terça-feira, 10 de setembro de 2024

Tecon Rio Grande registra aumento expressivo na movimentação de pellets de madeira


A Wilson Sons, maior operador de logística portuária e marítima do mercado brasileiro, registrou um expressivo aumento na movimentação de pellets de madeira pelo Tecon Rio Grande. O crescimento de 83% corresponde aos primeiros oito meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2023. Foram 2.748 TEU (unidade correspondente a um contêiner de 20 pés), 1.250 a mais que 2023, equivalente a 1.374 contêineres ou 38.529 toneladas.

O aumento da movimentação no Tecon Rio Grande se deve, em especial, às exportações de pellets da empresa Todesmade, uma indústria madeireira do Grupo Todeschini, que tem como principal destino a Itália. O insumo consiste em um granulado de madeira, com tamanho entre 1 e 4 centímetros de comprimento, oriundo de reflorestamento e considerado importante fonte de energia renovável, eficiente e limpa. 

Os pellets de madeira vêm se tornando uma tendência no Brasil e em outros países. Por ser um biocombustível, sua comercialização é uma alternativa sustentável em relação aos combustíveis fósseis tradicionais, servindo, por exemplo, como uma importante fonte de energia para o aquecimento residencial e comercial de baixo impacto ambiental. De acordo com o Centro de Investigação em Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês), a transição para energias renováveis é um dos fatores que contribuíram para que a União Europeia obtivesse uma redução de 7,6% nas emissões de CO2 em 2023.

Paulo Bertinetti, diretor-presidente do Tecon Rio Grande, observa a tendência da exportação de fontes de energia renováveis em uma crescente. “Em um mundo onde se observa a necessidade de buscar alternativas de consumo, que estejam de acordo com as práticas ambientais e o foco em mitigar impactos, o uso de matérias-primas como os pellets de madeira se tornam uma opção muito válida”, comenta. “Nós temos um olhar especial e atento para este segmento e oferecemos todo o suporte necessário para que empresas como a Todesmade possam operar a partir do terminal”, completa Bertinetti.

Andréa Dolfini, gerente de exportação da Todesmade, analisa o cenário do mercado para a exportação do insumo. "Prever com precisão o cenário de exportação de pellets para 2024 é desafiador, devido a uma série de variáveis em jogo, como a demanda global, mudanças climáticas, entre outros fatores. O uso do pellet como fonte de energia e calor ainda é muito baixo no mercado interno, por isso, o desenvolvimento de novos mercados é essencial”, afirma. “Hoje, o Brasil tem a Itália como o maior importador e ainda não atingimos com a mesma força outros mercados. Praticamente toda produção é exportada para uso residencial, contudo, a crescente demanda global por fontes de energia renováveis é um ponto positivo que poderá mudar esse cenário a nível futuro. E neste sentido, buscamos sempre nos adaptar às atualizações do mercado e continuar investindo em produção eficiente e sustentável. Levando em consideração os cenários de anos passados, acreditamos que 2024 será um período de sucesso para a exportação de pellets", acrescenta Andréa. 

O Tecon Rio Grande é a principal via de acesso do Rio Grande do Sul para o Brasil e o mundo, tornando-se, ao longo de seus 27 anos de operação, fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado. Atualmente, conta com mais de 3 mil clientes, entre importadores e exportadores, e recebe as principais linhas que escalam o Brasil, oferecendo serviços semanais para todos os trades a partir de 13 clientes armadores. Com localização estratégica, o Tecon Rio Grande tem a capacidade de operar 1,4 milhão de TEU e receber embarcações New Panamax com seus 900 m de cais, produtividade, uso de tecnologia e automação, posicionando o ativo como a melhor alternativa para transbordo do Cone Sul.

 

Movimentação de cargas no Porto do Pecém cresce 17,9% de janeiro a julho

O Porto do Pecém (CE) obteve um crescimento significativo em suas operações nos primeiros sete meses do ano. Dados do relatório mensal do Complexo apontam que, de janeiro a julho de 2024, houve uma movimentação total de 10.605.846 toneladas em cargas, representando um acréscimo de 17,9% em relação ao mesmo período de 2023, que havia registrado 9.375.231 toneladas.

Outro destaque nas operações do período fica por conta novamente da movimentação de contêineres, que apontaram um incremento de 16,6% a partir de um total de 280.425 TEUs entre embarques, desembarques e remoções.

