quarta-feira, 29 de março de 2017

Codesp amplia prazo para empresas se adequarem à nova regra para cargas perigosas

         A resolução da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) que exige o envio eletrônico de informações sobre o transporte e a armazenagem de produtos perigosos, no Porto de Santos, entrará em vigor apenas em maio. A estatal que administra o cais santista atendeu aos pedidos de usuários do complexo e definiu esse novo prazo para a implantação da norma.
         Assim, em cerca de dois meses, todas as informações relativas aos embarques, desembarques e trânsito de mercadorias perigosas deverão ser prestadas através do sistema informático Porto sem Papel (PSP, programa que libera a atracação de navios). Além do nome das substâncias, será necessário apresentar informações relativas à carga, assim como o número de identificação das composição da mercadoria. 
         Dados como peso, ficha de emergência do produto e ainda a posição em que ela ficará no navio também deverão ser fornecidos à Autoridade Portuária. Tudo isso deve ser feito 48 horas antes do embarque ou 24 horas antes da chegada do navio ao cais santista, no caso de importações.
        Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, a categoria pede que este processo seja feito até seis horas antes dos embarques, por conta do dinamismo e da imprevisibilidade das operações portuárias. O não cumprimento das regras impostas pela Codesp poderá causar a mudança de ordem de atracação ou ainda a desatracação do navio infrator. 
         Recentemente, o Porto de Santos foi o cenário de dois grandes incêndios, que envolveram carregamentos químicos ou explosivos. O primeiro, em abril de 2015, atingiu os tanques da Ultracargo, na Alemoa, em Santos. O sinistro levou nove dias para ser controlado, sendo considerado a maior ocorrência deste tipo no País. Em seguida, em janeiro de 2016, o terminal retroportuário da Localfrio, na Margem Esquerda (Guarujá), foi atingido pelas chamas.

Ogmo volta a escalar metade de estivadores avulsos nos terminais de contêineres de Santos

         Com base em decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), o Órgão Gestor de Mão de obra (Ogmo) voltou a escalar metade de estivadores avulsos e outra metade de vinculados nos terminais de contêineres do porto de Santos. Desde junho de 2016, as empresas Brasil Terminal Portuário (BTP), Ecoporto, Libra e Santos Brasil trabalhavam com 66% de estivadores vinculados e 34% de avulsos, o que levou o sindicato da categoria a fazer greve e protestos.
         Agora, a greve de julho de 2016 foi julgada, no dia 15 deste mês de março, quando oito desembargadores do TRT decidiram que a paridade deve ser aplicada. O sindicato patronal dos operadores (Sopesp) já reconheceu a medida e diz que recorrerá.
         O TRT julgou a greve não abusiva e decidiu que, diante da inexistência de decisão judicial válida sobre o percentual de avulsos e vinculados, deve ser obedecido o artigo 40 da lei 12.815-2013, que determina a paridade.
         Para o presidente do sindicato, Rodnei Oliveira da Silva ‘Nei’, o retorno da paridade “mostra que a Justiça do Trabalho no Brasil funciona”. E acrescenta: “Estão de parabéns todos os estivadores que participaram das nossas greves, passeatas e protestos”, diz o ­sindicalista.
         O presidente do sindicato conclui: “Sem isso, não teríamos chegado a este resultado satisfatório, com perspectivas de melhores dias e de garantia do trabalho”.
Sopesp acata decisão e diz que vai recorrer ao TST
         Em nota à imprensa, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) diz que a medida vai trazer prejuízo para os terminais portuários, mas que acata a decisão e que vai recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
         As empresas que compõem a Câmara de Contêineres do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp)  - BTP, Ecoporto, Libra e Santos Brasil – tomaram conhecimento do Acórdão emitido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), na data de ontem, definindo a aplicação da lei 12.815/2013, entendendo que ela remete à paridade na utilização do trabalho de estiva, entre avulsos e vinculados.
         Desta forma, as empresas da Câmara de Contêineres informam que sempre respeitaram as decisões judiciais, e assim continuarão procedendo, uma vez que, decisão judicial é para ser cumprida.
Portanto, mesmo com os prejuízos que serão gerados para os terminais e para a competitividade do comércio exterior brasileiro, suas operações serão realizadas com o trabalho de estiva na forma mista, com a paridade de um terno atendido a bordo por trabalhadores avulsos e outro por trabalhadores com vínculo empregatício, enquanto esta decisão judicial estiver vigente.
          Tal decisão do TRT-SP é frontalmente contrária ao deliberado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) que, em seu Acórdão publicado e aplicado desde outubro de 2015, estabeleceu a progressão dos percentuais de operações com trabalhadores vinculados, até a aplicação da ”liberdade de  requisição, sem  percentual  compulsório” a ser exercida em março de 2.019.
          As empresas da Câmara de Contêineres continuam convictas da plena vigência do Acórdão publicado pelo TST, já mencionado, como destacam que em nenhum momento a legislação portuária vigente, a Lei 12.815/13, estabelece paridade entre trabalho avulso e vinculado, como consta no recente Acórdão do TRT-SP.
          Sobre a questão da plena liberdade das empresas para definição da forma de contratação e de utilização de trabalho portuário de estiva, o TST já firmou posicionamento claro, inclusive constante no Acórdão de 2015 envolvendo tais empresas e os estivadores de Santos: (fls. 33/35 do Acórdão do Processo TST-RO-1000895-40.2015.5.02.0000 – Empresas de Contêineres e Sindicato dos Estivadores de Santos de 15 de outubro de 2015),
          O sindicato patronal descreve  uma série de   argumentos e menciona parte da legislação do setor portuário/marítimo.

