Um dos dois maiores sindicatos ferroviários dos EUA anunciou em 21 de
novembro que seus membros votaram para rejeitar o novo acordo salarial proposto
pela Casa Branca, aproximando-se de uma greve trabalhista que poderia
interromper algumas cadeias de suprimentos no início de dezembro, informa o
WSJ. Sindicatos que representam engenheiros e condutores, a Irmandade de
Engenheiros de Locomotivas e Ferrovias e a Divisão de Transportes SMART foram
os dois últimos dos 12 sindicatos a relatar sua decisão em uma disputa
trabalhista prolongada.
A SMART-TD, cujos membros rejeitaram o acordo por pouco, anunciou que
voltaria à mesa de negociações com as companhias ferroviárias para um acordo
revisado com prazo de 8 de dezembro. Se outro acordo não prosperar, os trabalhadores
poderão declarar greve a partir de 9 de dezembro. “Os membros do SMART-TD com
seus votos falaram, agora está de volta à mesa de negociação”, disse Jeremy
Ferguson, presidente do SMART-TD. “Tudo isso pode ser resolvido por meio de
negociações e sem greve”, disse ele.
A SMART-TD disse que 50,87% dos membros do serviço de trens e
locomotivas (condutores, frenistas e atendentes de pátio) votaram separadamente
para rejeitar o acordo. Enquanto isso, 62% dos trabalhadores do pátio votaram
para ratificá-lo. Como a proposta não foi ratificada pelos maquinistas, o
contrato de todos os ferroviários da cobertura SMART-TD falhou.
No processo houve a participação de mais de 28.000 dos cerca de 36.000
membros contemplados nas atuais negociações. O sindicato BLET, que representa
24.000 maquinistas e outros trabalhadores ferroviários, disse que 54% dos
membros que participaram da votação aceitaram o contrato de cinco anos. De
volta à mesa de negociação Dessa forma, os trabalhadores de oito dos sindicatos
já ratificaram seus acordos.
A SMART-TD e os três sindicatos cujos membros rejeitaram seus acordos
provisórios estão de volta à mesa de negociações com as ferrovias para um
acordo revisado em um período de status quo para dar tempo para mais
discussões. Se um sindicato entrar em greve, os líderes dos outros sindicatos
disseram que seus membros não cruzarão as linhas de piquete.
O Congresso dos EUA tem a capacidade de intervir para impor um acordo
entre as duas partes para evitar ou encurtar qualquer paralisação do trabalho.
A última greve ferroviária nacional, em 1991, durou aproximadamente 24 horas
antes de o Congresso aprovar e o presidente George H.W. Bush assinou uma
legislação que ordenava que os trabalhadores voltassem aos seus empregos.
"Como o presidente [Joe Biden] disse desde o início, uma
paralisação é inaceitável por causa dos danos que infligiria a empregos,
famílias, fazendas, empresas e comunidades em todo o país", disse um
funcionário da Casa Branca. "A maioria dos sindicatos votou para ratificar
o acordo provisório, e a melhor opção continua sendo que as partes resolvam
isso por conta própria", acrescentou.
As ferrovias de carga movimentam cerca de 40% do frete de longa
distância dos EUA, fornecendo matérias-primas, carvão, madeira, materiais de
construção e automóveis. Uma breve greve pode levar a desvios e uma cascata de
atrasos e congestionamentos, atrasando a recuperação em algumas cadeias de
suprimentos. As maiores empresas ferroviárias de carga, Union Pacific, CSX,
BNSF Railway e Norfolk Souther, vêm lutando contra atrasos e problemas de
serviço há mais de um ano e dizem que a contratação e retenção de trabalhadores
são as principais prioridades para lidar com interrupções de serviço.
Por sua vez, os ferroviários disseram que estão sobrecarregados em meio
à escassez de mão de obra e dizem que suas contribuições não são devidamente
reconhecidas pelos executivos e acionistas da empresa. Questões como a
segurança do emprego também estão pendentes nas discussões sobre o tamanho da
tripulação, questão que está excluída dos atuais acordos coletivos. A Casa
Branca nomeou um painel de mediação durante o verão para ajudar a negociar um
compromisso e evitar qualquer paralisação do trabalho. O acordo de cinco anos,
que substitui um contrato que expirou, oferece aos trabalhadores ferroviários
um aumento de 24% nos salários de 2020 a 2024. Ele permite um dia de folga
adicional remunerado, além das férias existentes e folgas remuneradas. Os
líderes sindicais do BLET e do SMART-TD disseram que foram capazes de incluir
mudanças na política de participação, além das recomendações do painel indicado
pela Casa Branca.