terça-feira, 28 de junho de 2016

Milton Lourenço prevê uma nova agenda econômica para o Brasil e a Argentina



         *Com a ascensão na Argentina de um governo mais aberto e menos propenso a medidas restritivas e o fim no Brasil de um período de 13 anos em que a política de comércio exterior esteve influenciada por um viés ideológico, os dois países têm, a partir de agora, a oportunidade de estabelecer uma agenda que possa promover maior número de negócios, com o fortalecimento do Mercosul. Se acompanhada pela assinatura de um possível acordo de livre-comércio com o México, já há algum tempo em discussão, essa nova agenda, com certeza, irá contribuir decisivamente para uma recuperação mais consistente do comércio exterior brasileiro, atenuando a crise no mercado interno, como defende a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
        É de se destacar que, hoje, a Argentina é o quarto provedor do Brasil, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha, e o terceiro comprador. Mas o intercâmbio bilateral tem decaído nos últimos tempos. Segundo a consultoria argentina Abeceb, de janeiro a maio de 2016, a Argentina importou do nosso país mais 7,7%, mas exportou 17,4% menos, como resultado do fato de o Brasil ter comprado 30% menos do exterior. O forte crescimento das importações argentinas do Brasil, combinado com a queda das vendas para o mercado brasileiro, resultou no déficit mensal mais alto desde fins de 2013. Com um déficit acumulado de US$ 1,8 bilhão, o resultado comercial negativo praticamente triplica aquele registrado em igual período do ano anterior (US$ 685 milhões)
         Esse déficit tem deixado claro para as autoridades argentinas a necessidade de a política comercial com o Brasil passar por algumas reformas a fim de que os dois países possam ganhar competitividade em uma economia global em que a inovação domina o cenário. Portanto, como defendeu recentemente o embaixador argentino em Brasília, Carlos Magariños, Brasil e Argentina precisam trabalhar em uma agenda ambiciosa de facilitação de comércio e convergência regulatória e destravar regulamentações que impedem o fluxo normal de comércio e de investimentos.
          Como se depreende do posicionamento do embaixador argentino, aparentemente, os dois países já perceberam que deverão ganhar mais se se unirem para encontrar maior espaço no comércio internacional e atrair mais investimentos externos, o que implica um novo direcionamento no Mercosul, a partir da assinatura de um acordo amplo com a União Europeia, cujas tratativas se arrastam desde 1999, além da definição de uma agenda de negociações com os Estados Unidos que preveja a recuperação do mercado perdido no território norte-americano pelos produtos brasileiros nos últimos 13 anos. Sem deixar de buscar maior integração do Mercosul com os países da Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia).
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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

Dólar acompanha humor dos mercados internacionais e cai ante o real

         O dólar acompanhou a melhora do humor dos mercados internacionais e caiu ante o real na manhã desta terça-feira (28). O dia começou com ajustes no exterior e recuperação de ativos de renda variável, commodities e também de valorização de moedas emergentes e ligadas a commodities.
          Às 9h22min, o dólar à vista no balcão caía 1,26%, a R$ 3,3492. "Os agentes financeiros voltam a buscar ativos de maior risco e rentabilidade, deixando de lado a segurança da moeda americana", analisou João Paulo de Gracia Corrêa, da SLW Corretora, em nota a clientes.
         No exterior, a moeda norte-americana não mostrou reação ao PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre, Na terceira leitura, o dólar subiu 1,1%, com previsão de fechar o dia com 1,0% de baixa.

Redução no tempo de viagens gera oportunidades de negócios para o Ceará


         A diminuição do tempo de viagens dos grandes cargueiros entre a Ásia e o Brasil gera oportunidades para o comércio exterior brasileiro em geral, e para o cearense, em particular. Entre as possibilidades de negócios para o Estado, estão os setores exportadores de frutas, granito, calçados e de minério de ferro. Com a nova rota, os melões cearenses, por exemplo, poderão chegar à China em 30 dias, 10 a menos do que pela rota atual, que sai do Porto de Santos, passando pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África.
                                                                       Hub port
         Para as frutas, que já contam boa participação no mercado asiático, em particular o do Japão, a redução da viagem é ainda mais importante, por serem perecíveis. "Para nós, as frutas seriam o grande produto para exportação", diz Danilo Serpa. Em 2015, as exportações de melão renderam US$ 154,3 milhões ao Brasil. E para 2016, a expectativa da Abrafrutas é alcançar US$ 850 milhões, chegando na marca de US$ 1 bilhão em exportações até 2018.          "Muito se fala no hub do aeroporto, mas esse hub do Porto do Pecém é uma realidade. E os benefícios serão imediatos, pois as empresas já estão se antecipando", diz o empresário Luciano Cavalcante, que investe em um complexo imobiliário na região, a Cidade Cauype. "Independentemente de crise, lá é a região que mais vai crescer no Ceará, e as pessoas terão de morar lá".
         De acordo com um plano de negócios elaborado pela Cearáportos, em parceria com o Porto de Rotterdam, da Holanda, a expectativa é de que em 2030 o Porto do Pecém movimente 54 milhões de toneladas por ano. Podendo chegar a 70 milhões de toneladas, num cenário otimista e 40 milhões de toneladas num cenário pessimista. "Esse fluxo leva em consideração também uma séria de outros investimentos, como o parque de tancagem, e a operação da (ferrovia) Transnordestina, prevista para começar no segundo semestre de 2018", diz Serpa. (BC)

Após dez anos de espera recuperação do acesso Norte ao Porto de Imbituba começa a sair do papel

         Uma das principais reivindicações  da região Sul de Santa Catarina, a recuperação do acesso Norte de Imbituba, um trecho de 4,7 quilômetros que abrange a BR-101, a Avenida Marieta Konder Bornhausen e a Rua Manoel Florentino Machado, finalmente sairá do papel, graças ao esforço conjugado da comunidade. Após manifestações, acidentes graves, mortes, congestionamentos, paralisação de caminhoneiros, protesto de portuários, e outros acontecimentos registrados ao longo da última década, a obra será iniciada.
         Orçada em R$ 13,1 milhões, com injeção monetária dos governos do estado, de Imbituba e da SC Par, gestora do empreendimento que hoje é uma empresa estatal catarinense, os benefícios dos trabalhos serão muito maiores. Atrairá ainda mais investidores, pois atualmente a BR-101 está totalmente duplicada no estado - faltando um trecho minúsculo de cerca de um quilômetro em Tubarão.
         O engenheiro da prefeitura, Moacir Freitas da Rosa, juntamente com os engenheiros da Setep Construções, empresa vencedora da licitação, Antônio Rafael Isidoro Neto e Marcelo Barcaro, discutiram os últimos detalhes para o início da operação de recapeamento em concreto programado. O prazo para a conclusão é de oito meses.
         Representantes do Conselho Municipal das Associações de Imbituba (Comai) reuniram-se com o prefeito Jaison Cardoso e assessores para debater as melhorias no acesso norte do município. Uma manifestação ocorreu no dia 1º de julho do ano passado, há quase um ano, e que resultou no bloqueio total das pistas na Avenida Cônego Itamar Luiz da Costa, próximo ao Caic, no bairro Divineia, pedindo melhorias para a via. Esta foi uma das notícias veiculadas no Notisul sobre uma série que pedia, em suma, a recuperação do trecho que liga a BR-101 à região central e portuária da terceira maior cidade da região, e uma das mais ricas do sul do estado.
         O engenheiro da prefeitura, Moacir Freitas da Rosa, adianta que a montagem do canteiro de obras, que será próximo ao trevo da Divineia, e o levantamento topográfico para a regularização do pavimento, que é a primeira etapa, além do estudo para a drenagem pluvial, inicia em poucos dias. “A previsão é que as máquinas comecem a remover o asfalto no dia 4 de julho”, planeja Moacir.
         Nesta segunda-feira, profissionais da empresa Setep começaram os trabalhos. A reabilitação do Acesso Norte inclui a instalação de pavimento rígido - whitetopping, adequação da drenagem pluvial e toda a sinalização da avenida Marieta Konder Bornhausen e rua Manoel Florentino Machado. A obra será realizada por meio de um convênio entre o município de Imbituba, governo do estado e SC Par Porto de Imbituba.

Primeiro embarque de exportação do modelo "Forte" da Kia, produzido no México, aconteceu esta semana pelo porto de Altamira

         O primeiro embarque de exportações de carros do modelo "Forte" da KIA Motors do México foi realizado esta semana pelo Porto de Altamira, no Golfo de México. Os veículos saíram da planta do estado de Nuevo León, levados para o terminal marítimo, segundo a Secretaria de Comunicações e Transportes daquele estado. A cerimônia de inauguração das operações aconteceu nas instalações da Altamira Terminal Portuaria.
       As primeiras unidades foram embarcadas no navio “Glovis Sirius”. A expectativa para  2016 é de movimentar mais de 45 mil carros a partir de Altamira com destino à costa leste dos Estados Unidos e América do Sul. O diretor do porto, José Carlos Rodríguez Montemayor, disse que a operação foi possível graças ao esforço de todos os envolvidos no processo.
       “O resultado nos consolida como o novo clúster logístico automotriz do México”, comemorou o executivo. Ele destacou igualmente que para o porto é um grande orgulho ser parte desta operação da KIA, proporcionando a plataforma para a exportação da montadora para diversos  países do mundo", salientou.
         O CEO da KIA Motors México, Tae Jin Park, aproveitou para lembrar que a marca oferece a seus clientes carros que contam com manutenção baixa e alta tecnologia. Salientou que 2016 vem surpreendendo com as vendas do modelo “Forte", produzido na fábrica de Monterrey. "Além de atingir 3% de participação no mercado mexicano, o modelo vem conquistando consumidores em todo o mundo", acrescentou.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

