segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Presidente da AEB afirma que nova estratégia do governo de investir no comércio exterior não é natural e sim falta de alternativa

       A presidente Dilma Rousseff, em meio à crise e a falta de alternativas no mercado interno para retomar o crescimento, decidiu mirar para fora para tentar reanimar a economia do país. Após quatro anos de descuido com o setor externo e a política externa, ela lançou no mês passado um plano de exportações para intensificar os acordos comerciais com outros países e dar um “novo status” ao comércio exterior brasileiro.
       Dilma citou seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, prometendo ser caixeira viajante como ele e gastar mais tempo para promover o país. Com a recuperação norte-americana e a desaceleração dos emergentes, a presidente também sinalizou que priorizará a retomada das relações com os Estados Unidos. As complicações do Mercosul, que acaba de ganhar mais um sócio, a Bolívia, segue, no entanto, inspirando críticas.
       As apostas no mercado externo fazem sentido. Apesar do Brasil ser hoje a sétima maior economia do mundo, o país ocupa a 25a posição no ranking de comércio exterior, muito aquém do seu potencial. “Sempre fomos uma economia muito fechada, a nossa participação é desproporcional ao nosso tamanho, precisa ser aumentada, ela é quase ridícula”, explicou o professor Renato Galvão Flôres Junior, da FGV/EPGE.
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      Especialistas ponderaram, no entanto, que o plano do Governo vale para várias iniciativas do segundo mandato de Dilma Rousseff:, mas entendem que as medidas chegam com atraso e merecem ser recebidas com certo ceticismo. “A decisão de investir na política externa não foi natural, simplesmente não havia outra alternativa. É uma última cartada para recuperar a economia. A nossa grande dificuldade é que estamos entrando como um cliente novo. Paramos no tempo e outros ocuparam nosso espaço”, afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

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