quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Exportações brasileiras de calçados voltam a cair em agosto após três meses seguidos de altas



         As exportações brasileiras de calçados, depois de três meses seguidos de altas, nos comparativos com os meses imediatamente anteriores, voltaram a cair. Os calçadistas embarcaram em agosto 9 milhões de pares, com receitas de US$ 69 milhões, 13,7% menos do que em julho (US$ 80 milhões) e 23,5% menos do que no mesmo mês de 2014 (US$ 90,2 milhões). No acumulado dos oito meses do ano, foram embarcados 74,6 milhões de pares por US$ 613 milhões, 12,3% menos do que no mesmo período do ano passado (US$ 699 milhões).
          O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, afirmou que o resultado negativo não chega a surpreender, embora a expectativa fosse de maior estabilidade no mês oito. “A alta do dólar ainda não refletiu sobre os resultados, mas esperávamos uma maior estabilidade em relação aos meses anteriores”, comenta, acrescentando que a alta da moeda norte-americana só deve ser refletida nos embarques a partir de dezembro.
           Segundo o executivo, a volatilidade cambial tem prejudicado as exportações, especialmente porque dificulta a formação dos preços. “A negociação fica mais lenta e, por vezes, negócios são perdidos. Os importadores esperam a melhor cotação para concretizar a compra”, explica Klein, para quem, neste momento, a estabilidade cambial é fundamental para que sejam concretizadas as expectativas de recuperação nos embarques. “O Brasil vive um momento de incertezas e o câmbio fica extremamente vulnerável. Não é somente a situação econômica que precisa melhorar, mas a política. O clima de desconfiança só prejudica o país”, avaliou.
           Os três principais destinos das exportações em agosto tiveram resultados negativos. Para os Estados Unidos, principal comprador do produto nacional, as exportações geraram US$ 14 milhões, 24,4% menos do que no mesmo mês de 2014. Para a Argentina, a queda foi de 54,2% em relação a agosto do ano passado. O país vizinho comprou o equivalente a US$ 5,85 milhões. O terceiro destino nos oito meses do ano, a França importou US$ 3,87 milhões no mês passado, queda de 15,2% ante agosto de 2014.      

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