O processo de desmembramento das 23 unidades da Companhia Estadual
de Silos e Armazéns (Cesa), pertencente ao governo do Rio Grande do Sul, encerrou mais uma etapa nesta segunda-feira.
Desta vez, a Cotrijuc apresentou proposta única no valor de R$ 34 mil
mensais, o equivalente a R$ 408 mil em 12 meses, e levou o contrato de
arrendamento da filial de Júlio de Castilhos. A cooperativa chegou a
elevar em R$ 1 mil a pedida prevista no edital que seria de R$ 33 mil.
Na semana passada, a Cotrirosa já havia vencido uma concorrência
pública semelhante para a locação da filial de Santa Rosa. O preço
oferecido, na ocasião, foi de R$ 31 mil mensais, ou seja, R$ 372 mil
anuais. Por isso, com a confirmação do novo contrato, a Cesa conseguirá
receitas-extras de R$ 780 mil apenas com os dois arrendamentos.
Caso a história se repita, a terceira concorrência pública -
agendada no dia 28 de março para a unidade desativada de Nova Prata -
deve acrescentar no mínimo mais R$ 96 mil ao cálculo (R$ 8 mil mensais é
o valor mínimo do edital). Deste modo, a arrecadação anual obtida com
somente três locações seria de R$ 876 mil.
No entanto, conforme explica o diretor-presidente da Cesa, Carlos
Kercher, o principal ganho operacional se refere à redução de despesas.
Isso ocorre porque a companhia estadual deixará de arcar com gastos
fixos que, em 2015, totalizaram R$ 546 mil (R$ 45,5 mil mensais), em
Santa Rosa, R$ 753,6 mil (R$ 62,8 mil mensais), em Júlio de Castilhos e
R$ 172 mil (R$ 14,3 mil mensais), em Nova Prata. Os valores são
referentes ao IPTU, impostos, contas de energia elétrica, água, seguro
contra incêndio e intempéries naturais, entre outros encargos.
Na ponta do lápis, em uma só tacada, a poupança associada ao
repasse desses gastos aos futuros locatários já selecionados seria de R$
1,29 milhão no intervalo de 12 meses. Se incluída as projeção de Nova
Prata, o corte ultrapassaria R$ 1,47 milhão.
Em Júlio de Castilhos, por exemplo, enquanto o custo mensal médio é
estimado em R$ 62,8 mil, as receitas de janeiro somaram apenas R$ 28,8
mil, gerando assim um prejuízo de R$ 34 mil em 30 dias. Quando
contabilizados os resultados de fevereiro, o ingresso de apenas R$ 16,1
mil em rendimentos representa um déficit de R$ 46,7 mil, frente às
despesas de igual período.
Além disso, em ambas as filiais já arrendadas (Santa Rosa e Júlio
de Castilhos), seriam necessários aportes de R$ 200 mil e R$ 400 mil
previstos para o decorrer de 2016. Os investimentos totalizariam R$ 600
mil e são indispensáveis às operações.
Agora, essa quantia não será mais
desembolsada pela Cesa. Isso ocorre porque as benfeitorias serão
realizadas pelas cooperativas locatárias, mediante autorização, e, em
uma futura negociação de compra, o montante poderá ser abatido.
Subordinada à regional de Cruz Alta, a unidade de Júlio de
Castilhos possui área de 19,5 mil metros quadrados. É composta por dois
silos elevados de concreto e um armazém metálico com capacidade para 39
mil toneladas de grãos. O espaço também está equipado com uma unidade de
recepção e de pesagem rodoviária, centro administrativo, uma divisão de
recepção, expedição e pesagem ferroviária, guarita de controle, dois
setores de secagem e um refeitório. Juntas, as benfeitorias totalizam
mais de 8 mil metros quadrados da área construída.
O contrato de locação, válido por um ano a partir da assinatura,
permite renovação por tempo indeterminado. Nesse caso, as prestações
fixas seriam corrigidas pela variação acumulada do IGP-M (Índice Geral
de Preços do Mercado).
O acordo selado entre as partes não anula a possibilidade de venda
total daqueles ativos. Aliás, segundo informa Kercher, esse deve ser o
caminho natural das negociações. "Inicialmente, nos livramos dos custos e
geramos receitas, mas todas as cooperativas já demonstram interesse em
adquirir os ativos em definitivo", antecipa.
O diretor-presidente da Cesa ainda pontua que as primeiras etapas
do plano já demonstram o acerto da estratégia. A ideia inicial do
projeto é diluir o peso dos sucessivos prejuízos da estatal que, até
2014, acumulavam R$ 519,2 milhões.
Por isso, o objetivo, explica Kercher, é desmembrar a estrutura
física com contratos de locação, venda parcial ou total dos ativos.
Atualmente, são 18 filiais em funcionamento, dentre as quais Santa Rosa e
Júlio de Castilhos. Outras cinco unidades, entre elas a de Nova Prata,
estavam desativadas e com os espaços ociosos gerando apenas despesas.

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