quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Presidente da Codesp pede descentralização dos portos brasileiros

          A descentralização dos portos brasileiros foi tema de encontro hoje (30), na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. No estado de São Paulo, os embarques são feitos pelo Porto de Santos (foto), o mais importante do país por movimentar um terço das exportações e importações, administrado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), vinculada ao governo federal.
          José Alex Botelho de Oliva, presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), é favorável à descentralização como forma de reduzir a burocracia no Porto de Santos. Ele acredita que a empresa pública precisa ter como objetivo a geração de lucro, recurso a ser revertido para investimento em obras de melhorias.
          Nesse contexto, ele defendeu o reajuste de tarifa de 16,7% autorizado em maio deste ano pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Segundo ele, o último reajuste ocorreu em maio de 2015. “Se não tiver [reajuste tarifário], voltamos para o vermelho”, disse.
          O secretário nacional de portos do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Luiz Otávio Oliveira Campos, defende a abertura de capital em todos os portos do Brasil. “Se tivermos a capacidade de abrir o capital para os arrendatários, usuários, operadores e industriais o nosso comércio ganha agilidade, capacidade de gestão e investimento. Teremos muito sucesso”, declarou.
          Ele acredita também na descentralização. Na última terça-feira (28), foi publicado no Diário Oficial da União a delegação do Porto de Manaus, que passa da responsabilidade do governo federal para o estado do Amazonas. “A autoridade portuária agora pode investir e diminuir as burocracias. Estamos numa posição de vanguarda”, disse.
          Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos, disse que “não faz sentido” que o governo estadual seja responsável por prover o acesso rodoviário ao Porto de Santos e não ter, como contrapartida, participação como autoridade portuária. “Precisamos de novo modelo de gestão, em que os entes da federação possam participar”, disse.
          “No mundo inteiro, os portos são gestões descentralizadas, o poder local é fortalecido. Os impactos da atividade portuária se concentram no município. O Brasil precisa avançar na descentralização”, finalizou.

Estaleiro Vard busca atuação mais forte na área de reparo naval para driblar a crise


          O setor naval ainda vive à sombra da crise e da falta de novas encomendas no horizonte. Mas os estaleiros nacionais não se rendem diante do cenário difícil, buscando alternativas para manter as atividades e, consequentemente, diversos empregos. É o caso do Vard Promar, na cidade de Ipojuca, em Pernambuco.
           A estratégia traçada - e que já está sendo colocada em prática - é buscar uma atuação mais firme na área de reparo naval, conforme revela o vice-presidente sênior da Vard no Brasil, Guilherme Coelho. Outra oportunidade que traz bastante esperança é a licitação das corvetas para a Marinha do Brasil.
           “Estamos trabalhando fortemente para estarmos competitivos e ganharmos esse projeto. Isso geraria trabalho por quase oito anos”, afirmou o executivo. Hoje, o estaleiro está atuando na construção de três embarcações, sendo que duas delas têm entrega prevista para outubro: um navio gaseiro para a Transpetro e um píer flutuante para o Porto de Kingston, na Jamaica.

Movimentação de cargas nos terminais marítimos de Portugal cai 9,8% em 2018


          Os portos portugueses movimentaram 29,8 milhões de toneladas de mercadorias nos primeiros quatro meses do ano, uma queda de 9,8% em relação a igual período de 2017. De acordo com os dados publicados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, em abril, a movimentação de mercadorias cresceu 8,8% na comparação com março, mas registrou diminuição de 6,8% face a abril do ano passado.
          A influenciar esta dinâmica negativa esteve, sobretudo, o comportamento negativo registrado no porto de Sines, que apresentou uma redução na movimentação de mercadorias de cerca de 18%. Segundo a AMT, esta queda “é reflexo da diminuição no tráfego de Carga Conteinerizada (-22,2%) e ainda nos Produtos Petrolíferos (-15,5%) e no Carvão (-26%). Os portos de Leixões e Aveiro, por sua vez, foram os únicos a registrar crescimentos, com uma evolução de 0,4% e 8,7%, respectivamente.
          A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes indica ainda que, com estes resultados, o porto de Sines vê a sua quota de mercado cair para 50% do total do sistema portuário do Continente, menos 5% do que no período homólogo. O porto de Leixões, por outro lado, é a unidade portuária que mais ganha quota de mercado, crescendo 2,1% e passando a representar 20,9% do mercado portuário nacional.