Nossa evolução neste ano de 2024 tem sido muito positiva. E esperamos que no segundo semestre – com o início da temporada de exportação de frutas, aquecimento do setor siderúrgico, minerais, energias renováveis e a cabotagem – esse bom índice seja mantido”, aponta André Magalhães, diretor comercial do Complexo do Pecém.

A temporada 2024/2025 de exportação de frutas teve início nesta semana, com o navio MSC Celeste, que saiu do Porto do Pecém carregado com 2.500 toneladas de melões, melancias, mangas e uvas produzidas nos estados do Ceará, Rio Grande Norte, Pernambuco e Bahia. Desse total, 98% têm os portos de Roterdã e de Londres como destino. O restante seguirá para outros portos da Europa. Também esta semana, outras mil toneladas partiram do Pecém no navio Monte Verde, com destino aos Estados Unidos.

Nossa localização é estratégica, em 9 dias chegamos nos Estados Unidos e, em 12 dias, na Europa, garantindo um serviço de excelência e segurança. 100% das frutas são pesadas e escaneadas, assegurando a qualidade e integridade dos produtos. Essas condições otimizam e facilitam a exportação, tornando-nos um parceiro confiável no mercado internacional. Essa combinação de localização estratégica, qualidade e segurança tem sido a chave do nosso sucesso contínuo no atendimento ao mercado de frutas”, completa André.

Ao longo dos sete meses de 2024, a cabotagem trouxe uma elevação de 12%, se comparado a 2023 (com 6.880.949 toneladas movimentadas). Para o desembarque, figuram minérios, cereais, combustíveis minerais, plásticos e suas obras entre os principais produtos. Para embarque, por sua vez, obtiveram destaque sal, ferro fundido, plásticos e suas obras e cereais.

Para a navegação de longo curso, a marca chegou a 3.724.896 toneladas, num acréscimo de 15% ante a 2023, tendo combustíveis minerais, máquinas e ferro fundido em evidência em meio aos desembarques, enquanto ferro fundido, combustíveis minerais, sal e minérios figuram entre os mais embarcados.

 

Hapag-Lloyd recebe sétimo de série de 12 navios Megamax movidos a GNL


A Hapag-Lloyd recebeu o “Hamburg Express” de 23.664 TEU, o sétimo de doze navios Megamax movidos a GNL da classe DSME MMX Mk5 que a companhia marítima receberá da construtora sul-coreana Hanwha Ocean, formalmente conhecida como DSME, relata Alphaliner.

O “Expresso de Hamburgo” tem comprimento de 399,90 m, boca de 61,00 me 225.000 dwt e calado de 16,50 m. O novo porta-contêineres e seus navios irmãos são movidos por motores principais MAN B&W 11G95ME-GI MK10.5 de 75.600 kW, proporcionando-lhes uma velocidade projetada de 18,5 nós.

As embarcações são equipadas com 1.500 conexões para contêineres refrigerados. Depois de deixar seu estaleiro Okpo em 27 de agosto, o Hamburg Express juntou-se ao serviço 'FE3' da Ásia - Norte da Europa da Hapag em Ningbo em 29 de agosto, um serviço operado em conjunto com ONE, HMM e Yang Ming, no âmbito da THE Alliance.

No dia 4 de novembro, o “Expresso de Hamburgo” será oficialmente batizado em Hamburgo por Eva-Maria Tschentscher, esposa do prefeito de Hamburgo, Peter Tschentscher. Outros cinco navios do mesmo tipo serão entregues pela Hanwha à Hapag-Lloyd antes de abril de 2025, e o próximo da lista, o “Gdansk Express”, será entregue em outubro

APS conclui dragagem de aprofundamento dos berços de atracação de diversos armazéns

A Autoridade Portuária de Santos (APS) finalizou, em agosto, a obra de dragagem de aprofundamento dos berços de atracação entre os armazéns 12A e 20/21, marcando um importante avanço para a eficiência operacional do Porto de Santos. A conclusão do projeto envolveu a remoção de cerca de 100 mil metros cúbicos de sedimento e 500 metros cúbicos de resíduo de jet-grouting (material de maior dureza remanescente da obra de reforço estrutural dos berços de atracação), garantindo a profundidade de 14,60 metros e permitindo a atracação de embarcações de maior porte.

