quinta-feira, 21 de novembro de 2024

DP World reafirma a força dos seus terminais na América do Sul


“A América do Sul está muito forte neste momento, estamos completamente lotados nos nossos terminais de Posorja, Callao e Santos, o que é sempre bom. O Chile está muito bem, com San Antonio e Lirquén. Então, estamos felizes, mas sempre podemos estar ainda mais felizes”.  Os comentários são de Tim Wickmann , vice-presidente executivo global de Portos e Terminais Comerciais da DP World, ao examinar à atuação da empresa em diversos países da região.

“Ainda acho que há muito potencial aqui e a América Latina não está realmente envolvida em nenhum dos conflitos que existem no mundo, o que é bom”, acrescentou o executivo sobre a série de perturbações que estão sendo vividas. globalmente, especialmente influenciado por causas geopolíticas. “Ao conversar com as companhias marítimas, nossos clientes, todos eles têm grandes ambições na América do Sul e esperam desempenhar um papel importante e estamos bem posicionados para isso com todos os nossos terminais aqui nesta parte do mundo”, disse ele.

Questionado sobre o processo de transformação da DP World, que passa de operadora líquida portuária para incluir logística em nível 3PL e 4PL em suas atividades, Wickmann esclareceu que “as companhias marítimas são nossos clientes e continuam a ser nossos carros-chefes”. Quanto ao nível de desafio que esta mudança significou, reconheceu que “não é um processo fácil”, mas explicou que é completamente lógico.

“Se olharmos para a cadeia de abastecimento e para todos os diferentes intervenientes, desde o momento em que os bens são produzidos até serem entregues em algum lugar do mundo, temos de pensar quais são os pontos de contacto para toda esta carga”, observou. Especificou a este respeito que “os terminais e portos são os que têm maior interação comercial com os clientes porque embora existam milhares de transitários e muitas companhias marítimas, geralmente existem poucos operadores portuários em cada localidade.

“É por isso que acreditamos que podemos fazer muito mais pelas companhias marítimas e pelos proprietários de carga.Todos os contêineres passam pelos nossos terminais ou pelos nossos concorrentes. É por isso que acreditamos que temos muito mais para oferecer ao mercado do que muitos dos outros intervenientes na cadeia de abastecimento”, sublinhou.

Embora tenha garantido que “estamos nos transformando”, especificou que “transformar não significa que nos esqueçamos das nossas companhias marítimas. Queremos ter a certeza de que todos compreendem que enquanto nos expandimos para novas áreas estamos cuidando do principal negócio que estamos fazendo.”

Ele reconheceu que neste processo podem existir sobreposições ou casos em que pode haver concorrência com os clientes “mas isso também acontece hoje com as companhias marítimas. Além do mais, a indústria naval está muito mais ligada e sobreposta do que no passado. Muitos de nossos clientes de transporte marítimo agora tem terminais, mas são empresas e eles tomam suas decisões comerciais e nós tomamos as nossas.”

Sobre como está ocorrendo esse processo de transformação da DP World na região, indicou que “na América Latina, especialmente na costa oeste da América do Sul, foi provavelmente, junto com a Índia e Jebel Ali [Emirados Árabes Unidos], o primeiro local onde “desenvolvemos o que chamamos de logística terrestre além da porta, o que significa que oferecemos mais serviços ao mercado”.

“Você pode ver que temos armazéns em todos os nossos terminais da Costa Oeste e que nossa oferta de serviços está se expandindo”, disse ele. Nesse sentido, Wickmann reafirmou que “faz parte da nossa visão geral oferecer mais para ser um facilitador do comércio global, porque acreditamos que estamos em melhor posição para o fazer do que muitos outros intervenientes”.

Presidente da PortosRS defende uso de hidrogênio verde durante visita à Heavy Industries no Japão

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul está realizando a Missão Japão-China 2024, com o objetivo de promover o estado como destino para investimentos estratégicos, fortalecer relações bilaterais e buscar referências em desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica. A comitiva, composta por autoridades estaduais e liderada pelos secretários Artur Lemos (Casa Civil), Ernani Polo (Desenvolvimento Econômico) e Pedro Capeluppi (Reconstrução Gaúcha), conta com a presença do presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, representando o setor portuário gaúcho em negociações estratégicas.

