terça-feira, 29 de abril de 2025

Fábricas na China fecham operações e importadores sentem efeitos na cadeia de suprimentos


 

As repercussões da guerra tarifária lançada pelo governo Donald Trump nos Estados Unidos já começam a ser sentidas de forma significativa. O analista do setor marítimo, portuário e de logística Jon Monroe revela o fechamento completo de algumas fábricas que dependem de pedidos de importação no país asiático. Muitos outros, ele descreve, estão enfrentando cancelamentos repentinos de pedidos e um clima de incerteza que torna o planejamento futuro quase impossível, e ele ressalta que "os tremores econômicos são reais, embora ainda não tenham sido sentidos globalmente".

Segundo o analista, a crise desencadeada pela estratégia tarifária de Trump tem dimensões completamente diferentes daquelas vistas desde o fechamento da navegação comercial pelo Canal de Suez e pelo Mar Vermelho devido aos ataques dos rebeldes Houthi. "Não há desvios fáceis ou soluções improvisadas quando o problema central é estrutural e politicamente motivado. Some-se a isso a recente introdução de altas taxas portuárias impostas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) a navios associados à China, e podemos estar diante de um congelamento total do comércio", observa Monroe.

Mas, para o analista, há uma questão fundamental: "Estamos realmente preparados para prateleiras vazias no varejo? Porque, se a tendência atual continuar sem controle, essa pode ser a nossa nova realidade", diz ele. De acordo com Monroe, os importadores dos EUA enfrentam considerável incerteza no planejamento para o ano contratual de 2025, e muitos enfrentam uma variedade de desafios.

Nesse sentido, ele explica que as tarifas imediatas impostas pelo presidente Trump levaram muitos a reconsiderar suas previsões para o próximo ano. Isso interrompeu suas estratégias de planejamento de longo prazo, especialmente em termos de estabilidade da cadeia de suprimentos e projeções de custos. Embora muitos importadores tenham antecipado seus pedidos preventivamente para garantir estoque diante de potenciais aumentos de tarifas, eles ainda têm decisões importantes a tomar em relação a produtos importados sazonais e futuras estratégias de abastecimento.

De fato, a gama de desafios para esses importadores é ampla, devido aos fortes aumentos de tarifas sobre as importações chinesas, com algumas chegando a 145% sobre certos produtos (tarifas recíprocas de 125% além de 20%). “Esses picos estão interrompendo as operações de logística, causando cancelamentos generalizados de pedidos e forçando as empresas a reavaliarem suas estratégias gerais de cadeia de suprimentos.”

O principal desafio agora, de acordo com Monroe, é "como essas empresas entrarão em contato com seus fornecedores para pedidos futuros?" Ele explica que, como as tarifas continuam sendo um fator significativo, os importadores estão avaliando se devem manter seus fornecedores tradicionais ou buscar novas opções que possam ajudar a mitigar os custos mais altos associados às tarifas. Em particular, as empresas estão considerando cuidadosamente quais países permanecem viáveis ​​para relacionamentos de fornecimento de longo prazo.

Segundo Monroe, o objetivo é identificar regiões que ofereçam fabricação com boa relação custo-benefício, sem o pesado fardo financeiro de tarifas ou mudanças políticas inesperadas. Muitos importadores estão simplesmente esperando, suspendendo os pedidos por 30 a 60 dias, na esperança de que a calma prevaleça e as tarifas sejam reduzidas. O plano é identificar regiões que ofereçam produção com boa relação custo-benefício, sem o pesado ônus financeiro de tarifas ou mudanças políticas inesperadas.

O analista afirma que um dos impactos mais significativos das tarifas generalizadas de Trump foi a interrupção da estratégia de fornecimento "China + 1" que muitas empresas esperavam implementar, que consistia em diversificar suas cadeias de suprimentos comprando produtos da China, bem como de um ou mais países do Sudeste Asiático, como Vietnã, Índia ou Indonésia. “No entanto, as amplas políticas tarifárias recíprocas de Trump, direcionadas a muitos produtos chineses, dificultaram esse plano, afetando não apenas os fornecedores baseados na China, mas também aqueles em outros países que dependiam de componentes ou matérias-primas chinesas.”

O analista observou que empresas de vestuário e calçados, que já haviam transferido uma parcela significativa de suas compras da China para o Sudeste Asiático, se viram no meio do fogo cruzado. Essas empresas esperavam evitar o impacto das tarifas diversificando suas fontes de fornecimento, mas foram inesperadamente atingidas por políticas tarifárias generalizadas que se estenderam além das fronteiras da China, explicou Monroe.

 

Porto de paranaguá vai impulsionar investimentos de mais de R$ 1 bilhão em leilões de terminais

 

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), dará início, neste dia 30 de abril, às primeiras rodadas de leilões de terminais portuários na Bolsa de Valores B3, em São Paulo (SP). Entre as áreas ofertadas, três estão localizadas no Porto de Paranaguá (PR): os terminais PAR14, PAR15 e PAR25 — todos voltados à movimentação de granéis sólidos vegetais.

