sexta-feira, 1 de março de 2019

China simplifica processo para importar carnes brasileiras


          Em atendimento à proposta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a autoridade sanitária chinesa aprovou novo formato de credenciamento de veterinários oficiais aptos a assinar Certificados Sanitários Internacionais (CSI) para aquele país.
          Com as novas regras, em vez de cada auditor fiscal federal agropecuário poder assinar CSIs apenas por um estabelecimento específico, é criada uma lista única de veterinários habilitados para emissão de certificados sanitários internacionais em qualquer um deles desde que esteja habilitado pela China.
          De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, a medida reduz significativamente a chance de retenções de carregamentos brasileiros em portos chineses em função de divergências entre as assinaturas constantes na lista e nos CSIs emitidos pelo Mapa.
          As novas regras valem para carnes bovina, suína e de aves. Em 2018, o Brasil exportou US$ 2,593 bilhões em carnes para a China. Trata-se do maior comprador de carnes brasileiras, com 17,6% do total das exportações do produto.

Embarques de minério crescem mesmo com paralisação de minas da Vale


          A média diária de exportações de minério de ferro do Brasil nas primeiras quatro semanas deste mês foi 7,8% maior em comparação com o registrado ao longo de fevereiro de 2018, apesar das operações paradas em minas Vale, segundo dados divulgados pelo governo nesta semana.
          Os embarques ocorrem mesmo após a Vale, maior produtora global de minério de ferro, cortar operações em diversas minas em Minas Gerais, devido ao rompimento uma de suas barragens na cidade de Brumadinho, há exatamente um mês.
          Até a quarta semana de fevereiro, o que compreende 16 dias úteis, o país exportou 1,4 milhão de toneladas de minério de ferro por dia, totalizando 22,8 milhões de toneladas, informou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Há um ano, a média diária de embarques foi de 1,3 milhão de toneladas.
          Em janeiro, contudo, o Brasil exportou mais, com aproximadamente 1,5 milhão de toneladas por dia, mostrou a Secex. Os dados do governo apontam o preço médio de exportação ligeiramente maior em fevereiro ante o mês anterior. Até momento, a cotação média do mês está em US$ 52,6 por tonelada, ante US$ 51,4 em janeiro.
          As paradas de produção da Vale estão associadas a medidas da companhia para descomissionamento de barragens ou decisões de autoridades suspendendo operações, como no caso de Brucutu, maior mina produtora da companhia em Minas Gerais, com capacidade de 30 milhões de toneladas por ano.
          O colapso da Barragem 1 da mineradora, que atendia a mina Córrego do Feijão, liberou uma onda gigante de lama, que inundou área administrativa da própria empresa, além de atingir mata, rios e comunidades da região de Brumadinho. Até agora, a tragédia deixou 179 mortos e 131 desaparecidos, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais.
          A estrutura continha mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de beneficiamento de minério de ferro. Procurada, a Vale não fez comentários sobre os dados da Secex. A empresa havia informado anteriormente que buscará compensar parcialmente as paradas em Minas Gerais com a produção em outras unidades.
          Os preços do minério de ferro chegaram a reagir fortemente após o desastre em Brumadinho, com o mercado temendo os desdobramentos da tragédia para a Vale. No início do mês a commodity chegou a superar US$ 94/toneladas na China, maior valor desde fevereiro de 2017. Analistas avaliam que a alta no preço poderia compensar as perdas em produção para a Vale.

Coréia do Sul habilita mais nove frigoríficos brasileiros para exportação de carnes


          A Agência de Quarentena Animal e Vegetal da Coréia do Sul (APQA) anunciou na quarta-feira (27) a habilitação de mais nove estabelecimentos brasileiros para exportar carnes para seu mercado. Esses novos estabelecimentos habilitados já haviam cumprido com a etapa anterior, de autorização junto ao Ministério da Segurança dos Alimentos e Medicamentos (MFDS) daquele país. Dessa maneira, estão prontas para iniciar as exportações de carnes para o país.
           As habilitações foram resultado de missão de auditoria realizada por autoridades sul-coreanas, em outubro do ano passado. Esses estabelecimentos autorizados se somam a quatro que já possuíam permissão para exportar ao país asiático. Das nove plantas habilitadas agora, cinco são de carne suína e quatro de aves.
           A Coréia do Sul importa cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano em carne suína. Levando em consideração a fatia de 9% do mercado mundial do produto ocupada pelo Brasil, é estimado o potencial do mercado sul-coreano em 189 milhões de dólares com as novas plantas. No que se refere à carne de frango, o Brasil já ocupa uma posição privilegiada, respondendo por 85% das importações da Coréia do Sul. O valor das vendas brasileiras de carne de frango in natura para o país asiático chegou a 169 milhões de dólares em 2018.
           Os serviços sanitários da Coréia do Sul são conhecidos por estarem entre os mais rigorosos do mundo. A habilitação de novas plantas reitera a demonstração de confiança das autoridades do país asiático na certificação brasileira e reforça o posicionamento do Brasil no exigente e lucrativo mercado sul-coreano.

