quinta-feira, 12 de março de 2015

Agropecuária e indústria perdem peso na economia com novo sistema de cálculo do PIB

      A adoção de uma nova metodologia para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país levou a indústria e a agropecuária a perderem seus pesos na economia brasileira, em detrimento ao setores de serviços. A tendência, que já vinha ocorrendo nos últimos anos, ficou mais explícita com os dados revisados, divulgados ontem pelo IBGE.

      Pelo sistemática antiga do PIB, com base em 2000, a participação do setor industrial era de 28,1%. Na revisão, a atividade perdeu espaço e correspondia a 27,4% da produção nacional em 2010 (o novo ano de referência utilizado pelo IBGE). As maiores perdas ocorreram nos subsetores da indústria de transformação e energia, gás, água, esgoto e limpeza urbana. Por outro lado, a indústria extrativa e a construção ganharam peso, mas não compensaram a perda dos demais segmentos.

      A indústria perdeu terreno apesar da incorporação dos gastos em pesquisa e desenvolvimento como investimento, o que turbinou o PIB como um todo. O motivo principal é que as atividades administrativas e auxiliares realizadas pelas sedes das companhias, que costumam dar suporte à atividade produtiva, migraram para o setor de serviços, segundo avalia o IBGE.

      De 2001 a 2011, por exemplo, a taxa média anual de crescimento do PIB industrial (volume de bens e serviços produzidos) subiu de 2,7% para 3,1%. Isso ocorreu, em parte, por causa da introdução das atividades de pesquisa e desenvolvimento como investimentos, e não mais como despesas das empresas. Neste contexto, o setor industrial é o que mais investe em inovação, atrás apenas do governo, com agências de fomento e universidades públicas, diz o IBGE.

Já o peso da agropecuária caiu de 5,3% para 4,9%. Sua expansão média foi de 4,1% - a estimativa original era de 4%. Trata-se do setor com maior incremento no período avaliado. Os serviços, por sua vez, tiveram a participação elevada de 66,6% em 2000 para 67,8% em 2010. Os maiores avanços ficaram por conta das atividades imobiliárias, serviços de informação e outros serviços - como alimentação, alojamento, entre outros. Além disso, os transportes de intermediação financeira (representados pelos bancos, pelas seguradoras e outros) perderam um pouco mais de espaço com o novo cálculo.

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