. Os prejuízos atuais,
elevados, remetem ao que aconteceu em Portugal, em 2012, quando uma greve em vários portos custou cerca de 1,2 mil milhões de euros. O
governo tenta, sem sucesso, fazer as partes envolvidas voltarem a sentar à mesa de
negociações.
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