Os investimentos nessas áreas reforçam o papel estratégico do porto, que hoje é a segunda maior autoridade portuária do país e um dos principais corredores de exportação de commodities agrícolas. A expectativa é de que os novos investimentos dobrem a capacidade de escoamento da safra agrícola pelo Porto de Paranaguá. Importante destacar que, em 2024, foram movimentadas mais de 66 milhões de toneladas de produtos.

Considerado um dos principais corredores de exportação do país, o Porto de Paranaguá é a segunda maior autoridade portuária do Brasil. Com infraestrutura moderna, o complexo conecta 10 terminais a três berços especializados na exportação de granéis sólidos, consolidando-se como um sistema de referência na logística portuária nacional. Local é responsável pela descarga de 33% dos fertilizantes importados pelo Brasil, que é o 4º maior mercado consumidor de fertilizantes do mundo.

“O bloco que será leiloado é totalmente voltado ao agronegócio, o que o torna extremamente atrativo para investidores e fundamental para o Brasil”, destaca o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila. Atualmente, o Porto de Paranaguá lidera as exportações brasileiras de proteína animal, sendo responsável por 30% de toda a carga embarcada, além de abrigar 20 projetos focados em sustentabilidade ambiental.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os investimentos previstos serão fundamentais para o desenvolvimento logístico e econômico: “Até 2026, realizaremos mais de 42 leilões de terminais portuários, com aporte estimado de R$ 22,85 bilhões. Esses projetos vão modernizar nossa infraestrutura, gerar empregos e movimentar a economia em todo o país.”

Investimentos
O terminal PAR14, com área de 82.436 m², terá concessão por 35 anos e exigirá investimentos mínimos de R$ 1,187 bilhão (R$ 529 milhões de investimento + aporte 477 milhões). Entre as melhorias previstas estão a construção dos novos berços do "Píer T", com sistemas modernos de despoeiramento, elevadores de canecas, torres de transferência e balanças de fluxo. A conexão com o sistema Moegão será obrigatória na fase inicial, com a instalação de duas linhas transportadoras capazes de movimentar até 2.000 toneladas por hora.

Já o PAR15, com 43.279 m², também será concedido por 35 anos e deverá atrair R$ 656,856 milhões (R$ 293 milhões de investimentos + aporte 311 milhões). O operador será responsável por implantar quatro balanças e dois tombadores até o quinto ano de contrato, além de integrar sua operação ao “Píer T”, com capacidade mínima de movimentação de 2,2 milhões de toneladas por ano.

O terminal PAR25 representa um avanço importante na modernização da logística portuária. O projeto, que prevê aportes de R$ 565 milhões (R$ 216,987 milhões de investimentos + aporte 331 milhões), visa regularizar as áreas operacionais e expandir a infraestrutura de escoamento da safra agrícola, fortalecendo a competitividade do Porto de Paranaguá no cenário internacional.

Moegão
Um dos grandes destaques dessa nova fase é o Moegão, sistema exclusivo de descarga ferroviária de grãos e farelos. Com previsão de conclusão até dezembro, a obra promete elevar a participação do transporte ferroviário dos atuais 15% para 50%.

De acordo com Gabriel Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, a operação do novo sistema de descarga vai agilizar a logística ferroviária no Porto de Paranaguá. “Na prática, a capacidade diária de descarga passará de 550 para 900 vagões, um aumento de 63%”, afirmou. Com a implantação do Moegão, os grãos serão descarregados diretamente e transportados por esteiras até os 11 terminais interligados do Corredor de Exportação Leste, garantindo mais eficiência ao processo. Segundo Vieira, a operação será também mais sustentável e econômica, reduzindo o número de caminhões nas estradas, diminuindo a emissão de poluentes e promovendo a geração de empregos e renda na região.

 

Rota marítima Brasil/Pacífico deve escalar em Itajaí, Santos, São Francisco do Sul e Paranaguá



 

O Porto de Itajaí (SC) pode ser incluído em um novo trajeto logístico, a Rota Bioceânica de Capricórnio, uma estrada com mais de 2.400 km que pretende conectar os portos do sul do Brasil aos terminais chilenos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o presidente do Chile, Gabriel Boric, em Brasília, tendo como um dos principais tópicos da reunião a nova rota.

A iniciativa, considerada estratégica pelos países envolvidos, visa fortalecer as relações comerciais entre América do Sul e os mercados do Pacífico asiático, ampliando oportunidades para exportação e importação.

A rota atravessa quatro países, Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Ligando diretamente os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul e Itajaí (SC) ao Pacífico. 

A expectativa é que a conexão aumente a competitividade das exportações e atraia novos investimentos. Além disso, a iniciativa traz benefícios diretos para a economia local, com a geração de empregos e o fortalecimento das cadeias produtivas da região.