quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tratado Transpacífico divulga texto com detalhes do histórico acordo comercial

         O texto com detalhes do histórico acordo comercial no Pacífico apoiado pelos Estados Unidos foi divulgado nesta quinta-feira (5). O pacto visa liberar o comércio em 40% da economia do mundo, mas é criticado pela falta de transparência. Se for ratificado, o Tratado Transpacífico (TTP) será um legado deixado pelo presidente norte-americano, Barack Obama, e um ponto alto da política de seu governo para a Ásia com o objetivo de combater a crescente influência econômica e política da China.
         O Ministério de Relações Exteriores e Comércio da Nova Zelândia publicou o documento em sua página na internet, afirmando que "continuará experimentando revisões jurídicas". O ministro de Comércio e Investimentos da Austrália, Andrew Robb, aprovou a divulgação do documento, assegurando que todos os que o assinaram, ao finalizar as negociações, haviam concordado em publicá-lo o mais cedo possível.
         "A divulgação honra o compromisso e oferece aos australianos a oportunidade de examinar o texto e entender mais objetivamente as áreas que são de seu interesse", disse Robb em um comunicado publicado na internet. A China respondeu ao TTP com a Parceria Abrangente Econômica Regional (RCEP), uma proposta de área de livre comércio de 16 nações, incluindo a Índia, que seria o maior bloco do mundo nesse âmbito, abrangendo 3,4 bilhões de pessoas.
         O TTP, que estabelece normas comuns sobre questões que vão desde os direitos dos trabalhadores à proteção da propriedade intelectual em 12 nações do Pacífico, foi em grande parte mantido à distância do escrutínio público, irritando defensores da transparência por causa das amplas implicações que o acordo terá. 
         A parceria tem a oposição de sindicatos e de muitos membros da bancada do Partido Democrata, de Obama, incluindo a candidata presidencial Hillary Clinton, que apoiava, no entanto, os trabalhos para o pacto de comércio quando era secretária de Estado durante o primeiro mandato de Obama.
Alguns congressistas republicanos pró-comercio também estão cautelosos com a parceria, o que é um prenúncio de uma dura batalha para fazer a proposta passar pelo Congresso, embora isso não deva acontecer antes de março. 
          O candidato republicano à Casa Branca Donald Trump qualificou o pacto como um "desastre". O acordo não inclui medidas exigidas por alguns parlamentares dos Estados Unidos, como a punição pela manipulação de moedas com sanções comerciais e a fixação de períodos de monopólio para medicamentos biológicos da próxima geração, por 12 anos.
          O acordo sobre o pacto, que ficou mais de cinco anos em discussão, ganhou impulso há um mês, depois que conversações intensas em Atlanta romperam um impasse sobre o comércio de laticínios, produtos farmacêuticos e automóveis. O TTP foi firmado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Estados Unidos e Vietnã. 
         O alto representante-geral do Mercosul, Dr. Rosinha, disse nesta quarta-feira (4) à EFE em Montevidéu que considera "quase impossível" que o bloco entre no TTP. "Acho muito difícil assinar um acordo para que o Mercosul entre no TTP, considero quase impossível por causas de suas características. O Mercosul tem que debater, mas para tomar posições tem que ter o acordo em mãos e até o momento só se conhecem algumas partes", afirmou Dr. Rosinha.
         "O TTP não é bom para nada e, embora o Mercosul esteja em um momento de fraqueza, não acredito que precise aderir a qualquer coisa", analisou. Outro dos conferentes, o ex-ministro de Indústria, Energia e Mineração do Uruguai Roberto Kreimerman, disse que o país "deve avançar em colocar sua produção além do Mercosul, mas em combinação" com o bloco regional.

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