TCP Log começa a movimentar as cargas para a ampliação da fábrica da Fíbria em MS



         A TCP Log, subsidiária logística da TCP (administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá), iniciou a movimentação das cargas destinadas à ampliação da fábrica de celulose da Fibria, em Três Lagoas (MS), batizado de Projeto Horizonte 2. Anunciado em maio de 2015, o Projeto Horizonte 2 aumentará a capacidade de produção da unidade no município dos atuais 1,3 milhão para 3,25 milhão de toneladas de celulose por ano.
        A movimentação de cargas envolve a importação de peças e equipamentos de países da Ásia e Europa. São aproximadamente 10 mil toneladas de cargas break bulk, além de 2 mil contêineres importados principalmente pela Andritz, fornecedora de equipamentos para plantas indústrias de celulose, que chegarão ao Brasil por meio de Paranaguá (PR) e que seguem com destino ao Mato Grosso do Sul por modal rodoviário.
       O diretor-superintendente Comercial da TCP, Juarez Moraes e Silva, explicou que Paranaguá foi escolhida para receber os equipamentos pela operação logística que oferece por meio da TCP Log. “O cliente recebe, diariamente, informações sobre a operação de suas cargas dentro do Terminal. Isso oferece uma visão completa e em tempo real do processo, com o status de todas as operações”, esclareceu.
         “São peças de alto valor e, qualquer divergência daquilo que foi planejado, pode gerar um custo muito alto para o importador. Além disso, as vantagens comerciais oferecidas pela TCP Log tornaram a operação por Paranaguá mais atraente, com um custo portuário mais competitivo”, completou o executivo.
         A experiência anterior da TCP Log na operação de cargas e equipamentos para fábricas de celulose também foi um fator decisivo para a escolha do porto paranaense. “Graças à operação realizada em 2015, quando recebemos equipamentos e peças para uma fábrica de celulose no interior do Paraná, conseguimos oferecer ao cliente uma operação mais rápida, desburocratizada e com liberação mais eficiente junto aos órgãos intervenientes. A experiência contou ao nosso favor”, destacou Moraes e Silva.

Balança comercial registra superávit de US$ 1,100 bilhão na quarta semana de junho

         A balança comercial registrou superávit de US$ 1,100 bilhão na quarta semana de junho, informou nesta segunda-feira, 27, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O saldo positivo resultou de exportações no valor de US$ 4,009 bilhões e de importações no total de US$ 2,909 bilhões entre os dias 20 e 26 de junho.
         Com o resultado, a balança comercial acumulou superávit de US$ 3,448 bilhões no mês de junho, até a quarta semana. O desempenho decorreu de exportações no valor de US$ 13,867 bilhões e de importações que totalizam US$ 10,418 bilhões.
         No ano, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 23,110 bilhões. O superávit foi resultado de US$ 87,360 bilhões em exportações e de US$ 64,250 bilhões em importações.
         A média diária de exportações ficou em US$ 770,4 milhões em junho até a quarta semana do mês, o que representa uma queda de 17,6% em relação à média de US$ 934,7 milhões de junho do ano passado. Já a média diária de importações ficou em US$ 578,8 milhões no acumulado do mês até a quarta semana, uma baixa de 19,5% ante junho de 2015, quando a média diária foi de US$ 719 milhões.
         Do lado das exportações, houve recuo de 21,5% no segmento de manufaturados por conta de óleos combustíveis, autopeças, óxidos e hidróxidos de alumínio, motores para automóveis, aviões e automóveis de passageiros, entre outros. Também foi vista uma queda de 18,7% dos produtos básicos, com destaque para petróleo em bruto, café em grãos, soja em grãos, minério de cobre, farelo de soja, fumo em folhas e minério de ferro.
         As vendas externas de semimanufaturados, no entanto, registram alta de 1,6% no mesmo período de comparação, com açúcar em bruto, ouro em forma semimanufaturada e madeira em estilhas. Na comparação com maio deste ano, houve queda de 7,9% das exportações, também com a mesma composição: queda em manufaturados (-12,9%) e básicos (-6,6%) e alta de 0,3% dos semimanufaturados.
         Nas importações, houve retração dos gastos, principalmente, com siderúrgicos (-51,7%), combustíveis e lubrificantes (-45,0%), veículos automóveis e partes (-40,2%), instrumentos de ótica e precisão (-22,3%), plásticos e obras (-20,8%) e farmacêuticos (-16,6%). De acordo com o ministério, quando comparadas com maio, as compras do exterior tiveram aumento de 9,2%, com destaque para crescimento em equipamentos mecânicos (52,4%), adubos e fertilizantes (27,6%), combustíveis e lubrificantes (12,1%), farmacêuticos (8,1%) e químicos orgânicos e inorgânicos (2,8%).