quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Grupo Engevix estuda possibilidade de vender empresas para fazer caixa
O grupo Engevix (Jackson Empreendimentos), assim como outras companhias investigadas pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal, está enfrentando sérias dificuldades para conseguir crédito no
mercado financeiro para suas operações. A partir desta situação, a mais grave de sua história, a empresa decidiu preparar a venda de parte de seu portfólio para fazer caixa. O grupo, de acordo com informações de analistas do setor, examina diversas possibilidades de vendas, em três dos seus quatro principais braços de atuação. A intenção é se
desfazer de apenas alguns dos ativos analisados. Com R$ 3,3 bilhões de
faturamento (no final de 2013, número mais recente disponível), a holding estuda até
sair totalmente de uma de suas subsidiárias - a de energia. Entre as
oportunidades aventadas, está a venda da participação no estaleiro Ecovix (R$
1,8 bilhão em faturamento ao fim de 2013), que tem dois contratos com
a Petrobras e com a Sete Brasil para a construção de três sondas de perfuração e
oito cascos para plataformas do pré-sal. O estaleiro fica em Rio Grande (RS). A
previsão, até há alguns meses, era que todas as unidades para a petroleira
entrassem em operação até 2017. A direção do grupo não confirmou as
informações. No ano passado, um pool formado por cinco empresas japonesas lideradas pela
Mitsubishi Heavy Industries (MHI) comprou 30% da Ecovix por cerca de US$ 300
milhões, o que daria inicialmente à participação da Engevix um valor de US$ 700
milhões - valor que pode mudar conforme avaliação financeira de compradores
eventualmente interessados. Outra opção estudada é a venda da
Desenvix, de energia (R$ 211 milhões em receita ao fim de 2013). Os atuais
acionistas são a Engevix (com 40,65%, por meio de um fundo), a norueguesa
Statkraft (40,65%) e o fundo de pensão Funcef (18,7%). A compradora
pode ser a própria Statkraft - que já teria manifestado interesse na fatia antes
mesmo de a Operação Lava-Jato surgir. Maior geradora de energia renovável da
Noruega, a companhia tem 391 usinas com capacidade total de 17,6 mil MW em
mais de 20 países. Quando entrou no negócio, em março de 2012, a
Statkraft investiu R$ 725 milhões (valor da época). Com base nesse montante e na
correção monetária, a Engevix poderia arrecadar cerca de R$ 850 milhões caso
decida vender toda a participação na Desenvix. Mas o grupo também avalia vender,
em vez de toda a fatia na empresa, apenas algumas de suas pequenas centrais
hidrelétricas (PCHs). Afora a Desenvix e a Ecovix, o grupo examina a venda
de ativos da Infravix (cujo faturamento não foi divulgado ao fim de 2013). Essa empresa tem 51% da Inframérica, controladora dos
aeroportos de Brasília (DF) e São Gonçalo do Amarante (RN). O mercado acompanha interessado o assunto, especialmente em relação ao terminal da capital federal. Já
o empreendimento nordestino ainda é visto com pouco potencial de crescimento, o
que pode limitar grandes propostas. Além dos aeroportos, a Infravix tem
participação na ViaBahia, concessionária de rodovias. O único braço
principal que não é alvo de estudos para venda é a Engevix Engenharia, companhia
criada há 50 anos para atuar principalmente em projetos. Depois transformada em
construtora, a empresa foi responsável por alavancar os demais
negócios. Os principais acionistas do grupo desde 1997 são os engenheiros José
Antunes Sobrinho, Cristiano Kok e Gerson de Mello Almada (Jackson, inclusive, é
uma junção dos nomes dos três). Almada está preso pela Polícia Federal. Kok
sofreu condução coercitiva (quando o alvo deve acompanhar os agentes para
depoimento). A sede da empresa, em Barueri (região metropolitana de São Paulo),
passou por ação de busca e apreensão. Outros grupos investigados na
Lava-Jato também encontram dificuldades na obtenção de crédito no mercado. A OAS estuda a vender diferentes ativos
em seu portfólio, como a fatia de 25% na Invepar - que controla o aeroporto de
Guarulhos (SP).
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário