segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Concorrência entre estaleiros chineses e coreanos está mais acirrada no mercado de navios a metanol

A concorrência entre os construtores navais coreanos e chineses no mercado de navios movidos a metanol parece estar se intensificando. De fato, a CMA CGM decidiu recentemente selar um pedido de seis navios movidos a metanol de 15.000 TEU para a Dalian Shipbuilding da China, e não para um construtor naval sul-coreano. Como o preço por embarcação é de US$ 175 milhões, o valor total do contrato ultrapassa US$ 767 milhões, segundo a BusinessKorea.

Embora os construtores navais sul-coreanos também tenham tentado conquistar o pedido, a CMA CGM escolheu a Dalian Shipbuilding, levando em consideração o prazo de entrega e os preços. A Dalian Shipbuilding prometeu entregar seis navios movidos a metanol até o segundo semestre de 2025, propondo um preço vários milhões de dólares abaixo dos propostos pelos estaleiros sul-coreanos.

O metanol está atraindo atenção como combustível verde porque pode reduzir significativamente as emissões de poluentes como óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio e gases de efeito estufa em comparação com o óleo convencional de navios.

Até agora, a única empresa de navegação que havia encomendado navios movidos a metanol era a Maersk. Depois de fazer um pedido de 12 navios porta-contêineres de 16.000 TEU com a Korea Shipbuilding & Offshore Engineering, a Maersk permanece em contato com os três principais construtores navais sul-coreanos para novos pedidos.

Morten Bo Kristiansen, oficial de descarbonização da Maersk, previu que até 2030, cerca de 25% dos navios do mundo serão movidos a combustíveis verdes.

 

Reaquecimento do mercado automotivo amplia ocupação do centro logístico da Wilson Sons

A indústria automotiva está impulsionando a ampliação da ocupação do centro logístico da Wilson Sons, em Santo André (SP), com dois novos contratos, depois de fechar o ano de 2021 como o segmento de maior crescimento no complexo, com 386% de movimentação e um aumento de 127% na receita. Os novos clientes são uma grande montadora de automóveis da região e um dos maiores fabricantes mundiais de pneus. 

Para a montadora de automóveis, o centro logístico será responsável pelo recebimento, desova e armazenagem alfandegada para cerca de 120 contêineres por mês com partes e peças automotivas. A carga tem origem no Porto de Santos (SP) e vai abastecer as plantas industriais do estado de São Paulo. 

Já para a fabricante de pneus, a Wilson Sons desenvolverá os serviços de recebimento, armazenagem e gestão de estoque no centro de distribuição, onde ficarão alocados até 15 mil pneus de 450 SKUs diferentes. A carga tem origem na fábrica da marca no ABC Paulista e será distribuída para todo o estado de São Paulo. 

Para atender os novos negócios, que devem movimentar mais de 2.800 toneladas por mês, o quadro de colaboradores operacionais teve um incremento de 60%. “O aumento da ocupação da unidade demonstra o reaquecimento do mercado. Com isso, estamos trazendo adaptações em nossa estrutura para melhor atender as demandas dos clientes. O centro logístico da Wilson Sons é um parceiro de soluções que cresce junto com os clientes e se destaca por centralizar as operações de armazenagem, alfandegado e transporte”, diz Thais Sangean, gerente geral da unidade. 

Além do reforço na mão de obra, a verticalização de áreas, por meio da montagem de estruturas porta-paletes e armazéns lonados, aumentaram em 33% a capacidade de armazenagem do complexo logístico da Wilson Sons. “A ampliação foi resultado de um trabalho integrado entre as áreas de Projetos, Manutenção e Operações, e as obras foram realizadas mantendo todas as operações em pleno funcionamento”, revela Thais. 

Com uma área de 119.700 m2 e próximo a importantes elos logísticos, como o Porto de Santos e o Aeroporto de Guarulhos (SP), o centro logístico de Santo André é formado por terminal alfandegado e CD e oferece soluções integradas, envolvendo armazenagem alfandegada e geral, transporte e distribuição e serviços acessórios.

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Atrito entre China e EUA provoca tensão no Estreito de Taiwan, por onde transita quase metade dos porta-contêineres do mundo


O conflito político e diplomático entre os EUA e a China sobre Taiwan, provocado pela visita à ilha dissidente chinesa, da líder no Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, desnudou os riscos crescentes para uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, onde mesmo uma pequena interrupção pode afetar as cadeias de suprimentos globais. O Estreito de Taiwan é a principal rota de navios que partem da China, Japão, Coréia do Sul e Taiwan para pontos no Ocidente, transportando mercadorias dos centros fabris asiáticos para mercados na Europa, Estados Unidos e em todo o mundo.pontos intermediários, informa a Bloomberg.

