A visão empresarial dos setores marítimos da Dinamarca e do Brasil foi o tema de algumas das palestras do Seminário Brasil e Dinamarca sobre
Navegação Marítima, realizado pela Antaq (Agência Nacional de
Transportes Aquaviários) e pela Embaixada dinamarquesa. Segundo o gerente-geral de assuntos institucionais da Hamburg Sud &
Aliança Navegação e Logística Ltda, Mark Juzwiak, os acessos rodoviários
e aquaviários dos principais portos brasileiros estão esgotados. “Basta
a economia brasileira crescer 2% para haver problemas. Há necessidade
de berços e calados maiores para receber os grandes navios, que começam a
frequentar os postos brasileiros”, destacou.
Juzwiak lembrou que 80% da carga da cabotagem é intermodal, mas afirmou
que é preciso reduzir os custos dessa navegação para competir com o
modal rodoviário. Para ele, um dos principais gargalos para o
crescimento do setor é o custo das tripulações dos navios no Brasil,
muito superior ao custo internacional. “Esse é um dos aspectos em que a
Dinamarca tem muito a ensinar ao Brasil”, apontou.
Os diretores da Log-In Intermodal e da Mercosul Line Navegação e
Logística LTDA, Márcio Arany e Roberto Rodrigues, respectivamente,
defenderam a navegação de cabotagem para melhorar a logística de
transportes do Brasil.
Arany informou que para cada 1% de crescimento no PIB, a movimentação de
contêineres cheios na cabotagem cresce, em média, 3,5%, enquanto o
setor de transporte como um todo cresce 1,5%. “Para cada TEU cheio
movimentado hoje por cabotagem (excluindo feeder), existem 6,5
TEUs que estão no modal rodoviário e poderiam migrar para a cabotagem”.
Ele disse ainda, que a cabotagem é o caminho natural para o Brasil, pois
80% da população e 70% das indústrias brasileiras estão localizadas até
200km da costa. “O transporte por cabotagem chega a consumir oito vezes
menos combustível para mover a mesma quantidade de carga”.
Já Roberto Rodrigues informou que se 2,7 milhões de contêineres (TEU)
fossem transportados via cabotagem ao invés de utilizarem caminhões,
isso reduziria a emissão de 4,4 milhões de toneladas de CO2; acidentes
rodoviários em aproximadamente 36 mil; e custos de manutenção de
estradas em US$ 125 milhões. (Fonte Guia Marítimo)
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