quinta-feira, 9 de abril de 2015

Massey Ferguson demite 153 funcionários por causa da retração na venda de máquinas agrícolas

      A Massey Ferguson demitiu 153 funcionários da sua fábrica de colheitadeiras, em Santa Rosa (RS). A medida foi provocada pela crise no setor de máquinas e implementos agrícolas no país, com a queda nas vendas desde o ano passado, que também atinge outros fabricantes do segmento que estão reduzindo o ritmo de trabalho nas linhas de produção para se ajustar ao momento de retração da economia brasileira.
      O Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rosa informou que a intenção inicial da empresa era demitir 300 trabalhadores, quase a metade de um total de 700 funcionários da unidade. O número somente foi reduzido em virtude de negociação entre representantes da categoria e da indústria, nesta semana, que evitou mais desligamentos imediatos.
      As outras 147 pessoas incluídas em um programa de suspensão de contrato terão o emprego garantido por quatro meses, conforme proposta que será avaliada em assembleia dos trabalhadores. Se aceitarem, eles receberão seus salários integralmente nesse período e farão cursos de formação em metalurgia, subsidiados pela empresa. Após, a empresa irá decidir se os funcionários retornam à produção ou se serão demitidos.
      "O impacto desta crise é imenso, a recolocação desses trabalhadores é complicada. Em pouco mais de um ano, foram mais de 1,2 mil demissões no setor metalmecânico em oito cidades da região", lamentou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rosa, João Roque dos Santos.
      Analistas estimam que o efeito será em cascata, impactando também os sistemistas que fornecem componentes às fábricas. A Massey Ferguson produziu 1,2 mil colheitadeiras em 2014 na unidade de Santa Rosa, reduzindo a produção para 600 unidades até o fim deste ano, das quais 300 já foram montadas nos três primeiros meses.
      Com isto, a ociosidade fará a linha de colheitadeiras ficar parada nos próximos quatro meses. A AGCO, dona da marca Massey Ferguson, divulgou nota informando que, diante da queda de vendas de todo o setor de máquinas e equipamentos, precisou ajustar a demanda em relação ao mercado.
     "Sabíamos que não iríamos escapar da recessão que o país está vivendo. Talvez não sofreremos tanto quanto a indústria em geral, em razão da supersafra, mas as demissões serão inevitáveis", avaliou o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier.

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