Exportações pelo Porto de Suape crescem 10% em fevereiro

         Fevereiro foi um bom mês para as exportações em Pernambuco. De acordo com dados divulgados pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), a Balança Comercial pernambucana registrou a maior alta do Nordeste em exportações (231,49%), quando as vendas para o exterior totalizaram US$ 190.576.102 (FOB). Os números positivos estão ligados diretamente ao Porto de Suape, por onde saem as principais cargas exportadas no estado. No mês, o Porto registrou a movimentação de 532.466 mil toneladas exportadas, crescendo 10% em comparação ao mesmo período de 2016.
         As montadoras do grupo FCA (FIAT e Jeep) exportaram 3.830 veículos em fevereiro de 2017, crescendo 63% em comparação ao mesmo período de 2016 quando 2.347 foram enviados para o exterior. Esses carros têm como destino principal a Argentina. Durante todo o ano de 2016, o Porto de Suape exportou 39.389 carros, assumindo a 5º posição no ranking de portos públicos brasileiros que enviam essas cargas para o mundo.
         Os combustíveis minerais (petróleo e derivados), principais cargas exportadas pelo Porto de Suape registraram o aumento de 6%. Foram 370.957 mil toneladas enviadas para o exterior, contra 350.374 mil toneladas em fevereiro de 2016. Suape é o atracadouro que mais exporta este tipo de carga entre os portos públicos do país, assumindo a primeira posição no ranking em 2016, com 5.032.947 toneladas exportadas.
         As movimentações de contêineres também registraram expressivo crescimento. Foram 2.374 TEUs (unidade equivalente a 20 pés) exportados em fevereiro de 2017, em comparação a 1.950 TEUs em fevereiro de 2016, resultando no crescimento de 22% das operações apenas neste período. A licitação do         
         Segundo Terminal de Contêineres (Tecon II), que deve ser lançada ainda este ano, deverá ampliar a capacidade de movimentação dessas cargas de 700 mil TEUs para 1.700.000 TEUs/ano. Hoje, Suape é o porto público com a maior movimentação de contêineres do Norte/Nordeste e o quarto do país.
         “Fechamos o mês de fevereiro, que é um mês considerado curto, com registros positivos. Queremos que março seja ainda melhor. Estamos sempre recebendo empresas e conversando com futuros investidores. Nossa meta é subir no ranking nacional de movimentação entre os portos públicos este ano. Vamos trabalhar para evoluir cada vez mais”, comentou o presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Marcos Baptista.

terça-feira, 28 de março de 2017

Trem descarrila no interior de São Paulo e derruba carga de soja transportada do Mato Grosso

