O Porto de Luiz Correia, o único do Piauí, poderia entrar para o Guiness, como a obra portuária mais demorada do mundo, há 40 anos em execução, e sem previsão de conclusão. Mas a situação não tem nada de cômica, de fato é um entrave para as exportações locais. Mesmo sem a perspectiva imediata da inauguração do
terminal, o estado se prepara para ter sua primeira Zona de
Processamento de Exportação (ZPE), área de livre comércio onde as
empresas com produção voltada para o mercado internacional irão atuar. A unidade fica em Parnaíba, no Litoral.
Segundo o governo, as empresas
receberão incentivos tributários, cambiais e administrativos. Apesar do
estímulo, empresários que se instalarão na ZPE lamentam a ausência de
um porto para escoar a produção e temem o aumento nos custos. O Piauí é o único estado do Brasil que não tem um terminal marítimo. A obra
está parada desde 2011. Diante disso, a distribuição da produção na ZPE
será feita pelos portos de Pecém, no Ceará, que fica 471 Km, ou pelo
porto de Itaqui em São Luís, a 434 Km. Enquanto isso, a estrutura
enferrujada onde deveria ser o terminal em Luís Correia fica a 20 Km. Empresários,
como o cearense Marcelo Passos que acreditou no investimento da área de
livre comércio, temem que os valores de escoamento tenham um reajuste
considerável. A empresa dele foi a primeira a se instalar na Zona de
Processamento de Exportação piauiense. Ele pretende exportar cera de
carnaúba a partir de setembro deste ano.
“O custo de frete
terrestre é mais caro que o marítimo então você exportando uma
mercadoria do porto de Luís Correia teria um custo de logística muito
inferior do que levando para o porto de Pecém. O ideal seria que a
distribuição fosse feita através do porto que fica a poucos quilômetros
da ZPE”, comentou o empresário. Além da fábrica de Marcelo,
outras nove indústrias já apresentaram cartas de intenção para também
investir na ZPE, mas somente três foram aprovadas. Nesta etapa, os ramos
industrias que serão contemplados são: fármaco químicos, cera de
carnaúba, babaçu, couros e peles, alimentos, pedras preciosas e
minérios, biocombustíveis e empresas para o segmento de serviços na área
de tecnologia da informação.
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