A situação do estaleiro Eisa -Petro-Um, de
Niterói (RJ), que decidiu suspender as atividades por tempo
indeterminado, abriu uma discussão na construção naval e offshore
brasileira. Os estaleiros argumentam, via sindicato da categoria, que a
Operação Lava-Jato, que investiga denúncias de desvios de recursos na
Petrobras, tornou os bancos estatais mais cautelosos na liberação de
financiamentos, o que passou a representar maior demora na obtenção de
empréstimos. A crise no Eisa Petro-Um está ligada, segundo fontes, a
atrasos na liberação de recursos pela Caixa Econômica Federal (CEF).
Fontes
próximas dos bancos estatais negaram, contudo, que tenham ocorrido
mudanças na forma de analisar os créditos para o setor. Fonte reconheceu
que, eventualmente, pode haver uma situação em que o risco de uma
empresa se deteriora, o que tende a aumentar as exigências bancárias. O Estaleiro vai suspender atividades até que fobia da Lava-Jato termine e as pessoas decidam sem medo, disse uma fonte
O
Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e
Offshore (Sinaval), que representa os estaleiros, diz que os bancos
estatais que atuam como agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante
(FMM) aumentaram o rigor das garantias a armadores e estaleiros. O FMM é
a fonte de financiamento de longo prazo para o setor e é administrado
por um departamento na estrutura do Ministério dos Transportes. Os
principais agentes financeiros do fundo são Banco Nacional
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil (BB) e Caixa
Econômica Federal (CEF).
"Os funcionários das áreas técnicas dos
bancos estão com medo de colocar o CPF deles nas liberações dos
financiamentos", disse uma fonte do setor. "O BNDES não tornou mais
severas nem aumentou as exigências para a concessão de financiamentos
com recursos do Fundo da Marinha Mercante", disse o banco de fomento.
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