A condição de maior produtor e exportador mundial de café não impede o Brasil de enfrentar dificuldades em agregar valor ao produto. Esse é o
diagnóstico de pesquisa divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (Mdic), indicando as principais
dificuldades do país nas vendas externas de café industrializado.
Segundo
o Mdic, no ano passado o Brasil exportou US$ 6,6 bilhões em café.
Desse montante, US$ 6,041 bilhões, ou 90,6%, representaram vendas de
café verde. O café verde é o grão cru, negociado com preços inferiores
aos do café beneficiado. Do restante das exportações brasileiras
de café em 2014, US$ 563,3 milhões, ou 8,45% do total, foram de café
solúvel.
Técnicos do ministério explicaram que o subsetor do café solúvel apresenta
problemas de competitividade, levando à diminuição da
participação relativa do Brasil nas exportações desse tipo de produto,
"a despeito do aumento constante de consumo em quase todo o mundo".
O Mdic atribuiu os gargalos que impedem o aumento das exportações de café beneficiado a diversas causas como limitações de gestão na maioria das empresas de micro,
pequeno e médio porte de torrefação de café, falta de interesse das
empresas brasileiras de café torrado e moído em competir no mercado
externo e de empresas estrangeiras em usar o Brasil
como plataforma de exportação para o café torrado e moído e tributação
excessiva da União Europeia e do Japão sobre o café industrializado
brasileiro.
O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria da Café
(Abic), Nathan Hersvkowicz, considerou o diagnóstico do governo um primeiro passo
na direção de políticas para estimular exportações de maior valor
agregado no setor. "É o primeiro trabalho. O ministério contratou o
estudo para ter um diagnóstico bastante agudo", disse Nathan,
acrescentando que os dados servirão de subsídio para futuras políticas.
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