A agenda internacional começou com uma reunião em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, no dia 15 de novembro, onde foram discutidas possíveis cooperações em segurança alimentar e inovação agropecuária, com destaque para um fundo de investimentos com recursos oriundos do petróleo.

Na segunda-feira, 18/11, o primeiro compromisso oficial no Japão foi a visita à planta de hidrogênio verde da Mitsubishi Heavy Industries, em Takasago, na província de Hyogo. Durante três horas, a comitiva conheceu as instalações do Takasago Hydrogen Park, pioneiro mundial na integração de tecnologias para produção, armazenamento e uso de hidrogênio.

A planta é equipada com tecnologia de ponta, incluindo uma eletrólise alcalina norueguesa com capacidade de produzir 1.100 Nm³/h de hidrogênio, a maior do mundo, e sistemas de armazenamento com capacidade total de 39.000 Nm³. Além disso, a validação da utilização do hidrogênio é realizada em turbinas a gás de grande porte JAC (450 MW) e de médio porte H-25 (40 MW), avançando na transição energética global.

Cristiano Klinger destacou o potencial do hidrogênio verde como alternativa sustentável para o futuro logístico e industrial do estado. “A agenda foi muito positiva, especialmente ao observarmos, na prática, a implantação do projeto de hidrogênio, ainda em fase piloto. Foi extremamente importante conhecer como o projeto é aplicado e mapear suas potencialidades como um todo para a efetivação de iniciativas semelhantes em nosso estado”, afirmou.

O governador do estado, Eduardo Leite, também está no Japão integrando uma outra comitiva de autoridades estaduais. Nos próximos dias os grupos vão se reunir e dar continuidade à Missão Japão-China 2024, com uma agenda voltada para estreitamento de laços com empresas e instituições nos setores automotivo, infraestrutura e energia, fortalecendo as relações comerciais entre o Rio Grande do Sul, Japão e China e promovendo novas oportunidades de cooperação.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Ministério defenderá sustentabilidade do setor portuário em conferência em Lisboa


O Ministério de Portos e Aeroportos está promovendo, em parceria com associações do setor,  o Projeto Agenda 2030 Portuária, para desenvolvimento sustentável da área no país, e vai liderar a comitiva brasileira na missão internacional para a 19ª Conferência Mundial da AIVP – Cais Abertos: Fluxos entre Pessoas, Planetas e Cidades Portuárias, que ocorrerá em Lisboa (foto), Portugal, entre os dias 27 e 29 de novembro.

O evento busca fortalecer os laços entre os portos brasileiros e a comunidade portuária europeia, promovendo o intercâmbio de boas práticas, redes de colaboração e oportunidades de negócios, alinhados às metas de sustentabilidade da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

A comitiva conta com 20 participantes, incluindo representantes da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Companhia Docas Do Rio Grande do Norte (Codern), Autoridade Portuária de Santos (APS), Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Docas da Paraíba, Administração do Porto de Maceió, Porto do Açu, Porto do Piauí, Santos Brasil e Suzano Terminal Itacel.

Estado do Paraná aumenta exportações para a China, que já representa 27% das suas vendas externas

O Paraná está estrategicamente posicionado para aumentar suas exportações para a China, principal destino internacional de seus produtos. Em 2024, 27% da receita de vendas externas do estado, equivalente a US$ 5,4 bilhões, veio do mercado chinês, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) analisados ​​pelo Instituto Paranaense de Economia e Social Desenvolvimento (Ipardes).

Este valor coloca a China bem acima de outros destinos, como os Estados Unidos (1,2 mil milhões de dólares) e a Argentina (951 milhões de dólares). Melhorias logísticas e alianças estratégicas Com o objetivo de maximizar o potencial dessa relação comercial, o governo do Paraná investiu em infraestrutura portuária e logística para facilitar o acesso de seus produtos ao mercado asiático.

Essas melhorias incluem o fortalecimento dos portos do estado, com destaque para o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que é o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil. Em março de 2018, a China Merchants Port Holdings (CMPort), uma das maiores operadoras de terminais de contêineres do mundo, assumiu o controle da TCP. Desde então, a empresa mantém uma colaboração estratégica com a Portos do Paraná e o governo do estado, promovendo projetos de modernização e desenvolvimento na região.

