quinta-feira, 5 de março de 2015

Presidente da Log-In avalia que greve dos caminhoneiros reabre a discussão sobre a importância do país ter uma malha de transporte pulverizada



     O diretor-presidente da Log-In Logística Intermodal, Vital Lopes, avaliou que a recém terminada greve dos caminhoneiros traz de volta a discussão sobre a importância de se ter no Brasil uma malha viária pulverizada que não concentre o transporte de mercadorias pelo modal rodoviário. Empresas do ramo de cabotagem como a Log-In, por exemplo, veem o ocorrido como uma boa oportunidade para disseminar a ideia de que o modal realizado por vias marítimas pode ser competitivo para o negócio de muitas empresas. “A cabotagem é a solução estrutural para o que presenciamos. Na longa distância, o modal oferece um preço mais competitivo ao dono da carga e maior rentabilidade para o caminhoneiro”, argumentou o executivo.

     Ele destacou que um navio grande carrega cerca de 3 mil contêineres, carga que demanda vários caminhões para ser distribuída em fretes de menor distância - que por sua vez oferecem margens de ganhos mais elevadas aos transportadores rodoviários. Para exemplificar, Lopes conta que um navio que sai com televisores de Manaus para Santos chega ao porto e precisa de caminhões para levar os aparelhos até um centro de distribuição em Cajamar (SP). “O caminhão cobra cerca de R$ 1,9 mil reais pelo trajeto de 140 km, que pode ser feito até três vezes por dia. Quando ele leva uma carga de Santos até a Bahia, cobra R$ 3 mil e fica com o caminhão ocupado por vários dias”, explicou Lopes.

     Segundo o executivo, o exemplo evidencia que o modal rodoviário, portanto, tende a ter mais rentabilidade nos trajetos de curta distância enquanto a cabotagem é mais propícia para as viagens de longa distância. Salientou que a dinâmica mostra que o caminho para resolver um dos entraves da logística brasileira seria explorar a intermodalidade. "A cabotagem não invalida a importância do modal rodoviário e, sim, o complementa", completou.

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