quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ex-ministro Defim Netto diz que Brasil jogou fora o seu comércio exterior

O economista Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e de outras pastas, durante os governos militares, afirmou hoje que a indústria nacional perdeu R$ 370 bilhões entre 2002 e 2014, soma do que deixou de exportar nesse período e também de produzir em troca de importar. Segundo ele, essa é a principal explicação para o Brasil ter parado de crescer. "O país não cresce porque a indústria não cresce e a indústria não cresce porque o país jogou fora o comércio exterior, que é um de seus motores mais importantes", criticou, ao falar a uma plateia de empresários em um seminário da Acref, em São Paulo (SP). O economista, que foi um dos pais do chamado "milagre econômico brasileiro nos anos setenta", citou como exemplo o uso que o governo tradicionalmente fez do câmbio como política de controle de preços, em vez de política industrial ou comercial. "As exportações não cresceram porque faltou uma política cambial previsível. Há trinta anos o país vem usando o câmbio para controlar a inflação e abandonou a prioridade de câmbio competitivo para a indústria", acusou. O resultado, argumentou Delfim, foi a perda crescente na participação brasileira no comércio global. O ex-ministro, que está com 86 anos de idade, destacou, também, que o Brasil não se adequou ao fenômeno chinês e exemplificou mostrando que entre 1983 e 2013, enquanto a China deu um salto de 1%  para 16,6% do bolo mundial, a fatia brasileira encolheu de 0,9% para 0,7%.

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