A companhia norte-americana ADM, um dos gigantes do
agronegócio do mundo, com vendas globais anuais de mais de US$ 80
bilhões, pretende aproveitar sua expertise em navegação fluvial nos
Estados Unidos para incrementar as operações de barcaças para o
escoamento de grãos no Brasil. O foco está no chamado "Arco Norte" -
especificamente no Pará e em Rondônia, onde há menos de um mês a
companhia deu início a um capítulo inédito de suas atividades no país
com o transporte de soja pelos rios amazônicos.
"Temos muito interesse nos rios Tapajós e Madeira. E analisamos o
Tocantins também. Nossa tradição e experiência com barcaças nos EUA nos
dá uma vantagem competitiva frente à concorrência no Brasil", afirmou o presidente da ADM para o Brasil e a América do Sul (exceto
Argentina), Valmor Schaffer. Schaffer não quis
especificar os valores dos investimentos nos corredores fluviais neste
momento. Mas disse que serão aportes "fortes", que estão sob a análise
final da matriz da multinacional, em Chicago.
"Não se constrói uma
barcaça por menos de US$ 1 milhão", calculou o executivo. E a companhia
precisará de algumas dezenas delas, sem contar os demais equipamentos.
Líder em frota fluvial nos EUA, com quase 2 mil barcaças próprias, a ADM
já havia indicado, em 2013, que tinha a intenção de dobrar a frota da
Sartco (South American River Transportation Company), sua subsidiária
para logística no Brasil, justamente para atender o Arco Norte.
Criada em 1997, mesmo ano em que a ADM iniciou operações diretas no
Brasil, a Sartco conta hoje com três rebocadores e 24 barcaças. A
atuação da subsidiária está limitada à hidrovia Tietê-Paraná, desativada
há um ano devido à seca em São Paulo. Segundo Schaffer, a hidrovia era
responsável pelo escoamento de 300 mil toneladas de grãos, volume ínfimo
diante das cerca de 10 milhões de toneladas de grãos exportados pela
múlti a partir do Brasil.
Na América do Sul, o Paraguai é hoje o mais importante para as
operações da divisão de logística, ali batizada de Naviera Chaco, nome
da empresa de navegação comprada pela ADM no país. A filial paraguaia
transporta por ano 2,7 milhões de toneladas de sólidos e líquidos - 95%
do fluxo de mercadorias da empresa americana no país. Ou seja, apenas 5%
estão nas mãos de transportadoras terceirizadas.
No Brasil, a intenção da ADM é crescer paulatinamente em direção a
proporções similares às do Paraguai, de forma a otimizar os resultados
em toda a cadeia de atuação e minimizar riscos. A recente greve dos
caminhoneiros e a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná são lembretes de
que o atual ciclo de baixa das commodities agrícolas não deve
interromper (no máximo postergar) projetos de longo prazo. "Nada pior
que frota parada", disse o executivo.
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