         Um trem de carga sofreu descarrilamento parcial, na manhã de segunda-feira, 27, quando transitava pelo trecho urbano da ferrovia, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Os dois últimos vagões da composição saíram dos trilhos e um deles tombou, espalhando a carga de soja sobre a linha férrea e na rua General Glicério, região central da cidade.
         Duas construções sem moradores foram atingidas e tiveram a estrutura comprometida, segundo a Defesa Civil do município. Os imóveis passarão por avaliação após a retirada dos vagões. A região é movimentada e duas ruas foram interditadas para a remoção dos vagões e da carga.
         Os vagões descarrilados derrubaram um poste de iluminação e parte do muro de proteção construído após um grave acidente com outro trem, ocorrido em novembro de 2013. Na ocasião, uma composição carregada com milho saiu dos trilhos e atingiu várias casas, causando a morte de oito pessoas. Desta vez, segundo a Defesa Civil, ninguém ficou ferido.
         De acordo com a empresa Rumo, a composição seguia com a carga de soja do Estado de Mato Grosso em direção ao Porto de Santos (SP) quando aconteceu o descarrilamento. No início da tarde, equipes da concessionária ainda trabalhavam na remoção dos vagões e da soja espalhada. A empresa informou que vai apurar as possíveis causas do acidente e adotar medidas para recompor a segurança no trecho afetado.
         O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (PMDB), vistoriou o local do acidente e disse que a passagem de composições de carga pela área urbana representa sério risco. "Tratamos disso com o presidente Michel Temer na última sexta-feira, 24, quando da visita dele a Rio Preto, e temos esperança de ver o contorno ferroviário incluído na proposta de renovação do contrato de concessão da ferrovia", afirmou.
         A proposta do contorno para desviar a malha da área urbana já foi apresentada à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). "Como a obra não sai a curto prazo, estamos convocando a Rumo para discutir medidas de segurança que evitem novos acidentes", concluiu Edinho Araújo.

Nova versão do Plano Mestre do Porto de Santos começa a ser elaborada nesta semana

         A nova versão do Plano Mestre do Porto de Santos (SP) começará a ser elaborada nesta semana, com a realização de entrevistas com representantes da Autoridade Portuária e de terminais do cais santista. A forma como será feito o estudo será tema de um debate hoje, pela manhã, no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais. Trata-se da 1ª edição do Seminário sobre Planejamento Portuário, promovido pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC). 
         O plano mestre é um instrumento de planejamento de um porto, com projeções de seu desenvolvimento e de suas operações. A nova versão irá trabalhar com as demandas do complexo marítimo para 2045. O trabalho será feito a partir da parceria entre o MTPAC e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de seu Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans).
         O objetivo dessa parceria é melhor operacionalizar os portos brasileiros e garantir o escoamento de toda a produção nacional. A ideia é que, em Santos, o trabalho possa determinar não só o potencial de crescimento do cais e das instalações, mas também o tipo de carga a ser movimentada em cada parte do complexo.
         Segundo o diretor de Relações com o Mercado e Comunidade da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a administradora do Porto), Cleveland Sampaio Lofrano, as entrevistas serão realizadas por representantes do MTPAC que já estão na Cidade. A partir desses dados, será possível identificar a demanda do complexo até 2045. 
         “São informações de demanda, capacidade, da parte operacional, sobre o que os terminais preveem de expansão”, destacou o executivo. “É fundamental a participação da comunidade portuária, da Cidade, ouvir players e todos que têm relação com a atividade. Algumas diretrizes vão sair dessas entrevistas”, explicou.
         Até maio, a Secretaria Nacional de Portos do MTPAC realizará três rodadas de entrevistas com cerca de cem instituições públicas e privadas. A ideia é que o estudo de Santos se torne referência nacional no setor, por envolver uma grande quantidade informações. 
         Desta vez, o MTPAC ampliou o escopo das análises para a elaboração do plano mestre, dando maior ênfase à relação Porto-Cidade. A expectativa da pasta é concluir esse trabalho no prazo máximo de 12 meses.
         Em paralelo, deve ser elaborado, pela Codesp, o novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos. Neste caso, o estudo é operacional e se refere à distribuição e à eficiência portuária. Tanto ele como o Plano Mestre e o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) precisam estar alinhados, no entendimento da Secretaria Nacional de Portos.
         De acordo com o diretor de Relações com o Mercado e a Comunidade da Codesp, a maior parte desses trabalhos será realizada por técnicos da própria empresa. Já alguns levantamentos mais complexos deverão ser contratados pela Autoridade Portuária.
         O seminário de hoje abordará aspectos do planejamento portuário nacional, da gestão portuária, do meio ambiente, da interação Porto-Cidade e da logística de carga marítima, projeções de demanda, e metodologia de trabalho, entre outros. 
         O evento terá início às 9h30, com participação do diretor-presidente da Codesp, José Alex Oliva. Em seguida, às 9h50, haverá uma apresentação do Tribunal de Contas da União (TCU). Às 10h25, a palestra será da Secretaria Municipal de Assuntos Portuários, Indústria e Comércio, com foco na Interação entre o Porto e a Cidade. Em seguida, às 11 horas, está prevista uma apresentação de representantes do MTPAC. 
Por fim, haverá um debate entre os participantes. A Codesp ficará responsável pela mediação das discussões.

