O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Armando Monteiro Neto, anunciou, em discurso na cerimônia de transmissão
de cargo, que irá apresentar nos próximos dias um plano
nacional de exportação, que será o primeiro eixo de uma
agenda positiva que terá cinco pontos. "O MDIC
apresentará, nos próximos dias, um arrojado plano nacional de
exportação, com ampla participação do setor privado e indispensável
visão integradora das diversas regiões do País", adiantou o ministro
nesta quarta-feira, dia 7.
Segundo ele, a ideia é superar entraves
relacionados a financiamento, garantias e desonerações de exportações -
além de facilitação de comércio. Monteiro disse que a pasta
também trabalhará para estabelecer, junto com o Itamaraty, uma política
de comércio exterior mais ativa e que produza ampliação dos acordos
comerciais com parceiros estratégicos, em especial o Mercosul, os Estados Unidos, a
China e países da América do Sul, "e que permitam maior inserção nas
cadeias globais de valor". O segundo eixo de atuação, de acordo com ele, será apresentar um conjunto de reformas microeconômicas "de
reduzido impacto fiscal", que envolvam melhorias e harmonização do
ambiente tributário, sobretudo na perspectiva de desoneração dos
investimentos e simplificação das obrigações acessórias. "Também passa
por convergências regulatórias, tendo como diretrizes a estabilidade, a
clareza e adaptabilidade das regras, de modo a garantir segurança
jurídica", afirmou.
O terceiro ponto, destacou, é
incentivar o investimento e a renovação do parque fabril brasileiro,
com objetivo de reduzir a idade média dos equipamentos em operação. Ele
falou, ainda, em adotar um modelo de financiamentos dos bancos públicos
que viabilize, de forma crescente, maior acesso das empresas pequenas e
médias aos recursos. "O quarto eixo é promover um arranjo
institucional que favoreça e estimule a inovação. Para isso, precisamos
aprimorar o marco legal, ampliar o escopo e foco do financiamento", explicou. O ministro afirmou ainda que trabalhará pela inclusão de mais
empreendedores nas fontes de fomento à inovação. Outro ponto citado por Monteiro foi a necessidade de aperfeiçoar o sistema de governança para gerir a
agenda de competitividade, mantendo diálogo com setor produtivo e outras
áreas do governo. "Nos comprometemos em revitalizar os conselhos
consultivos já existentes, a exemplo do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI) e do Conselho Consultivo do Setor
Produtivo da Camex (Conex)", disse. "É importante reiterar o
absoluto sentido de urgência que se apresenta em relação ao avanço
dessas medidas para a promoção da agenda da competitividade. Reforço,
mais uma vez, que o setor produtivo, que anseia por essas reformas,
encontrará neste ministério o espaço e a parceria necessários para esse
fim", esclareceu o ministro, que reiterou em seu discurso a importância do setor privado.
Em relação ao
mercado internacional, o ministro observou que ele é o grande tribunal da competitividade e oferece
ao Brasil mais oportunidades do que ameaças. Lembrou que o país tem o 7º PIB mundial, mas é apenas o 22º
país em exportações. "Temos uma participação de apenas 1,2% noE volume
total de exportações no mundo e 0,7%, se considerarmos os bens
manufaturados", comparou. Monteiro frisou que não há
política industrial sem uma política ativa de comércio exterior. "São
duas faces da mesma moeda", resumiu. Ele disse que o melhor desempenho
do comércio exterior demanda menos burocratização e que é preciso uma
maior inserção do Brasil na rede internacional de investimentos.
"Aprimorar regras de garantias é importante", citou. O ministro acrescentou que o comércio exterior demanda redução de resíduos tributários e simplificação aduaneira.

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