A China Offshore Oil Engineering
Corporation (COOEC) manifestou interesse em entrar como sócia no Estaleiro Rio
Grande (ERG), da Engevix Construções Oceânicas (Ecovix), segundo
confirmaram fontes do segmento naval. O estaleiro vem enfrentando
dificuldades financeiras e busca alternativas para se capitalizar desde
que a Engevix, sua controladora, foi envolvida nas denúncias da Operação
Lava-Jato, que investiga desvios de recursos da Petrobras. A partir de
2016, o ERG vai precisar passar por uma capitalização em valor entre R$
500 milhões e R$ 600 milhões.
O aporte de recursos será
necessário considerando os investimentos já feitos no ERG, um estaleiro
novo, e também o fato de que a empresa contava com financiamentos de
bancos públicos, entre os quais da Caixa Econômica Federal (CEF), que
até agora não foram liberados. Uma fonte disse que o ERG tinha parcela
de R$ 62 milhões da CEF para receber, relativa a obras realizadas no
estaleiro, mas o dinheiro não saiu. O ERG também tinha expectativa de
receber mais de R$ 500 milhões em outro financiamento com recursos do
Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento de longo prazo
para o setor, empréstimo que não se confirmou. Uma fonte disse que esse
financiamento estava em negociação quando surgiram as denúncias da
Lava-jato.
Procurada para falar sobre o financiamento ao ERG, a
CEF respondeu em nota: "A Caixa Econômica Federal esclarece que as informações
solicitadas são protegidas por sigilo bancário. No entanto, a Caixa
ressalta que está cumprindo todos os procedimentos previstos em
contrato." Desde 2013, a Ecovix, dona do ERG, é controlada pelo grupo
Engexiv em parceria com um consórcio de empresas japonesas lideradas
pela Mitsubishi Heavy Industries (MHI). Os japoneses aportaram cerca de
US$ 300 milhões para ficar com 30% da Ecovix.
A mesma fonte disse que
os japoneses não têm condições hoje de fazer um aumento de capital no
estaleiro, mas manifestaram intenção de permanecer com sua fatia na
Ecovix apostando na demanda futura do setor. Há quem entenda no mercado
que a permanência dos japoneses pode dificultar a entrada da COOEC no
ERG. "Não há qualquer conflito societário ou de interesses. Há conversas
que buscam olhar a estrutura de capital do estaleiro para a frente",
rebateu fonte próxima das discussões.
A situação do ERG, com
caixa apertado, evidência a importância da entrada de novos investidores
no capital do estaleiro. Fonte disse que há várias possibilidades sendo
analisadas, entre as quais a entrada dos chineses, mas também o aporte
de fundos de investimento. A Engevix tem interesse de vender sua
participação como forma de livrar-se da dívida, disse outra fonte. Os
japoneses, por sua vez, têm direito de preferência pelo acordo de
acionistas em uma eventual venda da fatia acionária da Engevix, mas
querem um sócio brasileiro para o negócio. Até agora, porém, não existe
uma proposta dos chineses para comprar parte do ERG.
O ERG está
pronto e tem encomendas da Petrobras para a construção de oito cascos de
navios-plataforma, conhecidos como "replicantes", que serão usados no
desenvolvimento do pré-sal. O plano de negócios da estatal para o
período 2015-2019 prevê que cinco "replicantes" serão concluídas entre
2017 e 2018. O estaleiro também tem encomendas de três sondas de
perfuração da Sete Brasil, mas na reestruturação da empresa esse número
de pode cair para duas. O ERG é visto, hoje, como uma peça-chave para
garantir a curva de produção da Petrobras.
A COOEC pertence ao
mesmo grupo da China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), sócia da
Petrobras no campo de Libra, no pré-sal. O desenvolvimento de Libra vai
demandar novas plataformas que poderão ser erguidas no ERG no futuro.
Em maio, a COOEC fez acordo com o consórcio Integra (Mendes Junior /
OSX) para assumir o contrato de integração de módulos das plataformas
"replicantes" P-67 e P-70.
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