Programa de logística reversa é adotado pelo setor fumageiro do Sul



         O Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, depois de percorrer a região central do Rio Grande do Sul, estará até o dia 14 de junho na região da Serra gaúcha. Em andamento desde o ano 2000, o programa itinerante desenvolvido pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) atende 550 municípios gaúchos e catarinenses em 2,6 mil pontos de recebimento no meio rural, beneficiando um universo de 116 mil produtores de tabaco de um segmento predominantemente exportador..
        Nesta semana os caminhões do programa percorrem Arroio do Tigre. No mês de abril, estarão em Estrela Velha (03 de abril), Salto do Jacuí (04 de abril), Tunas (05 de abril), Lagoão (06 de abril), Jacuizinho (10 de abril), Herveiras (11 de abril), Sinimbu (12 a 17 de abril), Gramado Xavier (18 a 19 de abril), Canudos do Vale e Forquetinha (20 de abril), Barros Cassal (24 a 27 de abril), Marques de Souza e Progresso (27 de abril).
        Em Progresso o roteiro segue no mês de maio, assim como em outros municípios como Boqueirão do Leão, Sério, Fontoura Xavier, Soledade, Ibirapuitã, Putinga, Ilólpolis, Anta Gorda, Arvorezinha, Itapuca, Nova Alvorada, Doutor Ricardo, Relvado, Travesseiro, Pouso Novo e São José do Herval. No mês de junho, haverá pontos de coleta em Vila Maria, Casca, Santo Antônio do Palma, Gentil, Água Santa, Nova Prata, Protásio Alves, Fagundes Varela, Vista Alegre do Prata, Guaporé, Serafina Corrêa, União da Serra, Montauri, Camargo, Muçum, Vespasiano Corrêa, Dois Lageados, São Valentim do Sul, Ibiraiaras, Santa Cecília do Sul, Vila Lângaro, Sertão, Getúlio Vargas, São Domingos do Sul, Vanini, David Canabarro, Moliterno e Ciríaco.
       O tabaco é, segundo pesquisas, o produto comercial agrícola que menos utiliza agrotóxicos, mas provavelmente o que mais se preocupa com o descarte correto das embalagens vazias. Sejam aquelas utilizadas para o tabaco ou para outras culturas, o produtor conta há 17 anos com um sistema itinerante de devolução, com hora marcada e próximo da propriedade rural.  

Acionistas no exterior entram com ações contra empresas investigadas pela Operação Carne Fraca