O presidente da APS, Anderson Pomini, afirma que “as obras em andamento e as concluídas no Porto de Santos refletem o esforço contínuo para modernizar e expandir a infraestrutura portuária, garantindo maior competitividade e eficiência. As melhorias vão contribuir para o aumento da capacidade operacional e o fortalecimento do Porto como o principal hub logístico do país.”

Em 2018, a APS já havia finalizado a recuperação e reforço estrutural do cais entre os armazéns 12A e 23, no Trecho 3 do canal de navegação do Porto de Santos, o chamado cais de Outeirinhos, em uma extensão de 1,7 mil metros, preparando o local para a dragagem. Em 2023, estudos foram iniciados para a contratação de empresa especializada para realização dos serviços e, em dezembro desse ano, foi firmado contrato com a empresa Náutica Marítima Serviços Ltda., vencedora do processo licitatório, a qual iniciou a dragagem em março de 2024, após a mobilização dos equipamentos.

O projeto foi concluído com sucesso graças ao alinhamento entre a APS, a empresa contratada e os terminais da região de Outeirinhos, visando o estabelecimento de um cronograma de atuação prevendo interdições nos berços para a realização dos serviços. O esforço conjunto foi essencial para superar os desafios da obra e garantir a finalização da dragagem, cujo investimento total ultrapassou os R$ 13 milhões.

Agora, com a obra concluída, a Autoridade Portuária de Santos realizará um novo Levantamento hidrográfico e uma inspeção subaquática nas áreas dragadas. Os resultados serão apresentados à Capitania dos Portos de São Paulo para a homologação do novo calado operacional, abrindo caminho para um Porto de Santos ainda mais competitivo e eficiente.

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Alette Maersk é o primeiro navio movido a metanol a cruzar o Oceano Pacífico


 

A Maersk recebeu seu quinto navio com capacidade para metanol no porto de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, onde foi realizada a cerimônia de nomeação. O “Alette Maersk” tornou-se assim o primeiro navio a cruzar o Oceano Pacífico utilizando metanol como combustível, fato que reforça o compromisso da armadora com o seu objetivo de atingir zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa até 2040.

O porta-contêineres de 350 metros de comprimento e capacidade para 16 mil TEUs é também o primeiro dos cinco navios com motores bicombustíveis e com capacidade de propulsão a metanol atualmente em operação que chegam aos Estados Unidos. Durante o evento, foi destacado o imenso desafio que a indústria naval enfrenta no seu caminho para a descarbonização.

Embora a Maersk tenha estabelecido o objetivo de transportar 25% da sua carga marítima utilizando combustíveis de baixas emissões até 2030, atingir este objetivo requer uma mudança sistêmica em toda a indústria. Vicent Clerc, CEO da Maersk, destacou a necessidade de uma ação urgente e coordenada em nível global, instando os líderes do transporte marítimo e a Organização Marítima Internacional a aprovarem o Mecanismo de Equilíbrio Verde, uma iniciativa concebida para incentivar o transporte marítimo sustentável sem aumentar significativamente os custos do mundo.

“A nossa nova série de motores bicombustíveis capazes de funcionar com metanol é um começo, mas precisamos de uma ação imediata e coordenada em todas as indústrias para implementar regulamentação urgente que torne os combustíveis verdes viáveis ​​e acessíveis”, disse Clerc. Recorde-se que o transporte marítimo é responsável por aproximadamente 3% das emissões globais de gases com efeito de estufa, com uma frota global de quase 100.000 navios que consomem 300 milhões de toneladas de combustível por ano, gerando 1.076 milhões de toneladas de emissões de CO anualmente.

Apesar dos progressos, a Maersk sublinha que as atuais ações governamentais e as melhorias na eficiência energética não serão suficientes para atingir o seu ambicioso objetivo de zero emissões líquidas até 2040. Além disso, insiste que é necessário um quadro de colaboração mais forte, juntamente com a implementação de novas medidas globais e regionais. regulamentos.

O metanol verde é uma alternativa fundamental para descarbonizar o setor. No entanto, este combustível custa atualmente entre duas a três vezes mais do que os combustíveis fósseis e a sua produção global continua limitada, salienta a companhia marítima.

Neste sentido, a empresa destaca que a chegada do “Alette Maersk” representa um marco significativo e sublinha a necessidade urgente de todos os intervenientes intensificarem os seus esforços para facilitar a transição para combustíveis de baixas emissões. A Maersk tem atualmente encomendados outros 20 navios movidos a metanol.

