sábado, 15 de agosto de 2015

Estudo aponta dilficuldades para o crescimento das exportações brasileiras de café

         A condição de maior produtor e exportador mundial de café não impede o Brasil de enfrentar dificuldades em agregar valor ao produto. Esse é o diagnóstico de pesquisa divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), indicando as principais dificuldades do país nas vendas externas de café industrializado.
       Segundo o Mdic, no ano passado o Brasil exportou US$ 6,6 bilhões em café. Desse montante, US$ 6,041 bilhões, ou 90,6%, representaram vendas de café verde. O café verde é o grão cru, negociado com preços inferiores aos do café beneficiado. Do restante das exportações brasileiras de café em 2014, US$ 563,3 milhões, ou 8,45% do total, foram de café solúvel.
        Técnicos do ministério explicaram que o subsetor do café solúvel apresenta problemas de competitividade, levando à diminuição da participação relativa do Brasil nas exportações desse tipo de produto, "a despeito do aumento constante de consumo em quase todo o mundo".
       O Mdic atribuiu os gargalos que impedem o aumento das exportações de café beneficiado a diversas causas como limitações de gestão na maioria das empresas de micro, pequeno e médio porte de torrefação de café, falta de interesse das empresas brasileiras de café torrado e moído em competir no mercado externo e de empresas estrangeiras em usar o Brasil como plataforma de exportação para o café torrado e moído e tributação excessiva da União Europeia e do Japão sobre o café industrializado brasileiro.
       O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria da Café (Abic), Nathan Hersvkowicz, considerou o diagnóstico do governo um primeiro passo na direção de políticas para estimular exportações de maior valor agregado no setor. "É o primeiro trabalho. O ministério contratou o estudo para ter um diagnóstico bastante agudo", disse Nathan, acrescentando que os dados servirão de subsídio para futuras políticas.

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