Além disso, cerca de 48% dos 5.400 navios porta-contêineres em operação no mundo passaram pelo Estreito de Taiwan nos primeiros sete meses deste ano, fornecendo um suprimento constante de roupas, eletrodomésticos, telefones celulares e semicondutores para o Ocidente. Considerando apenas o décimo maior da frota, a hidrovia responde por 88% do tráfego, com muitos desses navios servindo rotas transcontinentais para a Europa.

Assim, considerando o número de navios que passam pelo Estreito de Taiwan, mesmo uma pequena interrupção pode ter um impacto no comércio mundial durante a alta temporada de embarques para os EUA no Natal.

De fato, de acordo com a VesselsValue (VV), a China realizará grandes exercícios militares e testes de mísseis em torno de Taiwan entre 4 e 7 de agosto, portanto, existe a possibilidade de interrupção substancial do comércio marítimo na região. Os dados da VV mostram que existem atualmente 256 navios porta-contêineres, navios-tanque e graneleiros nas águas territoriais de Taiwan, com outros 60 previstos para chegar antes da conclusão dos exercícios no domingo.

Dos navios porta-contêineres, petroleiros e graneleiros que se destinam a Taiwan, a contagem atual é de 308, dos quais se estima que 60 chegarão entre os dias 4 e 7 de agosto, quando estão sendo realizados os exercícios militares.

Enquanto os navios mercantes desviam pela costa leste de Taiwan através do Mar das Filipinas, acrescentando apenas alguns dias extras à viagem, rotas alternativas apresentam dificuldades. O Estreito de Luzon entre as Filipinas e Taiwan oferece uma possível rota norte-sul, mas a temporada de tufões no Mar da China Meridional torna a viagem arriscada.

 

Yara realiza em Rio Grande 1º embarque de fertilizantes via cabotagem do país

A Yara, líder mundial em nutrição de plantas, iniciará, nesta semana, o primeiro envio de fertilizantes a granel via cabotagem do país. A companhia transportará, a partir do seu píer próprio em Rio Grande (RS), 15 mil toneladas da linha de fertilizantes especiais YaraBasa, composta por NP e NPK, para sua Unidade Misturadora de São Luís (MA), atendendo assim aos agricultores da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), sobretudo da cultura de soja. A embarcação navegará por toda a costa brasileira, sem escalas, e tem previsão de chegada na capital maranhense em aproximadamente sete dias.

"Este envio de fertilizantes via cabotagem ao Maranhão traz diversos benefícios, como o acesso aos agricultores das regiões Norte e Nordeste às linhas de fertilizantes especiais da Yara, especialmente durante um momento crítico de rupturas nas cadeias de fornecimento em razão da guerra", disse Maicon Cossa, vice-presidente Comercial da Yara Brasil. A região do Matopiba plantou cerca de 8,2 milhões de hectares na safra 2020/21, segundo a Conab, e possui previsão de acréscimo de área nesta safra que está se encerrando.

"O mercado da Fronteira Norte é o que mais cresce em termos de área plantada no país, e agora teremos mais uma opção de abastecimento para a região, com um produto nacional. Hoje o local trabalha majoritariamente com matéria-prima importada, então esta movimentação levará mais uma opção de abastecimento de fertilizantes, ajudando na segurança da cadeia e permitindo a aceleração e desenvolvimento da agricultura local", confirmou o executivo.

O transporte do fertilizante via cabotagem além de ser uma operação mais vantajosa operacionalmente, rápida e segura, também é mais sustentável. "Uma carga de 15 mil toneladas, por exemplo, partindo de Rio Grande para São Luís, precisaria de 405 caminhões para realizar o trajeto de mais de 3 mil km via rodovias, o que passa a ser feito em aproximadamente sete dias por mar, com apenas um navio", explicou Maicon.

De acordo com o executivo, a cabotagem tornou-se uma opção viável devido aos últimos avanços da BR do Mar, programa que visa equilibrar a matriz de transporte brasileira, que, entre outras medidas, possibilitou a redução da taxa AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Marcante) e desobrigou a necessidade de frota própria para aderir à modalidade. "Em um contexto em que a logística é um dos grandes desafios para a entrega dos fertilizantes para a safra de verão, contarmos com uma nova modalidade de transporte é fundamental para a segurança alimentar", destacou.

Neste cenário, o Complexo de Rio Grande (RS), considerado o maior e mais moderno parque de produção, mistura e expedição de fertilizantes da América Latina, e um investimento de R$ 2 bilhões da companhia, torna-se um grande polo para a empresa enviar soluções nutricionais especiais para os portos de todo o país, via cabotagem, e ainda para outros países, via frete marítimo.