APS suspende exigência de atestado, mas pede reconsideração para evitar contaminação das águas de lastro

A Autoridade Portuária de Santos (APS) acatou a decisão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) de suspensão da exigência de que os navios apresentem atestado de conformidade com as normas internacionais de destinação da água de lastro para poderem atracar no Porto de Santos.

A APS cumpriu a deliberação logo que tomou conhecimento nos veículos oficiais. A APS, entretanto, vai pedir reconsideração da decisão, porque defende a preservação do meio ambiente com a adoção das medidas previstas em norma internacional, que busca evitar a bioinvasão dos estuários marinhos por espécies exóticas. Estas podem causar extinções da biodiversidade local e problemas sociais às populações costeiras, que vivem da pesca de subsistência, fatos comprovados por estudos de várias universidades.

Além disso, a APS constatou que há inconsistências e informações equivocadas na reclamação registrada pelos representantes dos armadores. A Antaq atendeu reclamação de donos de navios, representados pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) e Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), contra a norma da APS (NAP. SUAMAS.OPR.023.2024). A exigência do atestado entrou em vigor dia 21 de agosto deste ano.

A APS credenciou um sistema remoto de fiscalização, que utiliza Inteligência Artificial, GPS e outras tecnologias, que permitem constatar se os navios descartaram a água de lastro nas áreas permitidas ou se passaram a adotar o sistema de filtragem, procedimentos determinados pela Organização Marítima Internacional (IMO, da sigla em inglês) e em atenção à Normam 401/DPC da Marinha do Brasil.

Os navios, ao trazerem neste lastro esgoto, materiais tóxicos e até espécies de uma região do planeta, acabam causando sérios problemas ambientais e de saúde pública. Muitas destas espécies animais e vegetais não têm predadores naturais e podem se reproduzir rapidamente e competir com espécies nativas.

Bacilos ou outras formas de organismos patogênicos também podem ser carregados de uma região para outra junto com a água de lastro despejada no mar. Assim, o problema da bioinvasão cresce porque a navegação movimenta, por ano, cerca de dez bilhões de toneladas de água de lastro. No Brasil, chegam a 80 milhões de toneladas/ano, pois 95% do comércio exterior é feito por via marítima.

 

Ação do governo brasileiro leva Argentina a revogar norma que prejudicava exportações de cerâmica

Uma resolução publicada pelo governo argentino na semana passada tornou sem efeito o regulamento que causava entraves às exportações brasileiras de placas de cerâmica para aquele país. A norma, que começou a valer no começo deste ano, exigia a emissão obrigatória de certificados, na Argentina, de qualidade e segurança das peças comercializadas, desconsiderando que a qualidade de 98% dos produtos brasileiros nessa área já é voluntariamente certificada, no Brasil.

Caso a norma continuasse em vigor, a queda nas exportações de placas de cerâmica poderia chegar a 50% em 2024, com perda estimada em R$ 37,6 milhões, segundo cálculos da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex-MDIC).

Esse foi mais um caso em que o governo brasileiro, em parceria com o setor privado, desempenhou papel decisivo no sentido de superar barreiras comerciais às exportações brasileiras.

Em parceria com a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (ANFACER), a ação envolveu o MDIC, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), numa articulação comercial, técnica e diplomática para sensibilizar o governo argentino sobre os impactos negativos da exigência.

As discussões ocorreram tanto em nível diplomático como no âmbito da Comissão de Produção e Comércio Brasil-Argentina, com foco na importância de evitar que regulamentações técnicas se convertam em barreiras desnecessárias ao comércio no Mercosul.

Além de aumentar os custos operacionais dos exportadores, a certificação obrigatória também ameaçava empregos no Brasil. A indústria de cerâmica, que emprega diretamente cerca de 49 mil pessoas e indiretamente gera mais de 200 mil postos de trabalho, compõe uma parte significativa do PIB da construção civil. Além disso, a Argentina é um dos principais mercados para as placas cerâmicas brasileiras.

O governo brasileiro continuará atuando em estreita colaboração com o setor privado para garantir que barreiras regulatórias sejam mitigadas ou eliminadas, protegendo os interesses econômicos nacionais e assegurando a preservação de empregos na indústria.