A descentralização dos portos brasileiros foi tema de encontro hoje
(30), na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na
capital paulista. No estado de São Paulo, os embarques são feitos pelo Porto de Santos (foto),
o mais importante do país por movimentar um terço das exportações e
importações, administrado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo
(Codesp), vinculada ao governo federal.
José Alex Botelho de Oliva, presidente da Companhia Docas do Estado
de São Paulo (Codesp), é favorável à descentralização como forma de
reduzir a burocracia no Porto de Santos. Ele acredita que a empresa
pública precisa ter como objetivo a geração de lucro, recurso a ser
revertido para investimento em obras de melhorias.
Nesse contexto, ele defendeu o reajuste de tarifa de 16,7% autorizado
em maio deste ano pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários
(Antaq). Segundo ele, o último reajuste ocorreu em maio de 2015. “Se não
tiver [reajuste tarifário], voltamos para o vermelho”, disse.
O secretário nacional de portos do Ministério dos Transportes, Portos
e Aviação Civil, Luiz Otávio Oliveira Campos, defende a abertura de
capital em todos os portos do Brasil. “Se tivermos a capacidade de abrir o capital para os arrendatários,
usuários, operadores e industriais o nosso comércio ganha agilidade,
capacidade de gestão e investimento. Teremos muito sucesso”, declarou.
Ele acredita também na descentralização. Na última terça-feira (28),
foi publicado no Diário Oficial da União a delegação do Porto de Manaus,
que passa da responsabilidade do governo federal para o estado do
Amazonas. “A autoridade portuária agora pode investir e diminuir as
burocracias. Estamos numa posição de vanguarda”, disse.
Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos, disse que “não faz
sentido” que o governo estadual seja responsável por prover o acesso
rodoviário ao Porto de Santos e não ter, como contrapartida,
participação como autoridade portuária. “Precisamos de novo modelo de
gestão, em que os entes da federação possam participar”, disse.
“No mundo inteiro, os portos são gestões descentralizadas, o poder
local é fortalecido. Os impactos da atividade portuária se concentram no
município. O Brasil precisa avançar na descentralização”, finalizou.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Estaleiro Vard busca atuação mais forte na área de reparo naval para driblar a crise
O
setor naval ainda vive à sombra da crise e da falta de novas encomendas no
horizonte. Mas os estaleiros nacionais não se rendem diante do cenário difícil,
buscando alternativas para manter as atividades e, consequentemente, diversos
empregos. É o caso do Vard Promar, na cidade de Ipojuca, em Pernambuco.
A
estratégia traçada - e que já está sendo colocada em prática - é buscar uma
atuação mais firme na área de reparo naval, conforme revela o vice-presidente
sênior da Vard no Brasil, Guilherme Coelho. Outra oportunidade que traz
bastante esperança é a licitação das corvetas para a Marinha do Brasil.
“Estamos
trabalhando fortemente para estarmos competitivos e ganharmos esse projeto.
Isso geraria trabalho por quase oito anos”, afirmou o executivo. Hoje, o
estaleiro está atuando na construção de três embarcações, sendo que duas delas
têm entrega prevista para outubro: um navio gaseiro para a Transpetro e um píer
flutuante para o Porto de Kingston, na Jamaica.
Movimentação de cargas nos terminais marítimos de Portugal cai 9,8% em 2018
Os portos portugueses movimentaram 29,8 milhões de toneladas de mercadorias nos primeiros quatro meses do ano, uma queda de 9,8% em relação a igual período de 2017. De acordo com os dados publicados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, em abril, a movimentação de mercadorias cresceu 8,8% na comparação com março, mas registrou diminuição de 6,8% face a abril do ano passado.
A influenciar esta dinâmica negativa esteve, sobretudo, o comportamento negativo registrado no porto de Sines, que apresentou uma redução na movimentação de mercadorias de cerca de 18%. Segundo a AMT, esta queda “é reflexo da diminuição no tráfego de Carga Conteinerizada (-22,2%) e ainda nos Produtos Petrolíferos (-15,5%) e no Carvão (-26%). Os portos de Leixões e Aveiro, por sua vez, foram os únicos a registrar crescimentos, com uma evolução de 0,4% e 8,7%, respectivamente.
A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes indica ainda que, com estes resultados, o porto de Sines vê a sua quota de mercado cair para 50% do total do sistema portuário do Continente, menos 5% do que no período homólogo. O porto de Leixões, por outro lado, é a unidade portuária que mais ganha quota de mercado, crescendo 2,1% e passando a representar 20,9% do mercado portuário nacional.
Correios podem arrecadar até R$ 90 milhões ao mês com despacho postal
A
cobrança de R$ 15 por encomenda importada pode gerar aos cofres dos Correios
entre R$ 1,5 milhão e R$ 4,5 milhão por dia. Segundo o presidente da empresa
estatal, Carlos Roberto Fortner, com o aumento das compras em sites e
empresas do exterior, o volume de mercadorias que os Correios recebe do
exterior cresceu de forma inesperada, variando entre 100 mil e 300 mil
objetos/dia.