Em 2024, uma delegação paranaense liderada pelo secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, e pelo presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, visitou a China para estreitar esses laços. Durante a visita, assinaram uma carta de intenções com a CMPort, que contempla iniciativas como a promoção comercial conjunta, o desenvolvimento de portos inteligentes e sustentáveis ​​e a cooperação técnica em questões relacionadas com a sustentabilidade e a tecnologia. O cenário mundial também oferece oportunidades para o Paraná. A possibilidade de ressurgimento da disputa comercial entre Estados Unidos e China poderá aumentar a demanda por produtos brasileiros no mercado asiático.

Exportações de calçados somam US$ 91,43 milhões de janeiro a outubro, queda em relação a 2023

 

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) divulgou dados apontando que, entre janeiro e outubro, as exportações de calçados somaram 81,2 milhões de pares, gerando US$ 827,73 milhões em divisas. Os resultados são inferiores tanto em volume (-20,7%) quanto em receita (-17,8%) em relação ao mesmo período de 2023. No recorte de outubro, foram embarcados 9,56 milhões de pares por US$ 91,43 milhões, quedas de 19% e 8,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que a instabilidade deve seguir nos últimos dois meses do ano e em 2025. “Com quedas importantes nos mercados dos Estados Unidos e Argentina, nossos principais destinos internacionais, devemos encerrar o ano com queda entre 15% e 20% nas exportações em volume. Já para 2025, a estimativa da Abicalçados fica entre uma banda de crescimento de 0,5% e uma queda de 2%, isso sobre uma base de comparação muito fraca. Ainda não podemos falar em recuperação do mercado internacional, sobretudo porque notamos um avanço importante dos países asiáticos, especialmente Vietnã e Indonésia, sobre os nossos principais mercados internacionais”, avalia o dirigente.

Destinos
O principal destino do calçado brasileiro no exterior seguem sendo os Estados Unidos. Entre janeiro e outubro, foram embarcados para lá 8,32 milhões de pares, que geraram US$ 179,9 milhões em divisas. Os resultados são inferiores tanto em volume (-3,5%) quanto em receita (-5,9%) em relação ao mesmo intervalo de 2023. No recorte do mês de outubro, os embarques somaram 631,66 mil pares e US$ 14,8 milhões, quedas de 12% e 14%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado.

O segundo destino do produto verde-amarelo no exterior é a Argentina, que entre janeiro e outubro importou 10,74 milhões de pares por US$ 177,5 milhões, quedas tanto em volume (-16,7%) quanto em receita (-12,5%) em relação ao mesmo intervalo do ano passado. No recorte de outubro, as exportações de calçados brasileiros para lá registraram 1,76 milhão de pares e US$ 23,23 milhões, altas de 57% e 32,3%, respectivamente, ante o mesmo período de 2023. “Na Argentina, embora exista uma leve melhora na economia interna, temos um quadro bastante instável, pois percebemos um avanço do calçado asiático em detrimento do produto brasileiro”, comenta Ferreira.

No terceiro posto, entre os países de destino internacional das exportações brasileiras de calçados, aparece o Paraguai, que entre janeiro e outubro importou 6,9 milhões de pares verde-amarelos por US$ 36,8 milhões, quedas tanto em volume (-21,6%) quanto em receita (-12,7%) em relação ao mesmo intervalo do ano passado. No recorte de outubro, as exportações para o país vizinho somaram 935,9 mil pares e US$ 4,53 milhões, queda de 20% em volume e incremento de 2,8% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2023.

Origens
O Rio Grande do Sul aparece como o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e outubro, as fábricas gaúchas embarcaram 27 milhões de pares por US$ 410 milhões, quedas tanto em volume (-11,2%) quanto em receita (-12,2%) na relação com o mesmo intervalo de 2023.

Na sequência, entre os estados exportadores, aparecem o Ceará (25 milhões de pares e US$ 166,36 milhões, quedas de 20,1% e 26,7%, respectivamente) e São Paulo (4,94 milhões de pares e US$ 76,84 milhões, quedas de 25,7% e 18,6%).