Para otimizar a operação local, a Yara instalou neste ano o shiploader, equipamento que permite o carregamento a granel dos fertilizantes diretamente para os navios, além de possibilitar o transbordo de produtos entre embarcações, tornando a operação de píer ainda mais ágil e ampliando o leque de localidades atendidas pela Yara a partir da unidade.

Porto de Shanghai deve bater recorde de movimentação de contêineres em julho


O porto de contêineres mais movimentado do mundo, Shanghai, na China, pode ter estabelecido um recorde de movimentação de contêineres em julho, de acordo com a operadora Shanghai International Port Group (SIPG). No mês passado, o complexo movimentou mais de 4,3 milhões de TEUs, marcando um aumento de 16% ano a ano e 1% mensalmente.

Em média, o porto movimentou 140 mil TEUs/dia e teve crescimento nos primeiros sete meses deste ano. No ano passado, o porto movimentou mais de 47 milhões de TEUs, ou cerca de 3,92 milhões de TEUs por mês.

Especificamente, sua subsidiária Shanghai Shengdong International Container Terminal registrou uma alta mensal de 840.000 TEUs.

Vale ressaltar que Shengdong é responsável por parte do porto de águas profundas de Yangshan, que é um dos principais terminais do porto de Xangai. Seu forte crescimento é apoiado principalmente por exportações e importações, disse Zhou Dequan, diretor do Escritório de Pesquisa de Navegação Doméstica do Instituto Internacional de Navegação de Xangai.

O porto de Xangai foi classificado como o maior porto de contêineres do mundo por 12 anos consecutivos desde 2010. "A transformação digital lançada pelo grupo nos deu uma vantagem tecnológica no desenvolvimento do SIPG, apoiando nossa busca por construir um porto de classe mundial e um porto inteligente , porto verde, seguro e resiliente", disse Zhou Yong, gerente geral assistente da divisão de produção da SIPG.

De acordo com Lin Guolong, diretor do Centro de Pesquisas Logísticas da Universidade Marítima de Xangai, quando o trabalho começou a transformar Xangai em um centro de transporte global, o governo começou a fazer planos para uma rede de canais altamente desenvolvida na região. Delta do Rio Yangtze. Essa rota desempenha um papel importante no suporte às cadeias de suprimentos, principalmente por suas características econômicas e ecológicas, explicou Lin.

Zhou Yong acrescentou que o SIPG está interessado em explorar novos modelos de negócios para consolidar sua posição como um hub global de contêineres, bem como um hub de transporte internacional. "O SIPG atribui grande importância à integração e colaboração com os portos da região do delta do rio Yangtze, e o grupo vem implementando ativamente a estratégia de desenvolvimento integrado da região".

 

Exportações brasileiras de peixes crescem 100% no primeiro semestre

A exportação de produtos da piscicultura brasileira cresceu 100% nos primeiros seis meses de 2022 em comparação ao mesmo período do ano anterior. É o que mostra Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, feito pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR). No total, foram US$ 14,3 milhões em vendas externas e 4.931 toneladas. O crescimento, em valor, é resultado da venda de produtos piscícolas de maior valor agregado, como os filés congelados, com alta de mais de 500% em valor e toneladas.

De acordo com a Secretaria de Pesca e Aquicultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o crescimento exponencial das exportações brasileiras ocorre por diversos fatores, como a desburocratização, a evolução no manejo, a melhoria genética e tecnificação do cultivo de peixes. Assim como a profissionalização da cadeia produtiva e o crescimento de crédito de fomento para atividade. Outro ponto é a realização de ações conjuntas de promoção comercial da piscicultura brasileira, desenvolvidas pelo Mapa em parceria com a Apex Brasil.

Os principais destinos das exportações da piscicultura foram Estados Unidos, maior comprador; seguido pelo Canadá e pela Líbia. Originária da África e de grande aceitação no mercado mundial, a tilápia é a espécie de peixe mais exportada pelo Brasil, representando 98% do total do faturamento com pescados exportados até o mês de junho, montante de US$ 14 milhões.

O Paraná é o estado com a maior exportação da espécie no período analisado, com US$ 7,4 milhões, representando 53% do total. Em seguida, aparecem Mato Grosso do Sul e Bahia. Dados do informativo apontam que a categoria de tilápias inteiras congeladas ocupou a primeira posição de exportação nesse semestre, com um valor total de US$ 7 milhões. Depois, estão o filé fresco, com US$ 3,4 milhões, e o filé congelado (US$ 2,6 milhões).