A Sete Brasil, contratada pela Petrobras
para construir um pacote bilionário de sondas de perfuração, tenta
fechar esta semana, com o apoio de acionistas e de credores, um
intrincado quebra-cabeças. Amanhã, a Sete vai submeter aos acionistas,
em assembleia geral extraordinária (AGE), um plano de reestruturação que
busca definir de que forma a empresa vai renegociar a sua dívida, hoje
na casa dos US$ 4,5 bilhões, e qual será o novo plano de negócios da
companhia. Sem pagar a um grupo de cinco estaleiros desde novembro de
2014, aos quais deve US$ 1,2 bilhão, a Sete tem pressa em encontrar
saídas para uma crise que se arrasta há meses sem solução.
Endividada
e sem dinheiro para desenvolver seu projeto, que previa a construção de
29 sondas, 28 das quais para a Petrobras, com investimentos totais de
US$ 25,5 bilhões, o futuro da Sete Brasil virou uma incógnita, assim
como o de vários dos estaleiros contratados. Ao mesmo tempo, o preço do
petróleo, em recuperação, despencou nos últimos meses, criando dúvidas
no mercado se, no atual cenário, a Petrobras poderia tentar renegociar
com a Sete Brasil as taxas de afretamento (aluguel) das sondas. "Se a
Petrobras quiser sustentar o plano de negócios dela tirando dos
acionistas da Sete Brasil, vai quebrar a companhia", disse fonte do
setor. Procurada, a Petrobras não se pronunciou.
O
presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e
Offshore (Abenav), Sérgio Bacci, disse que qualquer tentativa de renegociação dos
afretamentos precisa considerar a oferta de sondas no mercado. "Assim
como a oferta de sondas no mercado aumenta com a queda nos preços [do
petróleo], essa oferta diminui quando os preços voltam a subir." (Fonte: Portos & Navios)

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