TCP Log realiza operação de duas cargas projeto de 120 toneladas


            A TCP Log – subsidiária de serviços logísticos da TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, realizou a operação de dois grandes transformadores com 120 toneladas cada um. Os equipamentos têm como destino uma usina na cidade de Cartagena (Colômbia) e saíram de Jaraguá do Sul (SC), cidade que fica a aproximadamente a 156 quilômetros de distância de Paranaguá.
          Alexandre Rubio, diretor Comercial da TCP, explica que a operação, denominada de carga projeto, exigiu um estudo logístico detalhado para que as peças fossem transferidas. “Trata-se de uma operação complexa pelo tamanho e peso dos produtos, o que exigiu um preparo anterior”, exemplificando que o trajeto entre as duas cidades, em condições normais, é de cerca de três horas, mas devido ao tamanho das peças, consumiu três dias. “Os caminhões que transportaram as peças contavam com 50 rodas cada, para dar sustentação aos objetos”, informa.
        Em Paranaguá, a operação de desembarque do caminhão e embarque no navio levou aproximadamente sete horas e contou com uma equipe de 20 pessoas. “A equipe comercial da TCP Log conseguiu converter a carga para o porto paranaense graças a capacidade operacional do Terminal. Desde que começamos a operar cargas especiais, há cerca de cinco anos, não registramos nenhum tipo de imprevisto ou avaria”, revela.
           A operação contou com um desembaraço especial, que inibe o excesso de movimentação. “Quando chega uma carga, ela é descarregada e movimentada até a armazenagem, aguardando até que seja liberada. Neste caso, tiramos a peça diretamente do caminhão para o navio, eliminando duas movimentações, o que torna a operação mais competitiva para o cliente e mitigando os riscos de avaria”, ressalta.
         O traslado das cargas do caminhão para o navio carga utilizou, simultaneamente, dois guindastes móveis MHC, próprios do Terminal. “Essas foram uma das maiores peças já movimentada pela equipe logística com guindastes próprios, o que é mais um diferencial oferecido pela TCP Log”, explica.
            A operação break bulk, que é caracterizada pelo transporte de cargas soltas ou fracionadas, foi realizado em um navio para contêineres e, por isso, utilizou camas de flat rack, que possuem apenas as paredes frontais, o que permite o transporte de peças de grandes dimensões. “A operação nessa modalidade é uma tendência de mercado e que tem sido muito procurada pelos importadores e exportadores, já que há alguns anos, para essa operação seria necessário fretar um navio, o que inviabilizava o envio de uma carga menor”, enfatiza.
          Na avaliação de Rubio, toda a operação da carga projeto ocorreu dentro do planejado. “E isso só foi possível porque a TCP Log mantém uma equipe 100% dedicada para este tipo de operação, além de oferecer ao cliente a estrutura necessária para a operação”, finaliza.

Ministra anuncia reestruturação da Conab e venda de armazéns


          A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou nesta quinta-feira (28) que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai passar por um processo de reestruturação, incluindo a venda de armazéns. A proposta, segundo ela, é modernizar a instituição. “Nós vamos ter algumas mudanças sim”, garantiu.
          “A gente, às vezes, precisa sair da zona de conforto. Mas nada que seja de maneira radical ou irresponsável. Nós temos que reavaliar a rede de armazéns – onde ele é necessário e onde não é. Não podemos ter empresas públicas que têm um patrimônio enorme e custa mais caro manter o patrimônio do que a utilidade dele”, disse.
          Segundo a ministra, a Conab tem uma rede de armazenamento grande, mas muito antiga. “Hoje não faz mais muito sentido você ter alguns desses armazéns porque o produtor rural, as tradings, as empresas de conta grande no Brasil montaram uma grande rede, moderna, e são muito mais ágeis que o poder público.”
          Durante a cerimônia de posse da nova diretoria da Conab, Tereza Cristina explicou que alguns dos armazéns em questão serão leiloados pelo poder público pra que a instituição cuide de áreas mais estratégicas e passe a atuar cada vez mais próximo ao produtor.
          “Temos que estar muito mais antenados hoje para a modernidade que a agropecuária tem. Cuidar de armazém, cuidar de estoques, é uma coisa do passado. Hoje, temos ferramentas para poder auxiliar nessa política pública, para auxiliar os produtores rurais. Essa parte será realmente mexida.
          De acordo com o novo presidente da Conab, Newton Araújo, a companhia conta atualmente com cerca de 180 armazéns e pelo menos 67 deles devem ser colocados à venda. Ele disse que ainda não há prazo para que o processo seja concluído, mas que o pedido da ministra é para que a mudança seja rápida.
          "Comparativamente com a iniciativa privada, a gente não tem nem 2% da capacidade de armazenamento estático, sem contar com a deficiência que nossos armazéns têm com relação à manutenção. Eles são já bastante antigos, necessitando de manutenção e alguns até sucateados."
          A ministra avaliou resultado do crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) como “muito ruim” e defendeu a aprovação de reformas como a da Previdência e a tributária, como alternativa para a recuperação do país. “Se a gente não mexer nessa estrutura, o Brasil não cresce. É uma demonstração clara de que o Brasil precisa avançar com essas reformas”, defendeu. “Nós temos uma Ferrari, mas temos que pôr gasolina boa. E é isso que está precisando, colocar gasolina nessa Ferrai para fazer ela crescer”, completou.