Os sócios da empresa de sondas Sete
Brasil decidiram realizar uma assembleia em duas semanas para votar se
entram com pedido de recuperação judicial e, ao mesmo tempo, com
processo de indenização contra a Petrobras. As estimativas feitas pelos acionistas é de que o valor da ação ultrapassaria os R$ 20 bilhões.
O assunto foi discutido em uma reunião na sede da companhia no final da semana passada, depois que a Sete recebeu uma carta da Petrobras.
Nela, a estatal afirma que só continuará negociando se a empresa assinar
um documento comprometendo-se a não processá-la futuramente por
possíveis prejuízos.
No plano original, a Sete construiria 28 sondas para a Petrobras. A
encomenda foi cortada para 14. O acordo está "fechado" desde agosto, mas
a estatal coloca dificuldades para não assinar o novo contrato.
Fontes informaram que companhia já estudava a recuperação
judicial para pressionar a Petrobras. Como a Justiça pode entender que a
estatal não é obrigada a manter o contrato com a Sete, os sócios
avaliam entrar também com uma ação indenizatória contra a petroleira. Em uma eventual recuperação judicial, a Sete vai tentar convencer o
juiz de que foi criada como um projeto de governo para retirar o peso do
custo de construção das sondas da Petrobras.
A estatal só alugaria os equipamentos pagando um pouco a mais do que
no mercado internacional como forma de desenvolver a indústria local. O
Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiaria a Sete diretamente. Mas o preço do petróleo despencou, o dinheiro do Banco não saiu e a
Sete foi obrigada a buscar empréstimos em bancos. Hoje sua dívida com
eles é de cerca de R$ 14 bilhões.
A situação piorou porque a empresa foi envolvida na Lava Jato. Os
pagamentos da Petrobras foram represados, e o caixa da Sete está
praticamente esgotado. As mesmas fontes disseram que os sócios acreditam que a Petrobras pretende
estrangular a Sete. Se cancelasse hoje o contrato, a estatal correria o
risco de ser processada por quebrar sua fornecedora.
A saída judicial, no entanto, não é defendida pelos credores da Sete. Eles querem
que as negociações prossigam e aceitam esperar por mais tempo. Para
eles, só a manutenção do projeto poderia garantir que terão de volta o
que emprestaram. Em uma possível recuperação judicial, provavelmente
terão de aceitar um grande desconto –se conseguirem receber alguma
coisa.

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