sábado, 7 de março de 2026

Conflito no Oriente Médio impacta no transporte marítimo de contêineres


 

A guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã começa a afetar o transporte marítimo de contêineres, com impactos visíveis na segurança da navegação, nas decisões operacionais das empresas de transporte e no mercado de seguros marítimos. Embora, por ora, as interrupções estejam concentradas principalmente na região, analistas alertam que elas podem se espalhar caso o conflito continue. Uma das principais áreas de preocupação é o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio marítimo global. Segundo dados compilados pela Bloomberg, o tráfego por essa hidrovia diminuiu drasticamente desde o início das hostilidades.

Na terça-feira, apenas dois navios graneleiros e um pequeno navio porta-contêineres foram observados atravessando o estreito, todos saindo do Golfo Pérsico e nenhum entrando. O monitoramento do tráfego marítimo também se tornou mais complexo devido à interferência eletrônica. De fato, "a área mergulhou em uma espécie de névoa digital", resultado da interferência de sinal e da desativação de transponders de posicionamento, o que dificulta o monitoramento preciso da rota das embarcações. Para agravar a situação operacional, há a deterioração das condições de segurança para as tripulações. Um navio porta-contentores com capacidade aproximada de 1.700 TEUs, o “Safeen Prestige” (na foto), foi atacado enquanto transitava pelo estreito, causando um incêndio na casa de máquinas e forçando a tripulação a evacuar.

 O grupo UK Maritime Trade Operations informou que a embarcação foi atingida por “um projétil desconhecido logo acima da linha de água”, embora não tenham sido relatados feridos ou impactos ambientais. O incidente soma-se a uma série de ataques recentes a navios na região. O analista da indústria marítima Lars Jensen destaca que “um petroleiro foi atingido por um drone kamikaze, elevando o número de embarcações atingidas até o momento para seis petroleiros e um porta-contentores”. Impacto nas Operações Judah Levine, chefe de pesquisa da Freightos, observou que os ataques e represálias na região estão causando “significativas interrupções logísticas” que podem piorar se o conflito continuar. Entre os primeiros sinais está a suspensão temporária das operações no Porto de Jebel Ali, em Dubai, o maior terminal de contêineres do Oriente Médio, após um projétil ter provocado um incêndio no fim de semana. Embora o porto tenha retomado as operações na segunda-feira, a situação gerou incerteza para o comércio regional. Em resposta aos riscos, diversas companhias de navegação começaram a modificar suas operações.

Segundo Levine, “com o estreito fechado e os riscos de segurança na região, as principais transportadoras estão desviando navios, cancelando itinerários e suspendendo novas reservas”. Essas decisões já estão causando atrasos para cargas destinadas ao Golfo ou com origem na região. “Os cancelamentos de voos significam que os contêineres destinados à região do Golfo já estão começando a se acumular e ameaçam causar congestionamento nos terminais de contêineres na Índia”, explicou ele. Além disso, alguns contêineres que já estavam em trânsito estão sendo redirecionados para outros centros de transbordo na Ásia. A maior parte do volume, indicou o analista, provavelmente será descarregada em grandes centros do Extremo Oriente, como Singapura, Malásia ou Sri Lanka.

 No entanto, Levine observou que o Estreito de Ormuz movimenta apenas “cerca de 2% ou 3% do volume global de contêineres”, mas alertou que “quanto mais tempo o conflito continuar, mais disruptivo ele será e mais amplamente será sentido”. Impacto no Mercado de Seguros Inicialmente, foi noticiado que algumas apólices de seguro de guerra estavam sendo canceladas para trânsitos pelo Estreito de Ormuz, o que gerou incerteza entre os armadores. Contudo, associações do setor de seguros indicam que o seguro continua disponível, embora a custos mais elevados. A diretora executiva da Lloyd’s Market Association, Sheila Cameron, afirmou: “Entendemos que ofertas de seguro estão sendo feitas para embarcações que desejam transitar pelo Estreito de Ormuz”.

Ela acrescentou que essa cobertura “continuará disponível por meio do Mercado de Seguros de Guerra Marítimos de Londres quando os armadores considerarem seguro para suas embarcações e tripulações”. Mesmo assim, diversos armadores indicaram que o principal obstáculo não é a disponibilidade de seguro, mas o risco para as tripulações. Três armadores consultados indicaram que não estão dispostos a transitar pelo estreito “no clima atual”, independentemente da cobertura disponível. Fretes marítimos De acordo com o Índice Mundial de Contêineres da Drewry, o WCI subiu 3%, para US$ 1.958 por contêiner de 40 pés, impulsionado principalmente por tarifas mais altas nas rotas transpacíficas. Embora essa variação não seja atribuível exclusivamente ao conflito,

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