Balança desequilibrada
Se as exportações de calçados seguiram em ritmo de queda durante todo o ano, o mesmo não aconteceu com as importações. Entre janeiro e outubro, entraram no Brasil 29,8 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 391,74 milhões, incrementos tanto em volume (+21%) quanto em receita (+3,7%) em relação ao mesmo intervalo do ano passado. No recorte do mês de outubro, as importações registraram aceleração de 70% em volume e de 36,7% em receita em relação ao mesmo período de 2023. No total, no mês dez entraram no Brasil 2,83 milhões de pares por US$ 40,48 milhões.

As principais origens seguem sendo os países asiáticos Vietnã, China e Indonésia. Nos dez meses, as importações de calçados vietnamitas somaram 9,98 milhões de pares e US$ 185,33 milhões, incrementos tanto em volume (+21,2%) quanto em receita (+0,4%) em relação ao mesmo período de 2023. Na sequência, aparecem China (8,37 milhões de pares e US$ 33,34 milhões, quedas de 5,3% e 20,8%, respectivamente, ante o mesmo período do ano passado) e Indonésia (5,44 milhões de pares e US$ 87,94 milhões, incrementos de 53,5% e 23,6%, respectivamente). “A Abicalçados segue atenta à migração intra-Ásia da produção, que se desloca da China para países próximos cultural e geograficamente”, ressalta Ferreira.

Em partes de calçados - cabedais, solados, saltos, palmilhas etc -, as importações, entre janeiro e outubro, somaram US$ 30,28 milhões, 27,5% mais do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Colômbia.

 

Antaq aprova análise das contribuições sobre Avaliação do Resultado Regulatório

A Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário) aprovou a análise das contribuições recebidas na audiência pública que tratou do aprimoramento da Avaliação do Resultado Regulatório (ARR) referente à Resolução Antaq nº 62/2021.  

O normativo estabelece as regras sobre os direitos e deveres dos usuários, dos agentes intermediários e das empresas que operam nas navegações de apoio marítimo, apoio portuário, cabotagem e longo curso, e estabelece infrações administrativas.

A deliberação do processo, de relatoria do diretor Wilson Lima Filho, garante mais previsibilidade e estabilidade contratual. A avaliação desta resolução foi objeto do Tema 5.1.2 da Agenda de Avaliação do Resultado Regulatório da Antaq de 2022. 

Além disso, foi instruído que a área técnica avalie, na agenda regulatória do ciclo 2025-2028, fazer ajustes na metodologia da cobrança de sobreestadia praticadas por agentes intermediários e inovações regulatórias internacionais com base na norma Final Rule publicada recentemente pela Federal Maritime Commission, dos Estados Unidos. 

A ARR tem como objetivo analisar os resultados alcançados com a regulação implementada, apontar possibilidades de melhoria de intervenções regulatórias e gerar subsídios para a tomada de decisão da Agência. 

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Porto de Santos inaugura ligação do sistema de fornececimento de energia em terra para os rebocadores


Os presidentes da Capitania dos Portos de Santos, Anderson Pomini, e do Sindicato Nacional das Empresas de Apoio à Navegação Portuária (Sindiporto), Marcio de Paiva Castro, inauguraram a ligação do sistema de fornecimento de energia em terra a 21 rebocadores das cinco empresas que prestam esse serviço no Porto de Santos (SP).  

O sistema, conhecido como Onshore Power Supply, foi viabilizado graças ao Sindiporto, com a participação das cinco empresas que operam rebocadores no porto: Wilson Sons; Sul Norte; Camorim; Saam Towage e Svitzer. Agora os rebocadores, que passam dois terços do tempo atracados aguardando atendimento, poderão manter seus sistemas e equipamentos de refrigeração em pleno funcionamento nesse período, sem consumir combustíveis fósseis, mas sim com energia limpa fornecida pela Usina Hidrelétrica de Itatinga.

Os pontos de ligação foram instalados na margem direita do cais, na chamada curva do Armazém 23, e foram acionados após breve cerimônia de inauguração do chamado Sistema de Fornecimento de Energia em Terra para Rebocadores. Pomini comentou que o fato representa um passo muito importante rumo ao objetivo de descarbonização do Porto de Santos: “Já implementamos taxas de incentivo para navios verdes; Agora estamos começando a eletrificar o cais para pessoas físicas e já buscamos formas de produzir hidrogênio verde na Usina de Itatinga, que está em operação há 114 anos”, afirmou.