O diretor de transportes terrestres da Ceva Logistics, Márcio Vieira, desabafou relatando um rosário de problemas na área logística no país, que dificultam as operações. "A falta de acessos aos portos, rodovias em situação deplorável, ferrovias escassas, retração econômica e uma burocracia que não tem fim. Esse é o
retrato do setor logístico hoje", denunciou.
Segundo ele, o cenário pode se agravar ainda mais, levando a um apagão. "A retração econômica passará em algum momento, já que não é a primeira vez que o país enfrenta esse tipo de adversidade, mas é importante que os investimentos em infraestrutura, bem como a desburocratização dos processos portuários sejam atacados de forma imediata na tentativa de recuperar o tempo perdido", destacou. "É preciso diminuir o tempo de permanência e liberação das mercadorias em portos, melhorar os acessos de caminhões aos portos, bem como criar acessos exclusivos para carga e descarga das mercadorias”, disse. O executivo ressaltou que esses investimentos em infraestrutura resultarão em diminuição de custos operacionais e aumento da produtividade brasileira. O diretor da Ceva, que prospecta resultados favoráveis para esse ano, apesar da crise anunciada, considera que “são nesses momentos que surgem oportunidades de oferecer novos serviços a clientes e aumentar a produtividade das operações”. Para ele, é nesse momento que as empresas procurarão manter foco no que é essencial para elas e com isso buscarão nos operadores logísticos a especialização necessária para ganhar produtividade, reduzir investimentos e implementar maneiras de operar de forma eficiente reduzindo custos operacionais. Ainda segundo Vieira, o país está passando “por um processo evidente de desaceleração econômica” que, em conjunção com a desvalorização da moeda, afetam diretamente as operações de importações e exportações. “Estamos importando menos pela desaceleração econômica e exportando mais pela desvalorização da moeda, o que cria superávit na balança comercial", observou. Mesmo assim, apesar de saldo positivo na balança comercial, estamos em um patamar muito mais baixo do que em anos anteriores”, disse, apontando ainda que a atividade portuária deve continuar crescendo, porém em níveis mais baixos devido à desaceleração econômica. Para 2016, o executivo diz saber que o ano será difícil, porém, ainda acredita na possibilidade de crescimento, mesmo que em condição de retração econômica. “ A retração econômica exige encontrarmos maneiras mais produtivas de operar, bem como, atender os clientes com novos serviços. Esses são elementos que já fazem parte do DNA Ceva e é isso que buscamos em 2016”, salientou. |
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