Considerados estes números e um mês
com 20 dias úteis, o aporte de recursos financeiros com o início da cobrança do
despacho postal pode chegar a R$ 90 milhões mensais. Valor que Fortner assegura
que a empresa investirá na melhoria do serviço prestado aos clientes.
“O valor arrecadado com a
cobrança será destinado a custear a estrutura necessária ao desembaraço
alfandegário, um custo que estava sendo embutido em outros serviços”, disse o
presidente ao explicar a jornalistas os motivos da cobrança, que entrou
em vigor na
última segunda-feira (27).
Antes, o serviço era cobrado apenas
de objetos tributados pela Receita Federal e que representam cerca de 3% do
volume total de mercadorias importadas recebidas pelos Correios, o que não
chega a alterar a expectativa média de faturamento com a cobrança.
O que pode sim afetar os resultados,
segundo a empresa, é um eventual aumento no percentual de mercadorias
devolvidas por consumidores que, eventualmente, desistam de retirar os produtos
comprados para não ter de pagar os R$ 15. Nestes casos, os objetos são
devolvidos aos exportadores com custos de manuseio, estocagem e envio para os
Correios.
“Com a reorganização, a qualidade dos
serviços é melhorada e a velocidade do desembaraço alfandegário e da entrega
das mercadorias passa a ser mais rápida”, assegurou o presidente dos Correios.
Segundo ele, a cobrança do despacho postal já é uma prática comum em outros
países e o valor estabelecido pelos Correios é, em média, quatro vezes menor
que os cobrados por empresas privadas que atuam no Brasil neste mesmo segmento.
“Como o volume de encomendas era
pequeno, os custos estavam diluídos pelo restante das operações. Com o
crescimento da quantidade de objetos importados, foi necessário organizar
serviços complementares e reorganizar o serviço de maneira a lhe dar maior
transparência e permitir que cada cliente pague apenas aquilo que tem que
pagar”, acrescentou o presidente dos Correios.
De acordo com Fortner, entre 2016 e
2017, o volume de mercadorias importadas recebidas pelos Correios cresceu cerca
de 80%. Mesmo com a alta do dólar, até junho deste ano a empresa já registrava
um novo acréscimo do volume de serviço, da ordem de 32%.
Segundo a área técnica da estatal, em
2017 os Correios receberam, em média, 189 mil encomendas importadas por dia. Já
no primeiro semestre deste ano, foram 242 mil objetos/dia. Toda essa mercadoria
tem que ser separada, estocada e inspecionada por servidores dos Correios que
dão suporte ao desembaraço alfandegário.
Quando necessário, a estatal ainda
tem de providenciar o tratamento adequado a objetos cuja importação é proibida
ou que ofereçam algum tipo de risco fitossanitário; recolher e repassar à
Receita Federal eventuais tributos de importação não pagos e, por fim, avisar
os destinatários sobre a presença dos objetos. “É um serviço que precisa ser
remunerado, que não podemos oferecer de graça, pois precisamos ter
sustentabilidade econômico-financeira”, ponderou Fortner.
Quem está aguardando encomendas do
exterior, deve acessar o sistema de rastreamento de objetos e, se necessário,
realizar o pagamento do despacho postal por meio de boleto ou cartão de
crédito. O prazo de entrega do objeto, conforme o serviço contratado no momento
da compra, passa a contar a partir da data da confirmação do pagamento. As
informações e orientações sobre os procedimentos de importação estão
disponíveis no site dos Correios.
Apesar das justificativas, o início
da cobrança motivou usuários do portal e-Cidadania, do Senado Federal, a
apresentarem ao menos quatro
propostas de
revogação da cobrança da taxa. Uma delas já conta com o apoio de 13.624
internautas cadastrados no portal.
Caso alcance 20 mil apoios até o
próximo dia 26 de dezembro, a sugestão será encaminhada à Comissão de Direitos
Humanos e Legislação Participativa (CDH), responsável por, confirmada a
legalidade das ideias legislativas apresentadas por cidadãos, transformá-las em
sugestões legislativas para que sejam debatidas pelos senadores.
Porto Itapoá conclui primeira fase da expansão e dobra capacidade
Um
investimento de R$ 360 milhões dobrou a capacidade instalada do Porto Itapoá,
no norte de Santa Catarina, para 1,2 milhão de teus por ano. Com projeto
original que previa o início da ampliação somente neste ano, o terminal iniciou
obras dois anos antes do previsto – em 2016 – devido à estratégia comercial e à
alta demanda de mercado, contemplando 100 mil m² adicionais de pátio e 170
metros de píer.
