A promessa do governo federal de transferir a administração dos acessos aquaviários nos portos ao setor privado vem recebendo críticas e sugestões de entidades empresariais ligadas à atividade portuária. As
concessões, anunciadas pelo Palácio do Planalto, devem percorrer ainda um longo
caminho até que seja possível construir um modelo para o setor e chegar a
um consenso entre os diferentes órgãos envolvidos. A SEP (Secretaria de Portos) chamou para si a
atribuição com um modelo de obra pública de dragagem. Contudo, na visão de
especialistas, mesmo com as licitações internacionais para
aprofundamento dos canais de acesso aos portos, os resultados foram
limitados.
O consultor Frederico Bussinger disse que hoje há gargalos no acesso
marítimo aos principais portos do país. “Há consenso, praticamente uma
unanimidade, de que a situação do jeito que está não pode ficar”, destacou. Explicou que embora haja consenso no diagnóstico o encaminhamento
do tema difere, dependendo da entidade. A própria SEP reconheceu que há hoje maior e mais frequente necessidade
de dragagens para manter as profundidades alcançadas. Só em Santos, há
perda anual de 131 centímetros de profundidade no trecho mais crítico do
canal. Essa perda pode gerar custos adicionais de frete de cerca de R$
350 milhões na movimentação de contêineres.
Bussinger é a favor da descentralização das obras de dragagem,
concentradas na SEP nos últimos anos, e também defende a privatização
dessas atividades. Mas entende que a melhor saída passa por se adotar um
modelo condominial, por meio de uma pessoa jurídica, que reúna
arrendatários e operadores portuários. As diferentes entidades ligadas à atividade portuária fizeram diversas
sugestões e críticas no processo de audiência pública aberto pela SEP
para discutir um modelo de concessão dos canais de acesso aos portos. A
Comissão Portos, afirmou que, por se tratar de atividade monopolística, a
possibilidade de cobrança pela outorga da concessão do canal de acesso
deveria ser descartada, pois inexistiriam mecanismos de mercado capazes
de, via concorrência, controlar os preços.
A entidade entregou carta ao
ministro-chefe da SEP, Edinho Araújo, na qual afirma que a construção,
operação e conservação dos canais hidroviários envolvem diversos
aspectos técnicos que exigem análise pelo governo de modo a tornar
viável uma solução para a manutenção e conservação dos canais de acesso
aos portos, de acordo com as necessidades da navegação e dos terminais
portuários. (Fonte: Guia Marítimo)
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