terça-feira, 8 de setembro de 2015

Mesmo habilitado a exportar para a China, Marfrig não vai reabrir frigorífico de Alegrete

       O frigorífico da Marfrig em Alegrete (RS), habilitado a exportar para a China, está “em situação muito difícil”. A declaração foi dada pelo presidente da companhia, Martin Secco, que também descartou a retomada de abate de bovinos na unidade, uma das quatro do grupo que estão operando no Estado. Um acordo entre a empresa e trabalhadores, celebrado no Tribunal Regional do Trabalho, em fevereiro, garantiu que a planta ficasse aberta apenas com desossa até fevereiro de 2016. Cerca de 350 empregados ainda atuam no frigorífico.
       Ao ser questionado sobre como ficará a operação após o término do prazo do acordo, o presidente da Marfrig disse que ainda não houve definição. “Não há possibilidade de retomar os abates lá, pois não tem oferta de animais”, justificou o executivo. O grupo, que é um dos maiores em processamento de proteína animal no mundo, chegou a interromper os abates em Alegrete, no começo de janeiro deste ano. Foram dadas férias de 30 dias e anunciado que, no começo de fevereiro, os mais de 600 empregados seriam demitidos devido à suspensão da atividade.
        A decisão já havia sido tomada internamente, pelo comando da companhia em São Paulo, em outubro de 2014. “O cenário de quando tomamos a decisão e hoje, não mudou nada”, avaliou Secco. “Depois de fevereiro (de 2016), vamos ver,” acrescentou. As plantas de São Gabriel e Bagé são as únicas que abatem bovinos, com volume total de 1,3 mil cabeças. O Pampeano, de Hulha Negra, processa carne para produzir o corned-beef.
        Segundo Secco, a oferta restrita de animais impede a ativação da linha de abate em Alegrete e mesmo de duas unidades, de Mato Leitão e Capão do Leão, fechadas desde 2009. O executivo descartou ainda se desfazer dos ativos. “Não vendemos porque não tem comprador”, explicou o presidente.

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