A Hidrovia Tietê-Paraná deve retomar as
operações em três meses, possivelmente, em fevereiro do próximo ano. A
informação é do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo, Arnaldo Jardim. Segundo ele, houve um sinal positivo de que o
Operador Nacional do Sistema (ONS) irá permitir o restabelecimento dos
níveis de navegação a partir desse mês.
Uma das principais hidrovias do país, a Tietê-Paraná é estratégica
para o Porto de Santos. Por ela é escoada boa parte da produção agrícola do interior do Estado e do Centro-Oeste até a Região Metropolitana de São
Paulo, de onde segue até o cais santista em composições ferroviárias.
Mas o transporte em seus rios foi suspenso no ano passado, devido à
redução da profundidade, consequência da estiagem que atingiu o Sudeste
na época. Por causa disso, a água foi destinada, prioritariamente, para
hidrelétricas, a fim de garantir a geração de energia elétrica
necessária para abastecer a região.
A interrupção atingiu o trecho entre o km 99,5 do reservatório de
Três Irmãos e a eclusa de Nova Avanhandava, nos municípios de Andradina
(SP) e Buritama (SP), no qual a profundidade está em 1 metro. Para uma
navegação segura, conforme o Departamento Hidroviário (DH) do Estado,
são necessários 2,2 metros. De acordo com o órgão, é possível que, nessa
retomada das operações, se atinjam profundidades de 2,2 a 2,4 metros.
Com o transporte nos rios suspenso, estima-se que, neste ano, oito
milhões de toneladas de produtos que seriam escoados pela hidrovia
acabaram sendo transportados por rodovias, o que aumentou o custo
logístico dessas mercadorias.
O secretário de Agricultura disse que o Operador Nacional do Sistema
já começou as operações para a transferência de água dos reservatórios
localizados à montante de Três Irmãos e Ilha Solteira, para os rios.
Esta ação permitirá o restabelecimento do nível necessário da hidrovia
para que, até fevereiro, a navegação seja retomada.
No auge da crise, o DH tentou negociar a liberação das águas dos rios
que estão nos reservatórios das hidrelétricas paulistas. Mas os pedidos
não adiantaram, com o ONS mantendo sua política de priorizar a geração
de energia.
A Hidrovia Tietê-Paraná atende regiões de Goiás, Paraná, Mato Grosso
do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Sua extensão navegável chega a 2,4 mil
quilômetros. Destes, apenas 800 quilômetros estão na área paulista, a
mais industrializada e desenvolvida do País e onde está o maior porto da
América Latina.
Grande parte das cargas que vêm para Santos é embarcada em São Simão
(GO) e desembarcada em Pederneiras (SP). Desse ponto, segue de trem até o
complexo santista.
Especialistas apontam o transporte hidroviário como o mais limpo e
barato da cadeia logística para o deslocamento de cargas a grandes
distâncias (mais de 600 quilômetros). A cada mil toneladas deslocadas
por quilômetro, são gastos quatro litros de combustível. O consumo
aumenta para seis litros quando o modal utilizado é o ferroviário e,
para 15 litros, quando se trata do rodoviário.

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