Apenas as obras de profundidade do trecho 1 da via marítima, que vai da entrada da Barra ao Entreposto de Pesca, no Porto de Santos, estão sendo executadas. mas deverão parar em 30 dias, quando termina o contrato. Os outros dois contratos de dragagem do complexo estão encerrados. Com isso, os trechos 2, 3 e 4 do canal
de navegação, região que vai do Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia,
até a Alemoa, não estão sendo dragados.
A obra também está paralisada,
há três meses, nos berços de atracação do cais santista. Agora, apenas
as profundidades do trecho 1 da via marítima, que vai da entrada da
Barra ao Entreposto de Pesca, estão sendo mantidas. No entanto, a obra
será interrompida em 30 dias, quando seu contrato chegará ao fim.
A falta de dragagem atinge todos os terminais do Porto, da Ponta da
Praia à Alemoa, inclusive os da Margem Esquerda (Guarujá). A situação é
ainda mais preocupante tendo em vista as chuvas desta época do ano, que
aumentam o assoreamento (deposição de sedimentos) no estuário, reduzindo
sua profundidade.
Dois dos três contratos que garantiam a continuidade da dragagem
chegaram ao fim. Isto ocorreu sem que a Companhia Docas do Estado de São
Paulo (Codesp), que administra o cais santista, garantisse a continuidade dos trabalhos, fundamentais
para a competitividade do complexo.
O contrato da dragagem nos trechos 2, 3 e 4 do canal foi renovado e terminou no mês passado. Procurada, a estatal se limitou a informar que o
processo de contratação de uma empresa de dragagem está em elaboração e
não respondeu às perguntas sobre o motivo da finalização do contrato
dos trechos 2, 3 e 4 – o DP nº 42.2014, firmado com a Van Oord Operações
Marítimas e renovado em agosto do ano passado, por mais seis meses, até
fevereiro. Foram investidos R$ 19,7 milhões na obra, que englobava a
manutenção da profundidade no canal e nos acessos aos berços de
atracação nos três trechos, entre o Entreposto de Pesca.
A empresa holandesa ainda tem um segundo contrato com a Codesp, o DP
24.2015, aditado em 6 de outubro por mais seis meses, até o próximo dia
6. Ele se refere apenas à manutenção do canal de navegação no Trecho 1
do estuário. Seu valor é de R$ 19,86 milhões.
Berços
Pelo menos dois terminais do Porto de Santos já sentem os reflexos do
assoreamento causado pela falta da dragagem de berços do Porto. O
serviço foi interrompido em 10 de dezembro do ano passado e até agora
não foi retomado, pois a Codesp não conseguiu recontratá-lo.
Instalações portuárias temem que as dimensões de calado dos pontos de
atracação sejam reduzidos. O Ecoporto Santos, que fica no Cais do
Saboó, registrou perda de profundidade em um dos seus pontos de
atracação, no Cais do Corte.
Já a Brasil Terminal Portuário (BTP), instalação especializada na
operação de contêi-neres e localizada na Alemoa, teve seu berço 1
impactado pela falta de dragagem. Por isso, está com profundidade
inferior ao homologado no canal, segundo a empresa. Para a companhia,
essa situação reduz em até um terço sua capacidade de movimentação –
que, oficialmente, é de 2,5 milhões de TEU (unidade equivalente a um
contêiner de 20 pés) por ano e, na prática, fica em 1,65 milhão de
TEU/ano.

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