         As consequências da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, cujas investigações foram divulgadas no último dia 17, já começam a surgir para as empresas envolvidas que têm negócios no exterior ou ações negociadas na Bolsa de Nova Iorque, os chamados American Depositary Receipts (ADRs). O escritório de advocacia norte-americano Rosen Law Firm entrou, na semana passada, com uma ação coletiva na Justiça dos Estados Unidos representando um grupo de investidores em ações do grupo JBS que se sentiram prejudicados pela omissão de informações e divulgação de comunicados que consideraram enganosos por parte da empresa. O escritório brasileiro Almeida Advogados faz parte da ação. Uma ação coletiva similar pode ser aberta contra a empresa BRF.
         Em nota, a JBS esclareceu que "não foi formalmente citada na ação e, portanto, não irá comentar".
Na opinião do advogado José Nantala Freire, especialista em direito internacional e compliance (agir em sintonia com as regras dos controles internos e externos), a entrada de ações na Justiça americana por investidores internacionais nesse caso da carne, “já era algo esperado”, como ocorreu com a Petrobras em 2014. “Até porque o resultado financeiro das empresas foi impactado por essas operações fraudulentas”, disse Freire.
         De acordo com o advogado, os indícios resultantes das investigações mostram que são reais as condutas irregulares identificadas pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca. Segundo Freire, é necessário um maior desenvolvimento do caso para atestar que o impacto dessas condutas na produtividade e nas finanças das empresas foi suficiente para provocar prejuízos aos acionistas no exterior.
         A conselheira do Instituto Compliance Brasil Carolina Fonti afirmou que os investidores aprenderam muito com o caso da Petrobras, entrando na Justiça com ações coletivas nos Estados Unidos para tentar recuperar ou requisitar um eventual prejuízo na desvalorização do capital investido. “O caso da Petrobras tem ensinado muito”, disse Carolina. Ela acrescentou que não é pré-requisito esperar que as investigações brasileiras tomem rumo mais definido para haver repercussão fora do país. “Não é obrigatório, mas é mais comum”.
          A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia do Ministério da Fazenda que fiscaliza o mercado de capitais, informou que não pode intervir no caso das ações coletivas contra os frigoríficos brasileiros, tal como ocorreu no caso da Petrobras, porque é uma decisão de acionistas das companhias. A CVM deixou claro, entretanto, que, se for solicitada para prestar algum tipo de informação, está disposta a contribuir.
         Como, de acordo com as investigações da Polícia Federal, parece haver corrupção de agentes do governo brasileiro no caso, Freire disse acreditar que essas empresas poderão ser também objeto de leis anticorrupção de outros países, como os Estados Unidos. Indagado sobre essa possibilidade, o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro não respondeu à solicitação até o fechamento da matéria.
         Atualmente, informou Freire, a maioria dos países que têm leis anticorrupção no seu ordenamento jurídico prevê algum tipo de punição pelo pagamento de propina e atos equiparados a corrupção que sejam praticados fora do país por companhias que fazem negócios em seu território. “Imagina algumas dessas empresas que estão envolvidas [na Carne Fraca] e têm ações negociadas, por exemplo, na Bolsa de Nova York. Caso se evidencie que houve pagamento de propina, como parece ser o caso,  a lei norte-americana prevê a possibilidade de a empresa também ser penalizada nos Estados Unidos. Ela vai ter que negociar possíveis acordos no Brasil e nos Estados Unidos”, acrescentou.
         Freire lembrou que casos semelhantes ocorreram com a Petrobras, em razão de processos de corrupção nos dois países e, recentemente, com a Odebrecht. Para ele, ações similares podem ocorrer também na Europa. Carolina Fonti destacou que as agências internacionais, principalmente as americanas, têm pressionado no sentido do alargamento da aplicação das leis locais em empresas que atuam naquele país. “É muito provável que o Departamento de Justiça [dos EUA] esteja interessado em analisar a questão. Eles estão sempre muito atentos às coisas que acontecem pelo mundo e com os títulos do Brasil e nessas grandes investigações da Polícia Federal que têm repercussão na mídia
         O advogado Freire destacou, porém, que não basta a empresa exportar, porque muitas vezes essa operação não é direta, mas é feita para um distribuidor local que revende o produto. Para receber punição do Departamento de Justiça americano, a companhia estrangeira tem de ter uma representação no país ou títulos negociados em Bolsa de Valores.
         De acordo com a lei norte-americana, se a empresa fizer negócios com os Estados Unidos já daria poder suficiente às autoridades para abrir investigações decorrentes de atos de corrupção e pagamento de propinas feitos a funcionários de outros países. “É possível, sim, pelo texto da Lei Anticorrupção dos Estados Unidos, a abertura de investigações em relação a essas empresas, em virtude do que está ocorrendo por aqui”, afirmou Freire.