Correios podem arrecadar até R$ 90 milhões ao mês com despacho postal


          A cobrança de R$ 15 por encomenda importada pode gerar aos cofres dos Correios entre R$ 1,5 milhão e R$ 4,5 milhão por dia. Segundo o presidente da empresa estatal, Carlos Roberto Fortner, com o aumento das compras em sites e empresas do exterior, o volume de mercadorias que os Correios recebe do exterior cresceu de forma inesperada, variando entre 100 mil e 300 mil objetos/dia.
          Considerados estes números e um mês com 20 dias úteis, o aporte de recursos financeiros com o início da cobrança do despacho postal pode chegar a R$ 90 milhões mensais. Valor que Fortner assegura que a empresa investirá na melhoria do serviço prestado aos clientes.
          “O valor arrecadado com a cobrança será destinado a custear a estrutura necessária ao desembaraço alfandegário, um custo que estava sendo embutido em outros serviços”, disse o presidente ao explicar a jornalistas os motivos da cobrança, que entrou em vigor na última segunda-feira (27).
          Antes, o serviço era cobrado apenas de objetos tributados pela Receita Federal e que representam cerca de 3% do volume total de mercadorias importadas recebidas pelos Correios, o que não chega a alterar a expectativa média de faturamento com a cobrança.
          O que pode sim afetar os resultados, segundo a empresa, é um eventual aumento no percentual de mercadorias devolvidas por consumidores que, eventualmente, desistam de retirar os produtos comprados para não ter de pagar os R$ 15. Nestes casos, os objetos são devolvidos aos exportadores com custos de manuseio, estocagem e envio para os Correios.
          “Com a reorganização, a qualidade dos serviços é melhorada e a velocidade do desembaraço alfandegário e da entrega das mercadorias passa a ser mais rápida”, assegurou o presidente dos Correios. Segundo ele, a cobrança do despacho postal já é uma prática comum em outros países e o valor estabelecido pelos Correios é, em média, quatro vezes menor que os cobrados por empresas privadas que atuam no Brasil neste mesmo segmento.
          “Como o volume de encomendas era pequeno, os custos estavam diluídos pelo restante das operações. Com o crescimento da quantidade de objetos importados, foi necessário organizar serviços complementares e reorganizar o serviço de maneira a lhe dar maior transparência e permitir que cada cliente pague apenas aquilo que tem que pagar”, acrescentou o presidente dos Correios.
          De acordo com Fortner, entre 2016 e 2017, o volume de mercadorias importadas recebidas pelos Correios cresceu cerca de 80%. Mesmo com a alta do dólar, até junho deste ano a empresa já registrava um novo acréscimo do volume de serviço, da ordem de 32%.
          Segundo a área técnica da estatal, em 2017 os Correios receberam, em média, 189 mil encomendas importadas por dia. Já no primeiro semestre deste ano, foram 242 mil objetos/dia. Toda essa mercadoria tem que ser separada, estocada e inspecionada por servidores dos Correios que dão suporte ao desembaraço alfandegário.
          Quando necessário, a estatal ainda tem de providenciar o tratamento adequado a objetos cuja importação é proibida ou que ofereçam algum tipo de risco fitossanitário; recolher e repassar à Receita Federal eventuais tributos de importação não pagos e, por fim, avisar os destinatários sobre a presença dos objetos. “É um serviço que precisa ser remunerado, que não podemos oferecer de graça, pois precisamos ter sustentabilidade econômico-financeira”, ponderou Fortner.
          Quem está aguardando encomendas do exterior, deve acessar o sistema de rastreamento de objetos e, se necessário, realizar o pagamento do despacho postal por meio de boleto ou cartão de crédito. O prazo de entrega do objeto, conforme o serviço contratado no momento da compra, passa a contar a partir da data da confirmação do pagamento. As informações e orientações sobre os procedimentos de importação estão disponíveis no site dos Correios.
          Apesar das justificativas, o início da cobrança motivou usuários do portal e-Cidadania, do Senado Federal, a apresentarem ao menos quatro propostas de revogação da cobrança da taxa. Uma delas já conta com o apoio de 13.624 internautas cadastrados no portal.
          Caso alcance 20 mil apoios até o próximo dia 26 de dezembro, a sugestão será encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), responsável por, confirmada a legalidade das ideias legislativas apresentadas por cidadãos, transformá-las em sugestões legislativas para que sejam debatidas pelos senadores.