A expectativa é de que a nova
capacidade instalada seja completamente utilizada até o fim de 2019. Com a nova
estrutura, o Porto Itapoá vai gerar 300 novos postos de trabalho a partir deste
ano e passa a ter uma das maiores capacidades instaladas de movimentação de
contêineres do Sul. O terminal também se destaca pelos índices de produtividade
e agilidade. “Trabalhamos com um dos melhores índices de MPH (movimentos por
hora) do país, com recordes que chegam a mais de 150 MPH. Além disso, nossos
indicadores de liberação de cargas também têm sido um dos mais ágeis dentre os
portos brasileiros”, enfatiza Cassio Schreiner, diretor-presidente do terminal.
Quinto terminal em movimentação de
contêineres no Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq), o Porto Itapoá atua com cargas que têm como origem ou
destino todos os estados da região Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito
Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraguai. “Ao longo do ano, atendemos
às diversas regiões de maneira bem distribuída, o que coloca o porto como uma
alternativa logística para a maior parte da cadeia produtiva nacional”, explica
Cassio.
Segundo ele, os excelentes
indicadores de produtividade e agilidade dos serviços também contribuíram para
que, “em apenas três anos de operação, pudéssemos iniciar os trabalhos de
expansão, culminando com o início da obra em outubro de 2016”. A terceira fase
do empreendimento prevê 200 mil m² adicionais de pátio (já com aterro
concluído) e um novo berço de atracação com 410 metros. A evolução dessa obra
está prevista para os próximos três anos.
Somente no ano passado, o Porto
Itapoá teve um acréscimo de 14% em sua movimentação total em relação ao ano
interior, incluindo exportações, importações, cabotagem, transbordos e
contêineres vazios. A previsão para 2018 é que o porto movimente 22% a mais em
relação a 2017.
Dólar valorizado deixa exportadores mais aliviados
A maior
parte dos brasileiros vê com preocupação a forte valorização do dólar. Mas um
pequeno grupo respira aliviado: os exportadores, de frango e grãos a calçados.
O avanço da moeda americana frente ao real ajuda a engordar o caixa dessas empresas
e a reduzir, ao menos em parte, o impacto do aumento de alguns custos de
produção, como o frete, e a perda de mercados compradores no exterior.
No ano, o dólar acumula valorização
de 25%. Analistas esperam que a cotação da moeda, que nesta terça-feira atingiu
R$ 4,141, recue após as eleições e feche 2018 em R$ 3,70. Se esse cenário se
confirmar, a rentabilidade dos exportadores vai subir 12% este ano, segundo
cálculos de André Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio
Exterior (Funcex).
Para os exportadores de frango - que
perderam mercado externo este ano depois de a União Europeia suspender a compra
de produtos brasileiros devido aos problemas sanitários apontados pela Operação
Carne Fraca -, a alta do dólar pode ajudar a conseguir resultados “empatados”
com as vendas ao exterior no ano passado.
O setor abriu novas frentes de venda,
como a Coreia do Sul, que voltou a comprar o frango brasileiro. Mas as
exportações, em volume, devem encolher até 3% em relação a 2017. No início do
ano, esperava-se crescimento de 2% a 4%.
- Se o dólar continuar no atual
patamar e as exportações ficarem acima das 400 mil toneladas ao mês, empatamos
em zero a zero - diz Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercado da
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), lembrando que já houve aumento
de custos por causa da alta do preço dos grãos e do valor mínimo do frete.
No caso dos grãos, os produtores de
soja ainda não fizeram os cálculos do impacto de um dólar mais valorizado nas
exportações. Mas o câmbio mais favorável e um “prêmio” pela soja brasileira em
decorrência da disputa comercial entre China e Estados Unidos, beneficiam o
produto brasileiro, reconheceu Sergio Castanho Teixeira Mendes, diretor-geral
da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec).
Ainda assim, o aumento do frete
deixará um passivo, diz Mendes. A Anec estima custo adicional de US$ 2,4
bilhões sobre os 118 milhões de toneladas (soja, farelo de soja e milho) a
serem exportadas. “Neste momento, nossa principal questão é a alta do frete,
que traz falta de previsibilidade ao setor. As exportações de milho podem cair
por causa desse aumento de custo, e o Brasil pode deixar de ser o segundo maior
exportador do produto”, diz Mendes.
Mas o setor de calçados, apesar de
também ganhar com as exportações, está menos eufórico com a alta do dólar. De
acordo com Heitor Klein, presidente da Abicalçados, entidade que representa o
setor, a volatilidade da moeda atrapalha a formação de preços:
- As empresas não sabem como estará o
dólar em 15 dias. Há muita incerteza, e a expectativa é que o dólar recue para
entre R$ 3,70 e R$3,60 até o fim do ano. Não dá para contar com esse ganho do
dólar a R$ 4. O empresário Marlin Kohlrausch, dono da Bibi Calçados, que tem
104 lojas no Brasil, duas no exterior e exporta para 70 países, lembra que,
assim como o real se desvalorizou frente ao dólar, outras moedas de países
emergentes também perderam valor, o que faz com que o produto brasileiro fique
mais caro nesses mercados. “Esses países vão comprar menos”, pondera. O
economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, também vê problemas
na valorização do dólar: “Essa oscilação da moeda é muito ruim, porque representa
um componente a mais de incerteza”.
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