quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Pesquisa aponta que cobertura dos berços pode ampliar em 15% produtividade nos terminais graneleiros de Santos
Uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Santos (UniSantos) concluiu que a cobertura dos berços de atracação pode ampliar os índices de produtividade dos terminais de granéis sólidos no Porto de Santos em 15 pontos percentuais. O ganho é possível pois, com essas estruturas, embarques e desembarques de mercadorias poderão ser feitos mesmo em períodos de chuva.
A pesquisa acadêmica levou em conta a quantidade e o percentual de horas em que um terminal está em condições de operar (quando há carga e navio para isso) e, também, quando pode movimentar cargas, mas não o faz por causa das intempéries – tanto o açúcar quanto os grãos, se molhados, acabam estragando. Com as coberturas, essa restrição é eliminada e amplia-se a produtividade.
O estudo foi elaborado por três alunas do curso de Engenharia de Produção da UniSantos: Thamires de Andrade Barros, Rosângela de Almeida Correa e Naihara Oliveira dos Santos, orientadas pelo professor José Fontebasso Neto. As estudantes usaram como base as operações de terminais que operam soja, trigo e açúcar no cais santista.
Os dados analisados integram as estatísticas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a estatal que administra o Porto de Santos. Um deles, por exemplo, aponta que os terminais de açúcar ficam 100 dias por ano sem operar devido à chuva. De janeiro a outubro deste ano, 48.4 milhões de toneladas de granéis sólidos vegetais foram embarcados ou desembarcados no cais santista, mas apenas em períodos de estiagem.
“Decidimos estudar problemas recorrentes no Porto de Santos, como a chuva. Em 2013, houve uma série de cancelamentos de embarques porque os terminais não conseguiam suprir a demanda (que era maior do que sua capacidade). Esse ano, então, mostrou sua capacidade real. A partir daí, a gente resolveu estender esse estudo para identificar qual é o limite teórico que esses terminais têm se a chuva não fosse um limitante”, explicou o professor orientador.
Segundo Fontebasso Neto, as alunas analisaram os dados de movimentação e filtraram as principais informações. Em seguida, construíram dois modelos matemáticos. Em um deles, consideraram o tempo total de operação da instalação, incluindo as interrupções. No outro, descontaram o tempo em que ela teve suas operações paralisadas pela chuva.
“Retiramos o tempo em que esses terminais ficavam parados por conta da chuva e comparamos o resultado. Vimos que dava um incremento na produtividade de 15 pontos percentuais, se incluísse o tempo de chuva. Agora, como pode operar granel em período de chuva? Cobre o terminal”, destacou o professor.
Mas a solução apontada não é de fácil implantação. A cobertura dos berços de atracação de terminais portuários é uma obra cara e, também, um desafio de engenharia, o que torna este processo ainda mais complexo, explica o professor. “São dois problemas. Um é o custo da obra, que é bastante alto. E outro é a complexidade da estrutura, que é de balanço (é apoiada apenas em um lado) em uma área em que venta muito. Tem que ter uma boa estrutura de fundação e um contrapeso."
"Além disso, vai ter que paralisar a operação, eventualmente demolir algum prédio, então a complexidade é bem grande. Na Europa, é muito comum esse tipo de estrutura, principalmente em porto fluvial. É comum você ter um galpão coberto, que permite a operação do terminal”, acrescentou Fontebasso Neto.
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