A Global Port Tracker, empresa especializada em análise portuária, apresentou um relatório estimando que as importações em contêineres nos portos dos Estados
Unidos tendem a cair mais de 20% em março, após o crescimento
verificado em janeiro e fevereiro (21,4 e 17,1% respectivamente, na
comparação com os mesmos meses de 2015). O crescimento mês a mês tem sido bastante modesto (de dezembro para
janeiro, as importações aumentaram somente 4,4%) e é atribuído às
exportações feitas pela Ásia antes do Ano Novo Chinês, período em que as
fábricas costumam fechar.
A comparação anual, no entanto, já mostra
números mais expressivos por conta dos problemas enfrentados no ano
passado, que geraram congestionamento nos portos da costa oeste durante a
renegociação de contratos. Na época, os portos americanos sofreram
quedas drásticas na movimentação, quando os sindicatos de trabalhadores
portuários realizaram uma sequência de paralisações e a Pacific Maritime
Association reagiu, substituindo a mão de obra por contratações em
períodos noturnos e em finais de semana.
A comparação feita, portanto, entre 2016 e 2015, aponta para um aumento
nas importações que chega a 17,1% em fevereiro, uma maré que tende a
mudar, de acordo com as projeções da Global Port Tracker, que prevê
queda de 22,2 quando se sobrepuserem os números de março de 2015 aos de
2016.
Embora as comparações devam ser melhor equiparadas a partir de abril, a
empresa projeta para este ano um primeiro semestre fraco, seguido por
uma recuperação um pouco melhor na segunda metade de 2016: para abril, o
relatório prevê 1,8% a menos do que no ano passado, e o mesmo para maio
e junho: (-1,8% e -3,4% respectivamente).
No resultado geral do ano de 2016, a previsão da Global Port Tracker é
que as importações dos Estados Unidos devam crescer em até 5,3%, o que,
de acordo com Ben Hackett, fundador da Hackett Associates, em entrevista
ao Journal of Commerce, não será “nem de longe suficiente para absorver
a superoferta já verificada na rota trans-pacífico do ano passado,
acrescentada à nova oferta esperada para os meganavios que entrarão em
operação a partir deste ano.
Hackett realça a continua queda de preços,
especialmente nas rotas da Ásia para a costa oeste dos EUA, e questiona:
Faz algum sentido isso? Absolutamente não. Nem do ponto de vista
financeiro e econômico e tampouco diante da situação do mercado geral de
fretes marítimos”, enfatizou o empresário.
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