O diretor-presidente da Log-In Logística Intermodal, Vital Lopes, avaliou que a
recém terminada greve dos caminhoneiros traz de volta a discussão sobre a
importância de se ter no Brasil uma malha viária pulverizada que não concentre
o transporte de mercadorias pelo modal rodoviário. Empresas do ramo de
cabotagem como a Log-In, por exemplo, veem o ocorrido como uma boa oportunidade
para disseminar a ideia de que o modal realizado por vias marítimas pode ser
competitivo para o negócio de muitas empresas. “A cabotagem é a solução
estrutural para o que presenciamos. Na longa distância, o modal oferece um
preço mais competitivo ao dono da carga e maior rentabilidade para o
caminhoneiro”, argumentou o executivo.
Ele destacou que um
navio grande carrega cerca de 3 mil contêineres, carga que demanda vários
caminhões para ser distribuída em fretes de menor distância - que por sua vez
oferecem margens de ganhos mais elevadas aos transportadores rodoviários. Para
exemplificar, Lopes conta que um navio que sai com televisores de Manaus para
Santos chega ao porto e precisa de caminhões para levar os aparelhos até um centro
de distribuição em Cajamar (SP). “O caminhão cobra cerca de R$ 1,9 mil reais
pelo trajeto de 140 km, que pode ser feito até três vezes por dia. Quando ele
leva uma carga de Santos até a Bahia, cobra R$ 3 mil e fica com o caminhão
ocupado por vários dias”, explicou Lopes.
Segundo o executivo, o exemplo evidencia que o modal rodoviário, portanto, tende a ter mais
rentabilidade nos trajetos de curta distância enquanto a cabotagem é mais
propícia para as viagens de longa distância. Salientou que a dinâmica mostra que o caminho
para resolver um dos entraves da logística brasileira seria explorar a
intermodalidade. "A cabotagem não invalida a importância do modal rodoviário e,
sim, o complementa", completou.

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