segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Alexandre Grendene processa Beira Rio por doação de ações à Fundação Meneghetti

         O empresário Alexandre Grendene, dono da Grendene (conhecida pelas sandálias Melissa e Ipanema), decidiu processar a Calçados Beira Rio (das marcas Vizzano e Moleca), da qual também é sócio. A medida foi motivada pela doação de ações feita pela Beira Rio à Fundação Antonio Meneghetti de papéis equivalentes a 28% do capital da companhia que estavam em tesouraria - ou seja, tinham sido comprados com dinheiro proveniente do negócio e não de um acionista.
       Grendene disse que o processo quer a reincorporação das ações à companhia, já que a Lei das S.A.s, categoria na qual a Beira Rio é classificada, não permite a doação de bens corporativos a terceiros. "Eu não quero brigar com ninguém, só quero minhas ações de volta", afirmou o empresário. Grendene - que é irmão gêmeo de Pedro, controlador da Vulcabrás - é sócio da Beira Rio há mais de uma década, com 12% do negócio. Com as ações em tesouraria, os cálculos dos advogados são de que sua participação no negócio subiria para aproximadamente 16%.
       Segundo o processo, a doação à fundação ocorreu em 27 de dezembro de 2013, e a operação não foi claramente explicitada no balanço. Por ser empresa de capital fechado, a Beira Rio só precisa publicar seus resultados uma vez por ano. Para a fundação, que se autodefine, em seu website, como uma entidade de "pesquisa científica, humanista, cultural e educacional", foram repassadas ações que somam mais de um quarto do capital da Beira Rio - fabricante de calçados femininos que faturou quase R$ 1,5 bilhão em 2014.
       O acionista controlador da Beira Rio, Roberto Argenta, já foi presidente da instituição. Fontes do mercado informaram que ele é um entusiasta da ontopsicologia, definida no site da fundação como a "ciência mais recente entre as ciências contemporâneas", "que tem por objeto de estudo a análise da atividade psíquica do homem".
       Não existe nenhuma decisão de mérito sobre o caso até agora. No entanto, há duas liminares que, na prática, suspendem a doação das ações com base na Lei das S.As. As liminares são válidas tanto na primeira instância quanto no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) e suspendem efeitos das assembleias de acionistas que autorizaram o repasse dos papéis da Beira Rio à Fundação Antonio Meneghetti.
       O processo sustentou ainda que Grendene não foi informado do conteúdo das reuniões e que só conseguiu entender que as ações em tesouraria tinham sido doadas depois de pedir o arresto de documentos da empresa. "O problema maior foi por causa de como tudo foi feito, de uma forma para que passasse despercebido", disse Grendene. "Faltou transparência."
       Embora a Beira Rio não seja uma empresa muito conhecida do público - até porque pouco aparece na mídia -, Alexandre Grendene garantiu que o negócio é bem administrado e bastante relevante no meio calçadista. "Hoje, existem três grandes empresas relevantes no setor calçadista brasileiro: Alpargatas, Grendene e Beira Rio."

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