Porto Itapoá conclui primeira fase da expansão e dobra capacidade


          Um investimento de R$ 360 milhões dobrou a capacidade instalada do Porto Itapoá, no norte de Santa Catarina, para 1,2 milhão de teus por ano. Com projeto original que previa o início da ampliação somente neste ano, o terminal iniciou obras dois anos antes do previsto – em 2016 – devido à estratégia comercial e à alta demanda de mercado, contemplando 100 mil m² adicionais de pátio e 170 metros de píer.
          A expectativa é de que a nova capacidade instalada seja completamente utilizada até o fim de 2019. Com a nova estrutura, o Porto Itapoá vai gerar 300 novos postos de trabalho a partir deste ano e passa a ter uma das maiores capacidades instaladas de movimentação de contêineres do Sul. O terminal também se destaca pelos índices de produtividade e agilidade. “Trabalhamos com um dos melhores índices de MPH (movimentos por hora) do país, com recordes que chegam a mais de 150 MPH. Além disso, nossos indicadores de liberação de cargas também têm sido um dos mais ágeis dentre os portos brasileiros”, enfatiza Cassio Schreiner, diretor-presidente do terminal.
          Quinto terminal em movimentação de contêineres no Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Porto Itapoá atua com cargas que têm como origem ou destino todos os estados da região Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraguai. “Ao longo do ano, atendemos às diversas regiões de maneira bem distribuída, o que coloca o porto como uma alternativa logística para a maior parte da cadeia produtiva nacional”, explica Cassio.
          Segundo ele, os excelentes indicadores de produtividade e agilidade dos serviços também contribuíram para que, “em apenas três anos de operação, pudéssemos iniciar os trabalhos de expansão, culminando com o início da obra em outubro de 2016”. A terceira fase do empreendimento prevê 200 mil m² adicionais de pátio (já com aterro concluído) e um novo berço de atracação com 410 metros. A evolução dessa obra está prevista para os próximos três anos.
          Somente no ano passado, o Porto Itapoá teve um acréscimo de 14% em sua movimentação total em relação ao ano interior, incluindo exportações, importações, cabotagem, transbordos e contêineres vazios. A previsão para 2018 é que o porto movimente 22% a mais em relação a 2017.

Dólar valorizado deixa exportadores mais aliviados


          A maior parte dos brasileiros vê com preocupação a forte valorização do dólar. Mas um pequeno grupo respira aliviado: os exportadores, de frango e grãos a calçados. O avanço da moeda americana frente ao real ajuda a engordar o caixa dessas empresas e a reduzir, ao menos em parte, o impacto do aumento de alguns custos de produção, como o frete, e a perda de mercados compradores no exterior.
          No ano, o dólar acumula valorização de 25%. Analistas esperam que a cotação da moeda, que nesta terça-feira atingiu R$ 4,141, recue após as eleições e feche 2018 em R$ 3,70. Se esse cenário se confirmar, a rentabilidade dos exportadores vai subir 12% este ano, segundo cálculos de André Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
          Para os exportadores de frango - que perderam mercado externo este ano depois de a União Europeia suspender a compra de produtos brasileiros devido aos problemas sanitários apontados pela Operação Carne Fraca -, a alta do dólar pode ajudar a conseguir resultados “empatados” com as vendas ao exterior no ano passado.
          O setor abriu novas frentes de venda, como a Coreia do Sul, que voltou a comprar o frango brasileiro. Mas as exportações, em volume, devem encolher até 3% em relação a 2017. No início do ano, esperava-se crescimento de 2% a 4%.
          - Se o dólar continuar no atual patamar e as exportações ficarem acima das 400 mil toneladas ao mês, empatamos em zero a zero - diz Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), lembrando que já houve aumento de custos por causa da alta do preço dos grãos e do valor mínimo do frete.
          No caso dos grãos, os produtores de soja ainda não fizeram os cálculos do impacto de um dólar mais valorizado nas exportações. Mas o câmbio mais favorável e um “prêmio” pela soja brasileira em decorrência da disputa comercial entre China e Estados Unidos, beneficiam o produto brasileiro, reconheceu Sergio Castanho Teixeira Mendes, diretor-geral da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec).
          Ainda assim, o aumento do frete deixará um passivo, diz Mendes. A Anec estima custo adicional de US$ 2,4 bilhões sobre os 118 milhões de toneladas (soja, farelo de soja e milho) a serem exportadas. “Neste momento, nossa principal questão é a alta do frete, que traz falta de previsibilidade ao setor. As exportações de milho podem cair por causa desse aumento de custo, e o Brasil pode deixar de ser o segundo maior exportador do produto”, diz Mendes.
          Mas o setor de calçados, apesar de também ganhar com as exportações, está menos eufórico com a alta do dólar. De acordo com Heitor Klein, presidente da Abicalçados, entidade que representa o setor, a volatilidade da moeda atrapalha a formação de preços:
          - As empresas não sabem como estará o dólar em 15 dias. Há muita incerteza, e a expectativa é que o dólar recue para entre R$ 3,70 e R$3,60 até o fim do ano. Não dá para contar com esse ganho do dólar a R$ 4. O empresário Marlin Kohlrausch, dono da Bibi Calçados, que tem 104 lojas no Brasil, duas no exterior e exporta para 70 países, lembra que, assim como o real se desvalorizou frente ao dólar, outras moedas de países emergentes também perderam valor, o que faz com que o produto brasileiro fique mais caro nesses mercados. “Esses países vão comprar menos”, pondera. O economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, também vê problemas na valorização do dólar: “Essa oscilação da moeda é muito ruim, porque representa um componente a mais de incerteza”.