quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Marinex, Fíbria e Consórcio LDC Brasil vencem primeiro leilão de áreas portuárias no país e vão explorar três terminais em Santos

         O resultado do primeiro leilão de áreas portuárias no Brasil, realizado nesta quarta-feira, deu um sinal claro, segundo o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, de que o Brasil é atrativo. A outorga das três áreas no porto de Santos, que vai render ao governo federal R$ 430,6 milhões, foi o destravamento de um processo que deve culminar com a licitação de 93 áreas no litoral brasileiro até o ano que vem. O ministro da Secretaria de Portos, Helder Barbalho, disse que as ofertas ao mercado têm objetivo de ampliar a capacidade de movimentação de cargas no país.
         O consórcio LDC Brasil, formado pelas tradings Louis Dreyfuss e Cargill, venceu o leilão do terminal de granéis sólidos. O grupo ofereceu R$ 303 milhões pela outorga, principal critério para definição do vencedor. A Agrovia apresentou proposta pelo lote, mas num valor bem inferior ao vencedor, de R$ 5 milhões. O terminal, localizado no bairro de Ponta da Praia, deverá movimentar 3,9 milhões de toneladas de grãos a partir do terceiro ano de vigência do contrato. No quarto ano, o volume movimentado deve subir para 4 milhões de toneladas e, no quinto, 4,1 milhões de toneladas.
         A Fibria venceu a disputa com a Eldorado pelo terminal para papel e celulose no bairro Macuco, também no porto de Santos. Ela pagará R$ 115 milhões e deverá disponibilizar novas instalações de armazenagem, equipamentos de movimentação e transbordo de cargas. Já o terminal em Paquetá, também de papel e celulose, ficará com a Marinex Despachos, Transportes e Serviços Limitados, que apresentou a única proposta, de R$ 12,5 milhões.
         O primeiro bloco de licitações do leilão foi dividido em duas fases: a primeira com quatro áreas, três em Santos (SP) e uma em Vila do Conde (PA), com investimentos previstos da ordem de R$ 1,1 bilhão. As áreas do Pará, sem interessados, foram retiradas do leilão na véspera. Em uma segunda fase serão ofertadas outras quatro áreas no estado do Pará, três em Outeiro e uma em Santarém. "A escolha das áreas a serem licitadas faz parte do Plano Nacional de Logística Portuária que diagnostica onde estão os gargalos do setor, onde as atividades estão efetivamente precisando de mais investimento e novas operações portuárias. E o Arco Norte do Brasil é estratégico para que possamos escoar a produção do Centro-Oeste", disse Barbalho.
         Os investimentos públicos e privados previstos para o setor nos próximos cinco anos somam R$ 51 bilhões, sendo R$ 3,8 bilhões de investimentos públicos em dragagens e modernização portuária. "Estamos todos certos de que neste momento de travessia econômica, de encontro para o crescimento, o setor portuário será estratégico e irá colaborar para que o Brasil possa crescer", disse Barbalho. No total, 95% do comércio exterior brasileiro passa pelo setor portuário. "Nós tivemos um crescimento, nos últimos 11 anos, de 70% na demanda de movimentação de carga e temos uma projeção para os próximos 25 anos de crescer em 103% a movimentação de carga nos portos brasileiros. Isso precisa ser enxergado como uma oportunidade para que o investimento chegue e, com o investimento, o aquecimento econômico, a geração de emprego e renda.
         O Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) citado pelo ministro da Secretaria Especial de Portos, Helder Barbalho, terá sua segunda fase lançada em dezembro. Segundo ele, o plano visa "a construção de um diagnóstico do setor portuário e um prognóstico até 2042 levando em consideração números e dados", disse o ministro. O Brasil possui 37 portos públicos e 176 terminais de uso privado com capacidade de oferta de 1,43 bilhão de toneladas/ano de operação. "Hoje utilizamos 63% dessa oferta", disse ele, que aposta em um crescimento do setor.
         "O cenário é de pleno crescimento, de avanço. Entre 2003 e 2014 tivemos crescimento de 70% na demanda portuária, na movimentação de carga nos portos brasileiros. No último ano, crescimento de 4,1% com estimativa de que, este ano, fechemos com crescimento de 4,8%", disse Barbalho. Para os próximos 25 anos, estimou o ministro, a previsão é dobrar a movimentação de carga nos portos brasileiros. O ministro afirmou também que os investimentos públicos e privados previstos para o setor nos próximos cinco anos somam R$ 19,6 bilhões do setor privado em novos terminais, R$ 16,2 bilhões em novos arrendamentos e R$ 11 bilhões em renovações contratuais.

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