A absoluta falta de dinheiro para bancar obras públicas levou o
Ministério dos Transportes a analisar "propostas criativas" para tentar
garantir, pelo menos, a manutenção e recuperação das estradas federais. A
mais recente alternativa avaliada pela área técnica do ministério prevê
que rodovias que hoje têm suas obras bancadas com recursos da União
passem a ser tocadas pela iniciativa privada. Em troca, essas empresas
poderiam cobrar um "pedágio simbólico" do usuário, além de buscar
alternativas extras de receita, como a venda de espaço publicitário ao
longo do trecho rodoviário, ou mesmo cobrança pela passagem de malhas de
fibra óptica no traçado.
A iniciativa, que tem sido chamada pelo
governo de "concessão patrocinada", ainda não tem data definida para
ser lançada, mas é vista com bons olhos pelo Ministério dos Transportes
como uma forma de aliviar a pressão sobre o Departamento Nacional de
Infraestrutura dos Transportes (Dnit), que hoje tem de cuidar de 47 mil
quilômetros de estradas federais, por meio de contratos firmados com
terceiros. A expectativa é de que o plano seja concluído ainda neste
ano.
"Seria um tipo de PPP (parceria público-privada)
patrocinada, onde a empresa não faz grandes intervenções, nem
duplicações, e cobraria um pedágio bem mais barato que em uma concessão
tradicional", disse a secretária executiva do Ministério dos
Transportes, Natália Marcassa. "Essa é uma das possibilidades que
estamos avaliando, mas ainda não sabemos se será efetivada. Estamos
checando essa possibilidade."
Pelo modelo atual, o Dnit fecha
contratos de dois ou de cinco anos com empresas, para que elas assumam
os serviços de manutenção e reparos nas estradas federais. Essas
empresas são remuneradas pela autarquia conforme executam os serviços.
Já pela proposta de concessão patrocinada, elas passariam a ter um
contrato com prazo maior, que ainda não foi definido.
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